Cate Blanchett lançou ferramenta que impede a IA de usar a sua imagem
A atriz australiana é cofundadora do Human Consent Registry, uma ferramenta pública e gratuita que permite controlar a forma como a inteligência artificial utiliza a sua imagem, voz e nome.
A utilização que a inteligência artificial (IA) tem vindo a fazer da imagem de figuras públicas, nomeadamente atores e atrizes de Hollywood, tem levado alguns nomes do cinema a insurgirem-se e a criarem mecanismos de proteção da sua identidade.
Foi o que fez a conceituada atriz australiana Cate Blanchett através da RSL Media, uma organização sem fins lucrativos fundada por si. Em junho deste ano, lançou uma ferramenta (gratuita) chamada Human Consent Registry que permite que as pessoas tenham algum controle sobre a forma como a sua identidade – nomes, imagens, semelhanças, vozes e movimentos – pode ser usada para treinar sistemas de inteligência artificial.
Cate Blanchett defende que a sua identidade é sua propriedade intelectual na era da IA, e que cada pessoa deveria ter o direito de decidir como a tecnologia pode ou não usá-la. Por isso, a sua organização entende que dar a cada indivíduo um canal para autorizar ou vetar essa utilização ajuda a preservar a confiança num cenário tecnológico em rápida transformação.
Lançada no Parlamento Europeu, a ferramenta funciona com três níveis de permissão. Ao criar uma conta, o utilizador preenche um formulário com dados como nome, profissão e links que ajudam a identificá-lo, como site pessoal ou perfis em redes sociais. Em seguida, escolhe um nível de consentimento para um eventual uso pela IA, organizado no modelo de um semáforo: proibido (vermelho), permitido com condições (amarelo) ou permitido (verde).
Depois desta etapa, a pessoa que procedeu ao registo recebe um identificador, o Human Consent ID. A finalidade é que os sistemas de IA possam consultar esse código antes de incluir qualquer parte da identidade do indivíduo nas suas bases de treino.
De acordo com a informação disponibilizada pela RSL Media, esta primeira versão contempla o nome, imagem, semelhança, voz, movimento e outros atributos pessoais característicos da pessoa em causa.
O projeto permite que qualquer pessoa nos Estados Unidos ou na União Europeia crie um registo oficial do que aceita, ou não, transformando a permissão individual num documento verificável. A ideia é equiparar a identidade pessoal a um ativo, e estender a lógica de licenciamento, aplicada noutros domínios, para a própria imagem das pessoas.
Por enquanto, o Human Consent Registry ainda não tem forma de obrigar as empresas a cumprirem estas regras, ou seja a consultarem o registo ou a respeitar as escolhas dos utilizadores. Na prática, o registo funciona como uma declaração de vontade, sem força para impedir a recolha de dados por quem decidir ignorá-lo.
Entretanto, a RSL Media já está a planear alargar a ferramenta a outros setores. Pretende lançar instrumentos semelhantes para obras, personagens e marcas, ampliando o alcance do modelo de consentimento para além da figura humana.






