Opinião

Em que condições é que as pessoas querem trabalhar?

Gonçalo Martins, diretor de Operações do LACS
Foto:Gonçalo Martins, LACS

Durante muitos anos, olhámos para a produtividade como um resultado direto de processos, ferramentas ou metodologias de gestão – e com razão. Mas existe um fator que continua a ser frequentemente subestimado: o espaço onde as pessoas trabalham.

A verdade é que a produtividade está intimamente ligada às condições que cada pessoa encontra à sua volta. A iluminação, a temperatura, a sensação de segurança, o conforto ou até a facilidade com que se consegue fazer uma pausa ao longo do dia influenciam a forma como trabalhamos e como nos sentimos.

Hoje, mais do que nunca, esta realidade tornou-se evidente. Os espaços de trabalho já não competem apenas entre si. Competem com o conforto de casa, com um café perto da praia, com qualquer local onde exista uma ligação à internet e condições para trabalhar. As pessoas ganharam poder de escolha e isso alterou profundamente a forma como as empresas devem olhar para os seus escritórios.

O espaço físico é importante, mas a sua localização também tem um impacto significativo na experiência das pessoas. Estar próximo do rio, de zonas verdes, de comércio local ou de equipamentos desportivos permite que cada trabalhador aproveite melhor os momentos que tem disponíveis ao longo do dia. Uma pausa para almoçar, uma caminhada rápida ou uma ida ao ginásio podem parecer detalhes, mas contribuem para uma experiência de trabalho mais equilibrada e satisfatória.

Esta é uma das principais lições que as organizações podem retirar do atual debate sobre o regresso ao escritório. O que os trabalhadores valorizam não é apenas um local onde desempenham as suas funções. Valorizam flexibilidade, conforto e oportunidades de relacionamento.

A flexibilidade continua a ser essencial porque as pessoas procuram conciliar a vida profissional com as suas necessidades pessoais. O conforto é importante porque nos últimos anos os colaboradores habituaram-se a ter maior controlo sobre o ambiente onde trabalham. E o networking mantém-se relevante porque, apesar de toda a evolução tecnológica, continuamos a precisar de contacto humano, de trocar ideias e de construir relações de forma orgânica.

Nenhuma destas dimensões pode ser imposta. As pessoas não querem sentir-se obrigadas a estar num determinado local. Querem sentir que aquele espaço lhes oferece condições que justificam a sua escolha.

Por isso, se tivesse de deixar uma recomendação às empresas que procuram equipas mais produtivas e satisfeitas, começaria pelas sensações básicas das pessoas. Criar ambientes onde os profissionais se sintam bem, confortáveis e com condições adequadas deve ser sempre o primeiro passo. Depois, importa garantir que a localização oferece valor acrescentado e que existe uma preocupação genuína com a experiência diária de quem utiliza o espaço.

Não existe uma localização perfeita nem uma fórmula universal. Mas existem espaços que compreendem aquilo que as pessoas valorizam e que são capazes de transformar o escritório num local onde os colaboradores querem estar.

Num momento em que a atração e retenção de talento são desafios centrais para qualquer organização, esta pode ser uma das decisões mais estratégicas que uma empresa toma. Afinal, quando as pessoas escolhem estar num determinado espaço, é muito mais provável que também consigam dar o seu melhor dentro dele.

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