Stress financeiro pesa mais nos homens e leva-os a cortar no autocuidado, diz estudo
Estudo da Revolut revela que 70% dos homens portugueses já sacrificaram ou adiaram rotinas de bem-estar devido a custos, face a 57% das mulheres.
O conceito moderno de bem-estar tornou-se um mosaico complexo onde a saúde física, mental e financeira se cruzam diariamente. No entanto, a forma como homens e mulheres gerem e priorizam estas dimensões em Portugal revela um contraste profundo e inesperado.
Segundo um estudo sobre bem-estar financeiro conduzido pela Dynata para a Revolut junto de mais de 1.000 portugueses, os homens estão sob maior pressão financeira e são os primeiros a abdicar do autocuidado por questões de orçamento, enquanto as mulheres adotam estratégias mais defensivas, protegendo o sono e a alimentação como pilares não negociáveis.
Embora a perceção pública tenda a associar o desinvestimento em rotinas de wellness a restrições gerais, os dados mostram que são os homens quem mais trava os planos de cuidado pessoal quando a carteira aperta. 70% dos homens portugueses admitem que já interromperam atividades de bem-estar em curso ou evitaram iniciar novas práticas (como ginásio, terapia ou aplicações de mindfulness) devido ao custo financeiro.
Em contrapartida, as mulheres demonstram maior resiliência na manutenção destas rotinas: 43% das portuguesas afirmam categoricamente que nunca abdicaram nem adiaram qualquer atividade de bem-estar por motivos financeiros, comparativamente a apenas 30% dos homens.
Este comportamento reflete-se na saúde mental do universo masculino. Ao contrário da narrativa tradicional, são os homens portugueses quem mais reporta dificuldades em manter o equilíbrio emocional. Para quase metade (44%) dos homens, a saúde mental é a área do bem-estar mais difícil de salvaguardar no dia a dia, ultrapassando largamente a saúde física (33%) e a própria saúde financeira (36%). Adicionalmente, 24% dos inquiridos masculinos confessa pensar em dinheiro de uma forma que lhes causa stress ou ansiedade todos os dias, um valor superior aos 20% registados no público feminino.
Na hora de distribuir o orçamento e o tempo disponível, as mulheres concentram-se nos recursos com impacto direto na estabilidade física e no bem-estar diário, nomeadamente a alimentação e o descanso. De acordo com o estudo, 54% das portuguesas mantêm um investimento ativo numa alimentação equilibrada e a mesma percentagem aposta em rotinas de sono e descanso de qualidade, superando os homens nesta última categoria, com 46%.
Embora os homens demonstrem maior apetência para aplicar recursos em categorias de alto impacto financeiro imediato — como investimentos estruturados em alimentação (30% vs. 19% das mulheres) ou a ida ao ginásio —, são também os primeiros a desmoronar estas estruturas perante a volatilidade económica.
“Estes dados desmistificam por completo a ideia de que o bem-estar é uma preocupação puramente estética ou acessória. Mostram, sim, que o bem-estar mental e físico está intrinsecamente ligado à nossa estabilidade financeira. Ver que mais de 70% dos homens em Portugal sacrificam o desporto ou a saúde mental por entraves orçamentais prova que as ferramentas de gestão financeira pessoal não servem apenas para poupar dinheiro — servem, no fundo, para proteger a nossa qualidade de vida”, comentou Rúben Germano, General Manager da Revolut Portugal, citado em comunicado.







