No Radar: as prioridades do Country Manager do ManpowerGroup Portugal até ao final do ano
Com os olhos postos no crescimento do ManpowerGroup Portugal, Rui Teixeira destaca a proximidade aos clientes, a produtividade e a especialização das equipas como prioridades para a reta final de 2026. Na rubrica No Radar, o Country Manager reflete sobre os desafios da liderança num mercado em transformação, o impacto da inteligência artificial e a importância das decisões estratégicas para preparar o futuro.
Qual é a prioridade que vai concentrar mais a sua atenção nesta reta final de 2026?
A prioridade é acompanhar de perto a evolução do mercado e a forma como as empresas estão a ajustar as suas decisões de investimento e expansão. Num contexto em que a economia continua a demonstrar resiliência, mas em que persistem pressões sobre os custos e dificuldades no acesso a competências críticas, a competitividade dependerá cada vez mais da capacidade de transformar investimento em ganhos efetivos de produtividade e de mobilizar o talento necessário para concretizar as estratégias de negócio.
É neste enquadramento que pretendo reforçar a nossa proximidade aos clientes e a nossa presença ativa no mercado, antecipando a evolução das suas necessidades e identificando novas oportunidades de crescimento. O objetivo é afirmar o ManpowerGroup como um parceiro estratégico, capaz de ajudar as empresas a interpretar as mudanças do mercado, tomar decisões mais informadas sobre talento e assegurar as competências de que necessitam para responder aos desafios do próximo ciclo económico.
Em paralelo, continuamos a focar os nossos esforços nas áreas estratégicas que nos permitirão impulsionar o crescimento futuro, reforçando a especialização das nossas equipas e a capacidade de oferecer uma resposta cada vez mais ajustada às necessidades dos nossos clientes e candidatos.
“(…) mesmo em contextos de elevada incerteza, existem oportunidades de crescimento para as empresas que conseguem antecipar a evolução do mercado, identificar onde se concentra a procura e responder com rapidez e eficácia”.
Que aprendizagem de 2026 está hoje a influenciar mais a forma como lidera?
Os últimos anos, marcados por uma forte instabilidade geopolítica e económica, têm reforçado duas convicções que considero fundamentais na forma como analisamos os mercados, identificamos oportunidades e definimos estratégias de crescimento.
A primeira é a notável capacidade de resiliência que as economias e as empresas têm demonstrado perante um contexto global particularmente exigente. Nas suas projeções de julho, o Fundo Monetário Internacional destacava que a economia mundial tinha conseguido absorver o impacto do conflito no Médio Oriente melhor do que o inicialmente esperado, beneficiando de uma maior diversificação das fontes de energia, do crescimento das energias renováveis e de uma menor intensidade energética. É certo que esta análise refletia o contexto de julho e pressupunha a possibilidade de reabertura do estreito de Ormuz, pelo que as próximas projeções poderão apresentar uma perspetiva mais cautelosa. Ainda assim, o cenário então traçado pelo FMI é ilustrativo da capacidade de adaptação e resiliência das economias perante choques externos significativos.
Acresce ainda que esta capacidade de resiliência varia significativamente entre geografias e setores, em função da exposição aos custos energéticos, às barreiras comerciais e da capacidade de tirar partido de novas tecnologias, como a Inteligência Artificial. E é precisamente esta heterogeneidade que me leva à segunda convicção: mesmo em contextos de elevada incerteza, existem oportunidades de crescimento para as empresas que conseguem antecipar a evolução do mercado, identificar onde se concentra a procura e responder com rapidez e eficácia.
Num mercado em transformação, a capacidade de identificar estas bolsas de crescimento, compreender as necessidades específicas dos clientes e mobilizar os recursos certos para lhes dar resposta constitui uma vantagem competitiva fundamental. É também dessa capacidade de adaptação e execução que se constrói um crescimento sustentado.
É com esta visão que encaro a minha liderança no ManpowerGroup Portugal. A nossa prioridade é continuar a reforçar o posicionamento e o crescimento do Grupo e das suas marcas no mercado nacional, aprofundando a proximidade aos nossos clientes, a inteligência de mercado e a agilidade das nossas equipas. Queremos estar cada vez mais próximos das necessidades e prioridades das empresas, antecipar oportunidades e assegurar uma resposta diferenciadora, capaz de gerar valor para os nossos clientes e sustentar o nosso crescimento.
Qual é a decisão mais importante que ainda terá de tomar até dezembro?
