Existe uma diferença profunda entre liderar a partir de uma estrutura e liderar quando já não existe proteção externa suficiente para sustentar a identidade. A primeira é difícil. A segunda transforma.
Existe uma solidão específica que surge quando uma pessoa começa a mudar internamente antes de o mundo à sua volta perceber. Não é ausência de companhia. Não é isolamento físico.
Este não é o momento certo. Provavelmente nunca será. Há uma frase silenciosa que acompanha muitas pessoas durante anos: “Ainda não é o momento.”
Vivemos num tempo em que tudo parece precisar de explicação imediata. Porque mudaste. Porque saíste. Porque recomeçaste. Porque deixaste uma carreira sólida, uma relação, uma cidade, uma identidade profissional ou uma versão antiga de ti mesma.
Este artigo não é para te convencer a mudar de vida. Não é para te dizer que deves deixar o teu trabalho, terminar uma relação, abrir uma empresa, mudar de cidade ou reinventar-te aos 50. Há conteúdo suficiente a romantizar mudanças radicais.
Durante a maior parte da minha carreira como empreendedora, nunca esperei sentir-me pronta. Se tivesse esperado, não teria criado empresas. Não teria entrado em territórios novos. Não teria tomado decisões relevantes com informação incompleta.
Janeiro é o mês das decisões reavaliadas em silêncio. O entusiasmo do “novo começo” começa a dissipar-se e sobra aquilo que realmente importa: a capacidade de sustentar o que foi decidido quando a excitação passa e a realidade se impõe.
Durante décadas, a liderança corporativa foi muitas vezes romantizada como a figura no topo, aquele ou aquela que detém as respostas, toma as decisões e controla as rédeas de uma organização.
Uma das armadilhas mais perigosas para quem lidera é também uma das mais invisíveis: o ego. Não falo daquele ego saudável que nos dá confiança e energia para liderar, mas sim do ego cheio, alimentado pelo poder, pelos aplausos e, muitas vezes, pela solidão no topo.
Ninguém me contou isto no início da minha jornada profissional: liderar consome. Se não aprendermos a gerir a nossa energia, o corpo e a mente acabarão por cobrar o preço. E um preço bem caro!
Vivemos numa era empresarial onde a expressão "data-driven" é quase um mantra. Decisões estratégicas baseadas em dados, análises preditivas e inteligência artificial são o pilar da liderança moderna.
“Hoje, acredito que a criatividade não é um luxo. É uma necessidade urgente. Não estamos a falar de pintar quadros numa tarde de team building. Estamos a falar de trazer sensibilidade para o centro das decisões. De permitir que as organizações respirem. De recuperar o prazer de liderar com alma!”
