Lisboa afirma-se como destino para estudantes internacionais, destaca o Financial Times

Foto: MAAT, Lisboa

A capital portuguesa surge no radar dos estudantes estrangeiros, numa altura em que fatores como custo de vida, qualidade de vida e experiência proporcionada pela cidade começam a pesar tanto quanto a reputação das universidades, destaca o Financial Times.

Lisboa está a ganhar espaço entre os destinos escolhidos por estudantes internacionais. A tendência é destacada pelo Financial Times, que aponta a capital portuguesa como uma das cidades que estão a beneficiar de uma mudança na forma como os jovens escolhem onde estudar no estrangeiro.

Num artigo publicado, o jornal britânico centra a análise em Seul, que descreve como um novo polo de atração para estudantes de todo o mundo, mas refere também Lisboa e Praga entre os destinos que têm registado uma procura crescente.

No caso de Lisboa, o Financial Times destaca fatores como a qualidade de vida, custos ainda competitivos face a algumas das grandes capitais europeias, um ambiente em que o inglês é amplamente utilizado e a forte presença de programas de mobilidade como o Erasmus+.

A mudança insere-se numa transformação mais ampla das prioridades dos estudantes internacionais. Se durante muito tempo a escolha de um destino era determinada sobretudo pela reputação da universidade e pelas perspetivas profissionais, o custo de vida, os transportes, a segurança, a oferta cultural e a experiência quotidiana proporcionada pela cidade ganharam importância na decisão.

Seul é apresentada pelo jornal como um dos exemplos mais expressivos desta tendência. O número de estudantes internacionais matriculados nas universidades sul-coreanas aumentou 69% em três anos, para cerca de 307.500, crescimento associado também à projeção internacional da cultura sul-coreana e à atratividade da cidade.

O custo da habitação é igualmente apontado como um dos fatores de diferenciação. Segundo os valores citados pelo Financial Times, arrendar um pequeno apartamento em Seul pode custar cerca de 900 mil won por mês, aproximadamente 670 dólares, enquanto soluções de alojamento mais simples rondam os 600 mil won. Os valores são inferiores aos referidos para cidades como Paris ou Londres.

Mas o fenómeno vai além de Seul. Lisboa integra esta nova geografia da mobilidade académica internacional, em que cidades anteriormente menos associadas aos grandes fluxos de estudantes estrangeiros passam a competir com destinos tradicionais como Londres, Paris ou Nova Iorque.

As redes sociais estão também a influenciar estas escolhas. A possibilidade de conhecer antecipadamente a vida quotidiana, os bairros, a cultura e as experiências de outros estudantes torna a cidade, e não apenas a universidade, parte central da decisão.

A tendência identificada pelo Financial Times mostra assim que a competição para captar estudantes internacionais deixou de ser exclusivamente entre instituições de ensino superior. É cada vez mais uma competição entre cidades e entre as experiências que estas conseguem proporcionar.

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