Work Blues: quando as férias nem sempre chegam para recuperar do desgaste profissional
Cansaço, desmotivação ou ansiedade no regresso ao trabalho podem ser sinais de um problema mais profundo. A Hays alerta para a importância do equilíbrio e do bem-estar na retenção de talento, numa altura em que 44% dos profissionais qualificados fizeram uma mudança relevante na carreira no último ano.
Para a Hays, o desconforto associado ao regresso ao trabalho não está necessariamente nas férias terminarem, mas no contraste entre um período de descanso e um contexto profissional marcado por exigência, pressão e falta de equilíbrio. Segundo o Guia Hays 2026, 44% dos profissionais qualificados mudaram de emprego ou fizeram uma alteração relevante na carreira no último ano.
Entre os principais motivos estão a procura de progressão (36%), melhores condições salariais (29%) e a insatisfação com o contexto anterior (22%).
O regresso ao trabalho depois de um período de férias pode trazer alguma dificuldade de adaptação. No entanto, quando o cansaço, a desmotivação ou a ansiedade persistem, podem ser sinais de um problema mais profundo: um contexto profissional que não permite uma recuperação adequada ou um equilíbrio sustentável entre a vida pessoal e profissional.
É neste contexto que surge o conceito de “Work Blues“, associado à sensação de exaustão, desmotivação ou ansiedade, que pode acompanhar o regresso à rotina profissional. Para a Hays, o fenómeno deve ser encarado não apenas como uma reação ao fim das férias, mas como uma oportunidade para as organizações avaliarem as condições em que as suas equipas trabalham ao longo de todo o ano.
“O bem-estar não se constrói apenas durante os períodos de descanso, mas sobretudo no dia a dia. A forma como o trabalho é organizado, a relação com a liderança, a carga de trabalho, a autonomia e a possibilidade de conciliar a vida profissional e pessoal têm um impacto direto na experiência dos colaboradores. Quando estes fatores não estão equilibrados, alguns dias de férias podem não ser suficientes para compensar o desgaste acumulado”, afirma Carlos Maia, Regional Director da Hays Portugal.
Bem-estar e equilíbrio são fatores de retenção
Os dados do Guia Hays 2026 mostram que 44% dos profissionais qualificados fizeram uma mudança relevante na sua carreira no ano anterior. Entre os principais motivos estão a procura de progressão na carreira (36%), melhores condições salariais (29%), a insatisfação com o contexto profissional anterior (22%) e a procura de projetos mais desafiantes (18%).
Por outro lado, entre os profissionais que permaneceram nas suas organizações, 33% aponta o bom equilíbrio entre vida pessoal e profissional como um dos fatores que contribuem para essa decisão, a par de uma boa relação com colegas e chefias (33%) e do gosto pela função (32%).
Estes dados reforçam a importância de uma abordagem preventiva ao bem-estar, que vá além das medidas pontuais e seja integrada na própria organização do trabalho, explica a Hays em comunicado.
“As empresas que pretendem reter talento devem olhar para o bem-estar como parte da experiência profissional e não apenas como um benefício adicional. Criar condições para um equilíbrio sustentável, promover relações de confiança entre líderes e equipas e garantir expectativas realistas são fatores que podem contribuir para manter o interesse e reduzir o desgaste ao longo do tempo”, acrescenta Carlos Maia.
Num contexto em que apenas 26% dos profissionais se mostra bastante ou muito otimista em relação ao contexto económico global e às oportunidades de emprego nos próximos anos, criar ambientes de trabalho que promovam estabilidade, confiança e equilíbrio assume uma importância crescente na relação entre empresas e profissionais. Apesar de uma maioria dos profissionais afirmar estar satisfeita com o emprego atual (63%), este valor é o mais baixo registado nos últimos anos (65% em 2024 e 69% em 2023), refletindo uma tendência de maior exigência e seletividade.








