Escrevo-vos hoje sobre emoções. Emoções na vida. Emoções na carreira, no trabalho em equipa, com os colegas e amigos, em todos os contextos de vida.

No trabalho de futuro, sejam quais foram as responsabilidades ou funções, local onde se encontrar, físico ou remoto, há competências e qualidades que sobressairão a quem as possuir e trabalhar afincadamente.

As carreiras de futuro e porque ele estará cada vez mais associado ao digital e à inteligência artificial, há uma inteligência que é insubstituível a meu ver – a emocional. Não é novo o tema, mas ganha cada vez mais relevância num mundo dominado pelo VUCA – volatilidade (volatility), incerteza (uncertainity), complexidade (complexity) e ambiguidade (ambiguity).

As carreiras de futuro assentarão na capacidade de compreender as emoções e geri-las a todo o momento. A inteligência emocional é a inteligência dos próximos 100 anos.

O que é a inteligência emocional? De forma simples – é ser inteligente com as nossas emoções. É a capacidade de as reconhecer, entender, aceitar e gerir, em função de cada contexto de vida.

A inteligência emocional é a chave para pensarmos de forma clara, empática, assertiva e criativa. É a capacidade de gerir stress e desafios de forma confiante em relação a nós e aos outros. Compreender as nossas emoções é a “cola” que nos conecta com outras pessoas.

Para quem quer conhecer mais sobre este tema e desenvolvê-lo, há dois elementos importantes: compreender as emoções e gerir as emoções.

Compreender as emoções envolve conhecer três dos seus aspetos: (1) emoções físicas, (2) pensamentos e (3) comportamentos. Qualquer um deles pode e vai desencadear e influenciar o outro. Por exemplo, a emoção “ansiedade”. Imagine que tem uma importante reunião, exame ou até uma entrevista de trabalho. A emoção “ansiedade” começa com o pensamento “não vou conseguir ou vai correr mal, temo a situação”. Este pensamento vai desencadear a emoção física (“boca seca”, “dor de barriga”, etc…quem nunca experienciou?) que desencadeia o comportamento associado, normalmente, incapacidade de relaxar ou estar quieto.

Ao compreender a natureza e o propósito das emoções (nossas e dos outros) estaremos mais bem preparados para gerir as nossas emoções, lidar com elas e com os outros.

Depois de as compreender, passemos à gestão das emoções. Gerir emoções inclui 5 elementos importantes a ter em conta: (1) entender bem, quando responder de imediato e quando parar e pensar; (2) quando controlar as emoções ou “desligar-se” de uma; (3) entender bem quando uma emoção é expressa de forma apropriada ou não; (4) capacidade de gerir as emoções dos outros (sobre nós); e (5) como gerir as emoções que nos permitem desenvolver empatia e “rapport” com os outros.

Pessoas com elevados níveis de inteligência emocional sabem que gerir emoções não se trata de suprimir, anular ou negar emoções. Trata-se de sermos adaptativos com os nossos pensamentos, respostas e comportamentos. Trata-se de estarmos abertos aos sentimentos e emoções que nos chegam, sejam eles agradáveis ou não.

Gerir emoções de forma inteligente, desenvolve uma maior capacidade de comunicação, assente em compaixão, empatia e assertividade e como sabemos, é a base de qualquer relação sustentável e saudável, seja ela, pessoal ou profissional. Por detrás de uma emoção ou sentimento está sempre uma necessidade por satisfazer e com ela podemos fazer um pedido, que levará à eliminação de barreiras à comunicação e menos conflitos. Este é um processo desenvolvido por Marshall Rosenberg, autor da chamada metodologia “comunicação não-violenta”.

Este processo toca claramente no fato de como compreender e gerir as emoções, são importantes qualidades e competências para uma carreira com futuro, onde a inteligência emocional é única e insubstituível.

Para o futuro do trabalho e de uma carreira de sucesso, a ciência das emoções fará a grande diferença neste percurso e numa vida pessoal e profissional com propósito.

Encerro este artigo com uma frase do pai da inteligência emocional, Daniel Goleman, que resume numa frase – “ If your emotional abilities aren´t in hand, if you don´t have self-awareness, if you are not able to manage your distressing emotions, if you can´t have empathy and have effective relationship, then no matter how smart you are, you are not going to get very far”.

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Sobre o autor

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Sónia Jerónimo é Entrepreneur & Board Advisor. Passou pela Winning, como COO e Board Advisory, e tem mais de 20 de experiência na área da gestão e liderança de empresas ligadas às tecnologias de informação. Após a licenciatura em Economia,... Ler Mais