Maria José Amich deixou em maio o cargo de diretora para Portugal da Summa, consultora especializada em branding, para abraçar o desafio de consolidar a posição do The Lisbon MBA e projetar o seu prestígio, a nível nacional e internacional. Falámos com a responsável sobre o que gostaria de implementar na instituição durante o exercício da sua função.

Maria José Amich iniciou o percurso profissional em Copenhaga, como consultora de gestão para a fabricante de açúcar DDS – De Danske Sukkerfabrikker, hoje Nordic Sugar. Passou pela banca como analista financeira, em Madrid, e prosseguiu no setor de FMCG, onde desempenhou funções na direção de marketing e comercial em empresas como Gillette, Kellogg Company e Puig em Espanha e Portugal.

Posteriormente, trabalhou no setor dos media, na direção geral da Sojornal.com e da Gesco SA, uma spin-off do grupo Impresa, bem como na direção comercial e de desenvolvimento de negócio do semanário SOL. Ao longo da carreira foi ainda diretora de comunicação e conselheira estratégica da empresa familiar Regojo, no setor de fashion retail e mais recentemente diretora para Portugal da consultora especializada em branding Summa.

Integrou ainda a direção do Fórum de Administradores e Gestores de Empresa, no último mandato, fundou a Associação WomenWinWin, comunidade de mulheres empreendedoras para o desenvolvimento do talento humano e da iniciativa empresarial, e esteve na fundação da PWN Lisbon – Professional Women Network.

Desde maio deste ano é diretora executiva do The Lisbon MBA. Em entrevista ao Link To Leaders fala da sua visão de futuro para a instituição que agora lidera.

Assumiu recentemente a direção executiva do The Lisbon MBA, depois de um percurso em que se destacam a experiência internacional e diferentes culturas empresariais. Qual a visão que traçou e onde pretende chegar?
A visão que tracei quando decidi abraçar o desafio de diretora executiva do The Lisbon MBA é continuar a consolidar esta proposta de valor única e distintiva, reforçar o posicionamento de excelência desta instituição e trabalhar com todos os stakeholders, alumni, faculty, comunidade empresarial, parceiros, fomentando relações duradouras e sustentáveis. Continuar a apostar na diversidade geográfica, cultural e também de género, através de um conjunto de iniciativas que permitam atrair mais estudantes estrangeiros e mulheres para os nossos programas – International Full-Time MBA e Executive MBA – e impulsionar ainda mais o prestígio do The Lisbon MBA no panorama académico nacional e internacional.

The Lisbon MBA é a instituição de referência para os Programas MBA em Portugal. Desde 2013, está no ranking dos melhores MBA’s do mundo e, pelo segundo ano consecutivo, foi considerado o melhor MBA do mundo em International Course Experience e o melhor da Europa em Progressão de Carreira pelo Financial Times Global MBA ranking 2019.

De que forma as parcerias com as universidades estrangeiras têm contribuído para reforçar a posição internacional da instituição?
As parcerias com as universidades estrangeiras para iniciativas como o International Lab e o Exchange Program, assim como a composição internacional do corpo docente, que representa 35% do total e o perfil internacional das turmas, incluindo 50% de alunos estrangeiros no International full-time MBA e cerca de 15% no Executive MBA, têm  tido um peso importante.

A esta vertente internacional, deveremos ainda acrescentar outros aspetos de relevo, como a progressão da carreira, a personalização e customização dos programas aos interesses específicos dos alunos,  o acompanhamento personalizado do centro de gestão de carreiras, a singularidade e excelência dos campus, Nova, Católica e MIT Sloan, o lifestlye de Lisboa, uma cidade dinâmica, empreendedora e cosmopolita a par de Boston, internacional e inovadora, onde decorre o MIT Immersion Program. Todos estes benefícios revertem para uma das principais vantagens dos nossos programas: Value for Money, o excelente retorno do investimento no The Lisbon MBA.

“Os nossos programas estão sempre a atualizar-se e a trazer novas disciplinas que acompanham as tendências de mercado. Como é caso de disciplinas ligadas a Artificial Intelligence e Big Data Analytics (…)”

Como poderá o The Lisbon MBA  continuar a atrair os melhores alunos de todo o mundo?
Somos o único MBA em Portugal a constar nos Rankings do Financial Times, o mais prestigiado ranking do setor: “FT Global MBA Ranking”, fazendo parte da elite mundial dos Master of Business Administration (MBA). Esta presença explica-se também, em grande parte, pelo progresso na carreira dos ex-alunos – nomeadamente pela subida salarial média de 73% reportada pelos nossos alunos 3 anos pós-MBA – pela diversidade e qualidade do corpo docente, pela investigação de excelência conduzida em ambas as universidades, mas também pela inclusão de professores com uma vasta experiência empresarial que aproxima a realidade das empresas, às tendências e ao contexto económico global discutidos em sala de aula. Por outro lado, o facto das turmas serem compostas por 40-50 alunos permite uma maior interação com o professor e também entre os alunos, enriquecendo o debate e a aprendizagem individual e coletiva.

