A maior democracia exercitou-se mais uma vez na Índia, para a eleição dos representantes no Lok Shaba, a Assembleia Legislativa. O número de votantes era de 900 milhões e foram às urnas cerca de 67,11% deles.

As votações foram em sete fases, começando a 11 de Abril e terminando a 19 de Maio. Os resultados foram anunciados no dia 23 de Maio. A vitória foi do partido BJP, Partido Popular Indiano, com os seus aliados. Ficou com a maioria absoluta e o novo Governo tomou posse no dia 30 de Maio.

O discurso de vitória de Modi, dirigido aos milhares de trabalhadores do partido foi exemplar:

  • Nem uma vez mencionou que tinha ganho ou que tinha derrotado. Não houve azedume nas suas palavras. Disse “As eleições são ganhas por maioria, mas a nação vai para a frente apenas por consensos”;
  • Intitulou-se um fakir que vivia só para trabalhar e servir o país;
  • Acrescentou que a partir desse dia só haverá duas castas: “uma, dos pobres” – fez uma pausa propositada para que os ouvintes adivinhassem qual seria a outra, para depois acrescentar: “a outra é a dos que querem lutar contra a pobreza”. Propôs, assim, à nação essa grande responsabilidade, em particular para a classe média e rica, como a melhor forma de fortalecer a Unidade Nacional.

O discurso foi notável: humilde, mas confiante, sem humilhar a oposição, e de dedicação ao país.

Nalguma ocasião referiu-se aos receios imaginários das minorias, fazendo finca-pé no tratamento igual de todos os cidadãos. De facto há muitos Programas já anunciados no primeiro mandato, para a criação de trabalho, para o treino profissional, para promover mais start-ups, etc., cujos resultados tardam em aparecer. De modo que agora terá de fazer todo o esforço para responder aos mais importantes problemas do país.

Terá de dar forte impulso aos setores grandes criadores de trabalho, como são as TI e afins, a construção civil, sobretudo para as casas de habitação, de infraestruturas, de painéis solares, para produção de energia, na transformação de produtos de agricultura, na ampliação da rede de frio para a conservação de vegetais e produtos da pesca, etc.

Terá de animar a economia interna, facilitando o acesso aos empréstimos bancários, para a aquisição de bens e produtos no mercado interno.

Os setores de atividade criadores de empregos, como o turismo, devem merecer toda a atenção para atrair mais, muitos mais turistas. Uma boa publicidade institucional ao que se pode encontrar na Índia: boa infraestrutura hoteleira, comunicações físicas como telefónica e via internet, transportes aéreos fiáveis, hospitais, quando necessário, táxis, etc. O número de trabalhadores mobilizadas por turista é elevado e daí que pareça lógico investir nele, para chamar muitos mais. Dando relevância às coisas únicas que se podem apreciar: medicina e produtos ayurvédicos,  aromoterapia, birds watching ao subir os belos canais circundados de densa vegetação, no Kerala. As belezas de Agra e do Taj Mahal; exploração, até certa altitude dos Himalaias, pernoitar nos palácios antigos e muito bem recuperados, etc. Descansar, sem stress, admirando a natureza e as suas belezas; apreciar a alimentação, os frutos locais únicos, como a manga, a jaca, o fruto do dragão, o xicú, a litchia, etc.

E, na Índia, pode aproveitar para fazer um check-up completo e, tratar-se de alguma maleita. O turismo de saúde é hoje uma grande atração, quer pela qualidade do tratamento recebido, quer também pelos reduzidos custos.

A Índia é o típico local onde pode libertar-se do stress da vida ocidental, para parar e estabelecer um diálogo com a natureza, para a admirar, entender e acompanhar o seu ritmo, para fazer yoga e libertar-se das tensões, aprendendo a relaxar-se.

Cada Estado na Índia deveria cuidar da eficácia do policiamento nas zonas mais frequentadas. Nada melhor para afastar os turistas do que deixar atuar os “dealers” e ladrões e gente de intenções criminosas. Uma ação proativa sobre estas pessoas indesejadas cria um clima limpo e convidativo para quem quer viver descansado.

É bom que o turista saiba que coisas deve comprar na Índia, por serem únicas e pela sua beleza. Hoje aparecem muitas lojas com bons produtos étnicos, de artesanato, de fabrico local, com muita qualidade. As lojas Fabindia (nome a reter), mais de 200, muitas delas nos aeroportos, disponibilizam roupa variada e de qualidade, têxtil-lar, produtos de beleza, higiene, cremes e perfumes, bem como joalharia e artigos de decoração interior das casas. A Fabindia vende produtos dos mais de 60 mil artesãos de todo o país. Encontra na Índia muita joalharia, variada e rica!

Na urgente criação de postos de trabalho, uma aposta pode ser nos produtos já em exportação, para os aumentar. Penso nos produtos farmacêuticos, aprovados pela FDA – Food and Drug Administration, produzidos com qualidade e a muito bons preços. Em todo o mundo há quantidades ingentes de pessoas que necessitam deles.

Aposta também na montagem de produtos tecnológicos, como os smartphones, computadores, tablets, etc. para se fazer mais na Índia, para uso interno e exportação. O mesmo nos electrodomésticos, em automóveis e motas, bicicletas, em material de desporto, etc.

Incentivar o estabelecimento de mais Centros de R&D, de multinacionais, dos variados setores de atividade, dada a disponibilidade de bons técnicos e especialistas na Índia. A progressiva adopção de AI – Artificial Inteligence, vai aumentar a capacidade e o ritmo de inovação e a produtividade dos trabalhadores. Isso terá impacto na criação de novas start-ups, a breve prazo.

Em geral haveria que incentivar investimentos em toda a variedade de produtos e serviços úteis. Fazendo um apelo aos indianos da diáspora para que colaborem e tenham em atenção o que podem fazer pela sua terra, que lhes facilitou a instrução nos melhores colleges e o singrar na vida, até ocuparem posições bem remuneradas de hoje, no país onde vivem.

Todas as empresas de e-commerce merecem ser muito acarinhadas e estimuladas a continuarem a sua ação, para poderem vender muito no país e em especial, como a Amazon, que pensem em vender produtos indianos, de novas entidades que começam a sua produção, no estrangeiro.

*Professor da AESE-Business School
*Ex-presidente da AAPI – Associação de Amizade Portugal-Índia. Autor do livro “O Despertar da Índia”

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Sobre o autor

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Eugénio Viassa Monteiro, cofundador e professor da AESE, é Visiting Professor da IESE-Universidad de Navarra, Espanha, do Instituto Internacional San Telmo, Seville, Espanha, e do Instituto Internacional Bravo Murillo, Ilhas Canárias, Espanha. É autor do livro “O Despertar da India”,... Ler Mais