Opinião

Criar um negócio em 2026 é muito mais fácil (e muito mais)

Ivo Gomes, CEO da MOB Agency
Foto: Ivo Gomes

Tive sorte. Quando eu quis abrir um negócio, no meu caso na área do marketing digital, ser empreendedor não era fixe. Tenho 31, não sou assim tão velho, acho eu, mas as coisas eram diferentes ou eu simplesmente não sabia melhor.

Não existiam encontros de founders ou motivos para fazer um post sem ser arranjar namorada. Não sabia que tinha de ter higiene de sono, o que era um pomodoro, nem listas com os 47 livros que tinha de ler antes de começar. Não sabia nada disso.

Nem tinha um “bro” do twitter para me mostrar quão incrível era a sua vida de empreendedor, só me restava imaginar, tentar e bater com a cabeça. Em vez de masturbação mental e de ego, existia dores de cabeça, resolução de problemas e construção de confiança e resiliência, enquanto me imploravam para parar de perder o meu tempo e estudar.

Hoje é tudo mais fácil. Tens a informação toda. Tens as ferramentas todas. Tens tutoriais para o que quiseres, de borla, à distância de um clique. Nunca foi tão fácil começar. Também nunca houve tanta gente a fazer soar tudo tão fácil. E é exatamente por estes motivos que nunca foi tão difícil.

Lembro-me do Ronaldo dizer “Eu dei o mapa”. Quando toda a gente tem o mapa, ter o mapa deixa de ser vantagem. A barreira mudou de sítio. Já não é “saber como”. Agora é ter discernimento para escolher entre mil comos, e realmente te mexeres numa direção.

O problema não é a desinformação, os gurus, os cursos de 2000 euros que ensinam a vender cursos. Não é. Nem a hustle culture, o indivíduo das 6 da manhã até deve ter razão, acordar cedo se calhar ajuda, eu não saberia. Podes afogar-te em conselhos mesmo que sejam os corretos.

Consumir informação sabe a trabalho, dá trabalho e não é trabalho. Lês sobre negócios, ouves podcasts sobre negócios, guardas threads sobre negócios, e sentes-te a avançar. Não avançaste um centímetro. Só apanhaste a dose.

Porque falar da coisa dá ao cérebro quase o mesmo que fazer a coisa. Contas o plano, alguém faz gosto, o cérebro paga-te adiantado. A recompensa de teres feito, sem teres feito nada.

Tive sorte porque a recompensa de fazer a coisa só vinha no fim de a fazer.
Cala-te um pouco. Lê, claro. Mas encontra uma parede e faz uns galos. Depois, enquanto pões gelo, lê. E bate outra vez. Simples

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