Os nossos programas estão sempre a atualizar-se e a trazer novas disciplinas que acompanham as tendências de mercado. Como é caso de disciplinas ligadas a Artificial Intelligence e Big Data Analytics, Innovation Management, Financing Entrepreneurial Ventures ou Branding e Design Thinking.

Outro aspeto diferenciador é a formação holística e integrada do aluno. Além das competências de gestão mais específicas, formamos gestores capazes de liderar, inovar e empreender através da aquisição de um pensamento crítico e estratégico, que lhes permite tornarem-se agentes de mudança.

Um aspecto igualmente diferenciador é o networking, algo que damos muito valor no The Lisbon MBA. Os programas expõem alunos a professores de várias nacionalidades, a colegas de diferentes backgrounds e sectores de atividade, e há uma excelente rede alumni tanto do The Lisbon MBA como do MIT Sloan, que se traduz num recurso de incalculável valor.

“(…) organizamos webinars e a nossa equipa de admissões tem total disponibilidade para reunir com potenciais alunos e esclarecer dúvidas sobre o processo de admissão (…)”.

Que conselhos dá a quem quer ser admitido no The Lisbon MBA?
O candidato deverá ter muito foco e disciplina, compreender como funciona o processo de admissão, que requerimentos prévios são necessários, diplomas, experiência profissional e que provas deverá realizar e que preparação é exigida. Ter um objetivo profissional alinhado e noção das suas próprias expetativas no final do programa MBA também são aspetos importantes.

Regularmente organizamos webinars e a nossa equipa de admissões tem total disponibilidade para reunir com potenciais alunos e esclarecer dúvidas sobre o processo de admissão, incluindo aconselhamento sobre o teste de admissão mais indicado para determinado perfil e dicas para se construir uma candidatura sólida. Realizamos ainda Masterclasses com professores da Católica-Lisbon e da Nova SBE, que muitas vezes contam com o testemunho de alumni e um momento de networking, onde os potenciais alunos têm a possibilidade de trocar ideias com o professor, staff, alunos e alumni.

Aquando a análise de candidaturas, para além do background académico, profissional,  pessoal e aos testes requeridos, avaliamos também as soft skills do candidato que serão determinantes no decorrer das entrevistas, pelo que uma reflexão prévia sobre os pontos fortes e fracos, são outros aspetos a considerar.

Que novidades podemos esperar do The Lisbon MBA nas próximas edições?
A transformação digital no mundo dos negócios tem também implicações na forma como as instituições transmitem o conhecimento e como os ensinamentos se refletem em termos de aprendizagem por parte dos alunos, e a digitalização é uma tendência para a qual estamos a caminhar. Por outro lado, a formação tem de estar mais próxima do contexto real das empresas, que resulta na necessidade de trazer não só casos reais para as aulas, mas também os testemunhos das pessoas que estiveram no leme desses casos.

“O International full-time MBA tem a duração de um ano e oferece aos seus alunos um Programa de Imersão de um mês no MIT Sloan School of Management em Boston”.

De que forma pensam dinamizar o perfil internacional do The Lisbon MBA?
Os nossos programas de MBA têm uma componente internacional sólida. O International full-time MBA tem a duração de um ano e oferece aos seus alunos um programa de imersão de um mês no MIT Sloan School of Management em Boston. Adicionalmente, podem aceder a estágios em empresas internacionais de topo como Amazon, Microsoft, Accenture, Siemens, Novartis, Unilever, Hovione, L´Oréal… e podem ainda trabalhar num projeto de consultoria internacional numa empresa portuguesa ou de um dos países onde temos parcerias universitárias como Fudan University em Shangai, na China, Egade na Cidade do México ou Insper em São Paulo, Brasil.

Os alunos do Executive MBA, para além de terem um programa de imersão de uma semana no MIT Sloan, têm a possibilidade de fazer um período de intercâmbio numa universidade parceira. Para já, temos protocolos ativos com a Universidade de San Diego, nos EUA, com a Coppead no Rio de Janeiro, Brasil, e com a Macquarie Graduate School of Management, na Austrália. Assim, os nossos alunos podem estar expostos a uma formação completamente global em dois e, por vezes, três continentes distintos.

“Os programas têm de se adaptar às necessidades das empresas que, até 2025, irão absorver 75% dos millennials como força de trabalho e as organizações têm de se adaptar, ter um propósito que vai mais além do que fazem, mas como e porque o fazem”.

