Caju ajuda crianças com autismo a comunicar, aprender e crescer

A nova plataforma foi fundada por um jovem engenheiro de Évora para apoiar crianças autistas, as famílias e os profissionais que as acompanham.

Ajudar as crianças com autismo a comunicar, a aprender e a crescer foi o ponto de partida Caju, uma plataforma digital que começou a dar os primeiros passos em julho de 2025. Consiste numa ferramenta digital de apoio de uso geral, que se destina a ser usada por famílias, educadores e profissionais de apoio como parte da vida quotidiana. A figura central da plataforma é o Caju, um companheiro gamificado para crianças com autismo: comunicação por imagens para expressar necessidades, rotinas visuais para o dia a dia, prática de escrita de letras e números, histórias ilustradas e calmas para momentos novos, e uma comunidade para quem cuida.

Mas o que é que esta nova plataforma faz em concreto? Bruno Gomes, fundador, explica que a Caju dá às crianças que comunicam pouco por palavras um quadro de comunicação por imagens, para pedirem e dizerem o que precisam. Além disso, ajuda-as a preparar situações novas que costumam gerar ansiedade (como ir ao dentista, ao cabeleireiro ou o primeiro dia de escola), com pequenas histórias ilustradas. Também organiza o dia em passos visuais simples e dá um espaço para praticar a escrita. Aos profissionais, poupa horas de trabalho porque em vez de recortarem e plastificarem materiais à mão, têm bibliotecas prontas que personalizam em minutos e partilham com as famílias.

Financiada pelo StartUp Voucher do IAPMEI, a Caju está disponível de forma gratuita até 2027, “precisamente para chegar às famílias e aos profissionais sem lhes pesar no bolso”, sublinha o fundador do projeto.

Este projeto português nasceu da iniciativa do jovem de Évora (anteriormente engenheiro fundador da SimpleStudy, uma startup irlandesa de edtech), com a missão ligar as pessoas na vida de uma criança para que o trabalho não pare quando a sessão acaba, em suma, para apoiar não só as crianças autistas, mas também as famílias e os profissionais que as acompanham.

Bruno Gomes explica que a ideia original para o projeto era mais ampla, uma ferramenta para vários grupos neurodivergentes, entre os quais autismo, AVC, Alzheimer, demência. Todavia os pitches e as conversas no XBoost, o programa de aceleração do PACT (Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia), onde tudo começou, levaram-no a escolher um só caminho, porque “para fazer bem, tínhamos de escolher um”, explica na plataforma.

O foco acabou por surgir de uma situação pessoal, concretamente do sobrinho que tem autismo nível 1. E foi ao passar tempo com ele que percebeu quanto potencial estava por explorar. “Podia comunicar mais, aprender mais, fazer mais”, refere o criador da plataforma.

Depois de falar com terapeutas, psicólogos, educadores e famílias começou a delinear o projeto. “Criei a Caju por uma ligação pessoal e familiar ao autismo, e porque as ferramentas de apoio de que as famílias e os terapeutas em Portugal precisavam ainda não existiam”. Por isso, constrõe a Caju de forma prática, todos os dias, ao lado de quem a usa, com um  grupo de advisors que trabalham com crianças com autismo e sabem o que realmente ajuda, explica.

Comentários

Artigos Relacionados