Portugueses querem envelhecer em casa, mas só 14% tem habitação preparada
O novo estudo desenvolvido pela ConsumerChoice sobre o envelhecimento da população em Portugal constata que 86% dos inquiridos quer envelhecer em casa, mas só 14% considera ter a habitação preparada.
96% dos entrevistados no estudo realizado pela pela Consumer Choice junto de 758 portugueses, (64% do sexo masculino e 36% do feminino) identifica a solidão como um dos principais problemas associados ao envelhecimento, o que revela a dimensão social desta faixa etária. Entre as várias conclusões do estudo, destaque também para o facto de 86% dos inquiridos afirmar que gostava de permanecer na sua própria casa numa idade mais avançada, com ou sem apoio domiciliário. Todavia, só 14% considera que a sua atual habitação está totalmente preparada de forma a permitir envelhecer com autonomia. Aliás, a adaptação das casas surge como um dos desafios dos mais idosos e, entre as condições mais valorizadas para permanecer em casa estão a ausência de escadas e outras barreiras (63%), uma casa de banho adaptada (58%) e a proximidade de serviços de saúde (54%).
De forma a combater isolamento, um dos muitos desafios associados ao envelhecimento, 70% defende um maior acompanhamento familiar como uma das principais soluções, seguindo-se os centros de convívio (61%), as atividades comunitárias e o apoio domiciliário, ambos com 53%.
A importância da autonomia é também visível quando pensam no próprio envelhecimento, 58% considera a capacidade de tomar decisões e viver de forma independente um dos fatores mais relevantes para garantir qualidade de vida, somente atrás da saúde (90%) e da segurança financeira (61%).
A preocupação com o envelhecimento da população é transversal. 85% dos entrevistados com mais de 45 anos antecipa um impacto particularmente significativo no sistema de saúde, enquanto 82% aponta as pensões e reformas.
Num cenário de envelhecimento da população, a tecnologia poderá assumir um papel cada vez mais importante. 94% dos inquiridos acredita que a tecnologia pode contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas mais velhas.
A comunicação com familiares (68%) é identificada como a principal utilidade da tecnologia para as camadas mais idosas, seguida da monitorização da saúde (66%), dos alertas de emergência (64%) e das teleconsultas (59%).
Apesar do potencial reconhecido, persistem obstáculos à adoção destas soluções pela população mais velha. A falta de conhecimentos digitais (49%) e o medo da fraude (19%) são as principais barreiras identificadas pelos consumidores. Por isso, existe uma forte expetativa de que a própria oferta tecnológica se adapte a esta realidade: 96% considera essencial desenvolver produtos e serviços digitais especificamente adaptados às necessidades das pessoas mais velhas.
“Os consumidores não querem simplesmente viver mais anos, querem continuar a decidir, participar e viver de forma independente. A habitação, a saúde, as relações sociais e a tecnologia podem ter um papel determinante nesse objetivo. Os resultados mostram, contudo, que existe ainda um caminho pertinente a fazer para adaptar as condições de vida e as soluções disponíveis a uma população que vai viver mais tempo”, conclui Nassrin Majid, diretora-geral da ConsumerChoice