Os últimos anos trouxeram diferentes exigências quanto às competências e mesmo o surgimento de novos profissionais. Acha que The Lisbon MBA se tem adaptado a esta transformação?
Numa sociedade em profunda transformação digital, social, ambiental tem-se verificado uma crescente afirmação e visibilidade da qualidade da nossa oferta formativa e o nosso grau de internacionalização e reconhecimento generalizado. O resultado da parceria Católica|Nova tem sido altamente positivo para o ecossistema académico e de negócio, e, em particular, para a dinâmica do tecido económico, empresarial e industrial português.

A sustentabilidade tornou-se uma prioridade e temos de transmitir aos líderes do futuro a importância de conseguirem resolver questões que são importantes para o mundo em geral. Os programas têm de se adaptar às necessidades das empresas que, até 2025, irão absorver 75% dos millennials como força de trabalho e as organizações têm de se adaptar, ter um propósito que vai mais além do que fazem, mas como e porque o fazem.

O que gostaria de implementar no The Lisbon MBA durante o exercício da sua função?
Quero reafirmar o posicionamento de excelência da instituição, fomentar ainda mais a diversidade e aumentar o seu prestígio nacional e internacional, trabalhando em equipa com todos os stakeholders. Também pretendo alargar as parcerias com Universidades de renome internacional e cimentar a nossa proximidade às empresas. Para além disso, é fundamental trabalhar com o nosso Alumni nacional e internacional, transformando este ecossistema de conhecimento que é o The Lisbon MBA, numa cultura partilhada de lifelong learning em benefício da nossa comunidade.

“No Executive MBA temos o programa denominado Leadership Stream, o qual foi desenhado para perfis profissionais mais seniores”.

Quais as competências de liderança que um MBA desenvolve e que se traduzem numa vantagem competitiva, quer nacional, querem internacionalmente?
Os nossos programas são lecionados integralmente em inglês, o que faz com que os alunos tenham de se expressar e aprender numa língua que geralmente não é a sua língua materna, obrigando-os a sair da sua zona de conforto. Adicionalmente, pelo facto de o nosso corpo académico de topo, da Católica-Lisbon, Nova SBE e do MIT Sloan School, se desenrolar em três escolas e em dois continentes, expõe os alunos a perspetivas e culturas distintas, fomentando a sua capacidade de análise através de diferentes óticas, considerando realidades distintas e de empatia com vários tipos de interlocutores.

Para além de uma forte componente académica, os nossos programas têm uma componente complementar que possibilita aos nossos alunos trabalhar as suas competências comportamentais que até há bem pouco tempo não se ensinavam em sala de aula, e que fazem parte integrante do curriculum.

No Executive MBA temos o programa denominado Leadership Stream, o qual foi desenhado para perfis profissionais mais seniores. Ao longo de todo o programa, os alunos vão desenvolver estratégias de influência e persuasão, gestão de conflitos, de modo a lidarem de forma estratégica com futuros desafios dentro das suas organizações, e também nas suas carreiras, mantendo-se fiéis aos seus valores. No programa Internacional full-time MBA, os alunos são desafiados a sair das suas zonas de conforto e a desenvolverem, através de diferentes workshops e atividades, competências de comunicação, dar e receber feedback, como lidar com o fracasso, entre outras. Oferecemos também programas de coaching,  mentoring e Career Management que tem como missão apoiar os alunos através de uma abordagem personalizada na sua caminhada de carreira guiando-os num cuidado self-assessment e numa abordagem orientada ao mercado que procuram.

“Melhores pessoas tornam-se melhores líderes” é a filosofia por detrás da solidez dos nossos programas de desenvolvimento comportamental.

Quais são os principais desafios que um executivo se depara hoje em dia na gestão da sua carreira e como melhor ultrapassá-los?
A conciliação entre a elevada exigência de cumprir os objetivos financeiros a curto prazo e a necessária sustentabilidade de longo prazo, a gestão do tempo, a captação e retenção do talento e a criação ou adaptação de novos modelos de negócio e processos derivados da disrupção tecnológica, são entre muitos outros, desafios que um líder tem de enfrentar atualmente.

É necessário os executivos hoje terem abertura à mudança, visão 360°, com a capacidade de pensar e alinhar os interesses dos vários stakeholders. Definir uma missão, um propósito que contribua para a motivação e o engagement das equipas, que impulsione a inovação e promova o desempenho de alto nível, requer novas competências de liderança que deverão ser atualizadas e revisitadas constantemente. Por este motivo, investir em formação, mas também em programas de mentoria ou coaching são muito importantes, o lifelong learning é um conceito que veio para ficar.

