“Boicote de publicidade ao Facebook!”.“Tudo para sempre em teletrabalho!”.“Fecho de todas as lojas físicas. Agora só ‘vendemos’ online!”. Estas têm sido algumas das mais recentes tendências que temos vindo a assistir, a ouvir e, por vezes, a sentir.

Estou certo que o aumento da velocidade de processos é uma inevitabilidade, devido às transformações digitais em execução mais aprofundada nas empresas. Tudo caminha para ganhos elevados de eficiência, e nem todos conseguirão entrar nessa tendência, ficando pelo caminho, tal qual a teoria da seleção natural de espécies de Charles Darwin.

Contudo, há um aspeto fundamental na Gestão de empresas: consistência estratégica!

Gerir empresas não pode ser gerir modas ou gerir estados de espíritos da comunicação social, ou pior ainda, gerir com base em influencers de redes sociais.

Reconheço a importância do mundo digital, até porque sou um profundo defensor da eficiência e de novas oportunidades que o digital traz às empresas e aos indivíduos. Mas quando gerimos empresas precisamos de garantir uma consistência estratégica de médio e longo prazo, para ganhar credibilidade no mercado e solidificar conceitos implementados.

As decisões não podem ser tomadas porque alguém descobriu, o que toda a gente já sabe há anos, que o Facebook (e não só) usa os dados para influenciar ou porque não evita discursos de ódio (vá-se lá saber o que isso é ou se há até ações práticas derivadas disso). O negócio do Facebook é trabalhar dados e aplicá-los ao seu negócio!

O teletrabalho implementado muito rapidamente, durante a fase da pandemia Covid, demonstrou o que defendo há muitos anos: não interessa onde as pessoas fazem o seu trabalho, desde que o façam, no tempo definido e com a qualidade desejada. A pandemia conseguiu comprovar aos mais céticos que é possível trabalhar por objetivos de tarefas e não por “picar o ponto” às 9h e às 17h. Contudo, e não falando das funções que são inevitavelmente presenciais, também é crucial garantir um fator distintivo nas empresas: a sua cultura. Uma cultura empresarial ganha-se com relações próximas sociais entre colaboradores.

Por fim, o decidir o fecho de 100% das lojas físicas e agora só “vendemos” online, tem um impacto a médio prazo certamente: o conhecer o mundo físico! É certo que existem muitos negócios que nasceram online e só fazem sentido online. Mas, há muitos negócios que nascem no mundo físico e que não fazem sentido se não tiverem alguma presença física, mesmo que haja uma boa adoção online. O contacto com o cliente, de uma forma física, é de um ganho incomensurável. Até a Amazon, cuja base é online, começou a abrir algumas lojas físicas, pois entendeu que os comportamentos dos clientes no mundo físico são diferentes do mundo digital, obtendo ainda mais riqueza de dados para apoio nas suas tomadas de decisão estratégicas.

A consistência traz credibilidade! Quando vejo decisões de empresas tomadas em segundos, passando do 8 para o 80, por pressão social ou de tendências fugazes, fico com muitas dúvidas relativamente à existência efetiva de uma estratégia escrita e pensada.

Baseado num dos meus autores preferidos, Jim Collins, deixo uma adaptação minha ao seu modelo de pensamento: “Consistência é a chave em tempos de caos!”.

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Sobre o autor

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Atualmente é diretor-geral da IPTelecom, tendo sido antes Diretor Comercial da Infraestruturas de Portugal S.A., Diretor de Sistemas de Informação na EP – Estradas de Portugal S.A. e Professional Services Manager da Sybase Inc. em Portugal. Na academia é Diretor... Ler Mais