A decisão mais importante será definir onde queremos concentrar os nossos investimentos, capacidades e recursos para acelerar o crescimento nos próximos três anos.
Num mercado em transformação, não basta identificar oportunidades. É necessário fazer escolhas sobre os segmentos em que queremos reforçar a nossa presença, as competências que precisamos de desenvolver e as soluções em que podemos criar maior valor para os clientes e candidatos.
É esse o exercício que estamos a concluir com a equipa de direção do ManpowerGroup Portugal: construir um plano de crescimento ambicioso, mas sustentado em prioridades claras, capacidade de execução e diferenciação no mercado.
Queremos reforçar a especialização das nossas marcas, tirar maior partido da tecnologia e desenvolver as nossas equipas, garantindo que o crescimento do negócio se traduz também em novas oportunidades para as pessoas.
Acredito que uma das maiores responsabilidades de quem lidera é precisamente esta: tomar hoje decisões que criem condições para continuar a crescer amanhã, mesmo quando o contexto ainda não oferece todas as respostas.
“O que tenho acompanhado mais de perto é a crescente exigência de demonstrar resultados concretos com a Inteligência Artificial”.
Que tema ou tendência está hoje no seu radar e não estava há seis meses?
O que tenho acompanhado mais de perto é a crescente exigência de demonstrar resultados concretos com a Inteligência Artificial. A discussão está a evoluir da adoção das ferramentas para a forma como estas transformam os processos, as funções e a organização do trabalho.
Esta evolução é particularmente relevante para Portugal, onde os ganhos de produtividade são fundamentais para reforçar a competitividade da economia. O desafio está em integrar a tecnologia de forma eficaz, preparando as pessoas para novas funções e garantindo que as ferramentas respondem a necessidades concretas do negócio. O impacto da IA dependerá, em grande medida, da capacidade de articular investimento tecnológico, competências e organização do trabalho.
Qual considera ser, neste momento, um dos maiores desafios para quem lidera?
Acompanhar o ritmo acelerado da transformação é, hoje, um dos maiores desafios da liderança empresarial. Dados recentes do estudo CIO Outlook, da Experis, revelam que esta é a principal barreira identificada pelos líderes tecnológicos à concretização dos seus planos e objetivos. E não me surpreenderia encontrar uma conclusão semelhante se colocássemos a mesma questão aos CEO.
Num contexto em que a instabilidade geopolítica, a Inteligência Artificial, as mudanças nas políticas comerciais, a reconfiguração das cadeias de abastecimento e a evolução demográfica estão a transformar profundamente a economia e os mercados, assegurar o crescimento e a rentabilidade exige uma capacidade cada vez maior de antecipação, adaptação e execução.
Para os líderes empresariais, isto implica acelerar a transformação tecnológica das suas organizações, identificar onde e como essa transformação pode gerar ganhos efetivos de produtividade e desenvolver as competências necessárias para que as equipas acompanhem a mudança. Exige também uma visão estratégica que permita alinhar estas diferentes prioridades, tomando decisões de investimento e de desenvolvimento do negócio que reforcem a competitividade das organizações a longo prazo.
O grande desafio da liderança está na capacidade de acompanhar a velocidade da mudança, mantendo o foco nos resultados do presente e preparando, simultaneamente, as condições para o crescimento futuro.
Complete a frase: Até ao final do ano, quero…
…deixar o ManpowerGroup Portugal ainda mais preparado para acelerar o próximo ciclo de crescimento, com prioridades claras, equipas mobilizadas e uma proposta de valor cada vez mais diferenciadora.
Quero que continuemos a ser reconhecidos não apenas pela nossa capacidade de responder às necessidades de talento, mas sobretudo pela capacidade de antecipar desafios, criar oportunidades e contribuir para o crescimento dos nossos clientes e para o futuro profissional das pessoas.
“Estamos a construir as capacidades de que precisaremos amanhã ou apenas a otimizar as que temos hoje?”.
E poucas palavras:
Uma oportunidade a acompanhar: Transformar o potencial da Inteligência Artificial em ganhos concretos de produtividade e qualidade.
Um risco a não perder de vista: Sacrificar a capacidade de crescimento futuro para responder à pressão dos resultados imediatos.
Uma ideia que merece mais atenção: A forma como o trabalho é organizado pode ser tão determinante para a produtividade como a tecnologia utilizada.
Uma palavra para definir esta reta final do ano: Foco na execução.
A pergunta que me ocupa: Estamos a construir as capacidades de que precisaremos amanhã ou apenas a otimizar as que temos hoje?