O que acha do ecossistema empreendedor português? O que mais lhe fascina e o que mais a intriga?
Ser empreendedor é algo que caracteriza os portugueses. Não começámos a empreender em 2016 com a chegada do Web Summit. Já empreendemos há mais de 600 anos quando nos aventurámos, cruzámos e dominámos meio mundo. Ser Português é ser empreendedor.

No entanto, o século XXI trouxe uma nova definição para o conceito empreendedor em Portugal. Em especial, nos últimos anos tem-se desenvolvido um ecossistema empreendedor muito interessante. Desde programas e prémios de empreendedorismo, centros de inovação, incubadoras, aceleradores de empresa a novos veículos de investimento, clubes de business angels, fundos de capital de risco, venture capital e private equity, entre outros.

Portugal é já reconhecido por ser um dos países com maior adoção de novas tecnologias e com maior capacidade de atração de grandes negócios como a Google, Amazon ou hubs de desenvolvimento como o Mercedes Digital Delivery Hub ou o Hub da Volkswagen, o que vem demonstrar mais uma vez que não é a dimensão do país nem a sua localização na cauda de Europa que constituem impedimentos para estes investimentos. O valor deve-se à competências dos nossos recursos humanos que se traduz num grande ativo do país.

Estou certa de que a trajetória que o empreendedorismo tem vindo a desenhar em Portugal é correta e que os esforços que temos feito irão dar os seus frutos no curto ou médio-prazo. Para que isto se concretize foi muito importante segurar, para os próximos dez anos, a presença do Web Summit em Portugal, mas, também, é importante dar condições para que as start-ups deixem de ser apenas isso. Estas empresas e empresários ambicionam mais e é aqui que Portugal se pode destacar do que tem vindo a ser feito a nível europeu e mundial, ou seja, além de ser um ecossistema vibrante de empreendedorismo, ser uma plataforma de lançamento para ideias que mudem a forma como pensamos o mundo atual. Empresas e negócios que desafiem o status quo, o que só será possível se os próximos governos derem condições para que os próximos grandes negócios se passem a desenvolver e sedear em Portugal. Essa será a chave para dinamizar Lisboa e Portugal como um verdadeiro e único hub empreendedor.

“As mulheres nem sempre percebem o quão estão preparadas para o sucesso em papéis de liderança, mas o seu potencial e as suas capacidades são inegáveis”.

Como fundadora da WomenWinWin, como vê o papel da mulher atualmente no mundo empresarial?
Há ainda desigualdades que não fazem qualquer sentido nos dias de hoje. Apesar das mulheres representarem uma maior fatia da população mundial e terem ultrapassado a percentagem de homens com estudos superiores, com maior número de licenciaturas relativamente aos mesmos, continuam aquém destes quer seja nas posições de topo na gestão de empresas ou na criação de novos negócios. Há obstáculos que condicionam o empreendedorismo feminino, nomeadamente a falta de networking, de modelos de referência e de competências técnicas específicas, mas também comportamentais, que permitam ultrapassar atitudes como a falta de autoconfiança ou aversão ao risco, que causam retração na decisão de se avançar pelo empreendedorismo.

Junta-se a isto o papel central que a mulher ainda mantém na gestão familiar e, consequentemente, a falta de tempo para se investir em projetos empreendedores de alto potencial e à escala global, ou na sua carreira profissional. É uma questão cultural e de educação e vejo que as novas gerações já estão a mudar este paradigma muito rapidamente.

As mulheres nem sempre percebem o quão estão preparadas para o sucesso em papéis de liderança, mas o seu potencial e as suas capacidades são inegáveis. Mas, é na complementaridade das competências e do mindset que resulta da diversidade das equipas e da sua liderança, o que leva, ao meu ver, ao sucesso dos projetos e das empresas.

Como gere as solicitações e as prioridades entre a sua vida profissional e familiar?
Com uma atitude de não tentar ser tudo para todas as pessoas. Priorizar, gerir bem o tempo, concentrar a energia no que é essencial, tanto ao nível da carreira como na família, ser realista e analisar as potencialidades do que se pode conseguir fazer de forma bem sucedida.  Também é importante tentar fazer o que se gosta, pois isso irá energizar-nos e dar-nos mais capacidade para gerirmos e resolvermos as várias solicitações.

Respostas rápidas:
O maior risco:
 Não ir atrás das oportunidades que a vida nos dá e aproveitá-las ao máximo.
O maior erro: Não aprender com os erros.
A maior lição: Ser curioso, questionar o status quo e ter uma predisposição constante a aprender.
A maior conquista: O equilíbrio entre a família/amigos, trabalho e contributo a sociedade.

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