7 estratégias que podem salvar uma start-up quando a crise chegar
Antecipar riscos, reforçar a liquidez, eliminar ineficiências e proteger os ativos essenciais são algumas das medidas que podem ajudar uma start-up a enfrentar melhor períodos de crise.
Perder um grande cliente, ver o financiamento acabar ou assistir à chegada de uma tecnologia capaz de mudar as regras do jogo são cenários que podem abalar qualquer start-up.
Quando a crise se instala, a margem para reforçar a resiliência do negócio tende a ser já muito mais reduzida. Num artigo publicado pelo Inc., são identificadas sete medidas que os fundadores podem adotar para reforçar a resiliência das start-ups e reduzir a exposição a futuras crises.
1. Acompanhe os indicadores importantes e crie alertas
As autoridades procuram identificar os locais onde é mais provável surgirem problemas e aconselham as pessoas a evitarem zonas de risco, como encostas ou áreas suscetíveis a inundações. São também criados sistemas de alerta precoce e avisos de emergência para dar às populações o máximo de antecedência possível.
As start-ups podem seguir um protocolo semelhante e preparar-se para situações adversas colocando uma pergunta essencial: “Quais das minhas premissas causariam maiores danos ao negócio se deixassem de ser verdade?”
Pode ser a disponibilidade de capital de risco, a dependência de um grande cliente, de um único canal de distribuição, de um fornecedor, de determinada interpretação regulamentar ou de uma vantagem tecnológica específica.
Acompanhe em tempo real os principais indicadores da empresa. Calcule mensalmente a taxa líquida de consumo de caixa — net burn rate — e atualize semanalmente as projeções relativas ao tempo de caixa disponível.
Crie também indicadores de alerta precoce para as principais vulnerabilidades do negócio.
2. Resolva problemas antes de ser demasiado tarde
Quando começam as chuvas intensas, as empresas de reparação rapidamente ficam sobrecarregadas e torna-se quase impossível resolver problemas. Por isso, a melhor altura para proteger um telhado contra tempestades é quando o céu ainda está limpo.
Nas start-ups, também não é durante uma crise que se deve descobrir que a contabilidade está incompleta, o software está desatualizado, os contratos são ambíguos ou os seguros são insuficientes.
Coloque tudo em ordem, enquanto o negócio está a funcionar normalmente.
3. Elimine bloqueios e aproveite os excedentes
Os proprietários de casas são aconselhados a limpar caleiras e sistemas de drenagem para garantir que a água se afasta dos edifícios durante uma tempestade. Também lhes é recomendado instalar recipientes para recolher o excesso de água.
Os fundadores devem igualmente procurar os “bloqueios” existentes nas suas empresas.
Analise processos comerciais demasiado lentos, níveis desnecessários de aprovação, processos de integração demasiado complexos, despesas não auditadas ou produtos que consomem recursos sem gerar valor.
É fácil ignorar estes problemas quando o crescimento consegue suportá-los. Mas, se as condições de mercado mudarem, não vai querer que sejam eles a comprometer a empresa.
4. Corte os ramos mortos antes que o vento o faça
Antes de grandes tempestades, recomenda-se verificar se as árvores apresentam problemas estruturais ou sinais de deterioração, evitando que ventos fortes façam cair ramos mortos sobre telhados ou linhas elétricas.
As empresas também precisam de identificar os seus “ramos” menos produtivos.
Procure produtos medianos que consomem muitos recursos de engenharia, iniciativas que ninguém quer terminar apenas porque foram defendidas por alguém influente, segmentos de clientes que geram receitas mas destroem margens ou funcionalidades que provocam reclamações constantes.
Em mercados estáveis, estes pontos fracos podem passar despercebidos durante anos.
Não espere por uma crise para os identificar. Pergunte à sua equipa:
“O que deixaríamos imediatamente de fazer se o dinheiro se tornasse escasso?” Se a resposta for óbvia, elimine-o agora.
5. Tenha “sacos de areia” preparados
Durante as inundações, os sacos de areia são usados para desviar a água de portas e outras entradas dos edifícios. Não são particularmente sofisticados, mas permitem ganhar tempo quando a água começa a avançar para onde não deveria.
As empresas precisam de um equivalente financeiro.
Linhas de crédito previamente aprovadas, condições de emergência previamente negociadas com fornecedores, uma lista de despesas que podem ser imediatamente suspensas e reservas de caixa podem dar aos fundadores tempo para tomar decisões de longo prazo quando enfrentam crises no curto prazo.
6. Crie raízes profundas
Quem vive em encostas é aconselhado a plantar vegetação com raízes profundas para evitar a erosão do solo.
As start-ups também podem evitar a erosão, criando hábitos sólidos e relações fortes com os clientes.
A lealdade dos clientes é muitas vezes muito mais frágil do que os fundadores imaginam. As pessoas aborrecem-se facilmente e reconsideram regularmente aquilo que compram e a quem compram.
Se o seu produto ou serviço começar a ser visto como um “ramo morto”, será eliminado.
Cultivar a fidelização dos clientes e melhorar a adequação entre produto e mercado — o chamado product-market fit — são fundamentais para evitar que isso aconteça.
7. Tenha um “kit de emergência” preparado
Em situações de emergência, um kit preparado para uma evacuação rápida pode incluir roupa para três dias, alimentos para duas semanas, documentos importantes e outros bens essenciais.
Para uma start-up, o equivalente pode significar dispor de 18 a 24 meses de autonomia financeira, sistemas essenciais com cópias de segurança, armazenamento adequado de documentos jurídicos e financeiros importantes e saber exatamente onde está a informação crítica caso um fundador, colaborador, fornecedor ou plataforma deixe subitamente de estar disponível.
Para perceber qual deve ser o “kit de emergência” ideal da empresa, coloque questões como:
Se o negócio estivesse a entrar em colapso, o que preservaria primeiro? Quais são os clientes mais importantes? Que colaboradores ou competências são indispensáveis? Qual é realmente o produto central do negócio? O que deixaria de financiar se começasse a ficar sem dinheiro? O que poderia vender? O que conseguiria mudar rapidamente sem destruir o valor que já criou?
Criar reservas financeiras não é tão entusiasmante como ver o dinheiro entrar.
Também não é inspirador eliminar projetos medianos, rever contratos, criar cópias de segurança de sistemas críticos ou trabalhar continuamente na retenção de clientes.
Mas os fundadores que fazem estas coisas têm algo que os outros não têm: opções. Podem esperar, reduzir custos, mudar de direção, adaptar-se, negociar, proteger o essencial e aproveitar as oportunidades criadas pela própria disrupção.
Mais do que resistir a uma crise, a resiliência empresarial mede-se pela capacidade de preservar alternativas e margem de decisão quando as condições se deterioram.







