O empreendedorismo não é apenas uma moda, é verdade que se fala muito em start-ups, vemos imensos programas com atenção mediática, prémios, etc… Mas a verdade é que o empreendedorismo tem um potencial de impacto no futuro dos países que é praticamente inigualável.

Nem todos os países publicam estatísticas detalhadas do impacto relacionado com o empreendedorismo nas suas economias, mas se olharmos para dados publicados pela “US Small Business Administration”, relativos a pequenas empresas nos EUA, em 2020, 99.9% das empresas nos EUA são pequenas empresas, entre 2000 e 2019 as pequenas empresas criaram 10.5 milhões de empregos, quase o dobro dos empregos criados pelas grandes empresas no mesmo período e em 2020 as pequenas empresas foram responsáveis pela criação de 65.1% dos empregos nos EUA. Para além disso é estimado um impacto de criação de valor global das start-ups no valor de 3 triliões de USD entre 2017 e 2019.

Pensando numa economia como a angolana o potencial de impacto futuro é ainda maior, não apenas pela oportunidade de ser ainda um mercado com imenso espaço para novas ideias e soluções, não saturado por concorrentes, mas também pelas condições demográficas e económicas do país. Angola tem aproximadamente 33 milhões de habitantes de momento e com uma população maioritariamente jovem, estando cerca de 60% da população abaixo dos 25 anos de idade. A população angolana tem vindo a crescer a cerca de 3% ao ano, o que nos últimos anos se traduz num crescimento de população acima do crescimento médio do PIB e as estimativas apontam para que se possa chegar aos 70 milhões de habitantes em 2050.

Ora, num país onde, com a estrutura demográfica atual, a taxa de desemprego já é consideravelmente alta – 8,5% com base nas últimas informações disponibilizadas pelo Banco Mundial (os números variam consoante as estimativas incluam ou não pessoas com atividade na economia “informal”), o cenário tende a piorar com cada vez mais jovens a entrarem em idade ativa e no mercado de trabalho nas próximas décadas.

Tendo em atenção os números acima, relativos aos EUA, bem como o facto de que a quarta revolução industrial tem vindo a acelerar transformações e dirupções em vários setores e a reduzir a esperança média de vida das empresas, parece-me claro que a solução para a criação de emprego está no empreendedorismo e não em esperar que as grandes empresas consigam absorver todo este influxo de pessoas no mercado de trabalho.

O empreendedorismo é fundamental para o desenvolvimento sustentado do país, criação de emprego e uma das soluções mais relevantes para apoiar, de forma direta, na concretização de pelo menos três dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS 8: Trabalho decente e crescimento econômico; ODS 9: Indústria, Inovação e Infra-estrutura; ODS 10: Redução das desigualdades).

Por todos estes motivos é cada vez mais relevante que se encontrem soluções e apoios para os empreendedores, parcerias entre setores públicos e privados que criem condições para o desenvolvimento de novos negócios, que potenciem a criação de empregos de qualidade e sustentáveis para os jovens. Dinamizar e desenvolver aceleradores e incubadoras, envolver as universidades em programas de preparação de empreendedores, acelerar a criação de associações ou grupos de investidores anjo bem como de fundos de investimento de capital de risco, simplificar e reduzir o tempo e custo de constituição de empresas bem como acelerar a transformação legislativa para potenciar cada vez mais a introdução de ferramentas digitais que reduzam o capital necessário para o sucesso das pequenas empresas.

É importante que todos colaboremos no sentido de encontrar estas soluções de forma a que se possa ir a tempo de preparar o tecido empresarial, nomeadamente das micro, pequenas e médias empresas para que estas possam ser o motor da sustentabilidade e qualidade de vida futura dos nossos jovens.

*E fundador e CEO da Igniting Potential

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Eduardo Clemente, 40 anos, é um disruptor criativo que vê na tecnologia um potenciador do desenvolvimento. Nasceu em Portugal e formou-se em Organização e Gestão de Empresas, no ISCTE. Cedo se mudou para Angola onde reside há 15 anos, todos... Ler Mais