Entrevista/ “Os benefícios podem ser uma forma muito tangível de mostrar que uma empresa se preocupa com as suas pessoas”
“O salário continua a ser importante, naturalmente. Mas os colaboradores olham cada vez mais para a experiência completa que uma empresa oferece. Querem benefícios que apoiem o seu dia a dia, as suas famílias, o seu bem-estar e o seu futuro”, sublinha Mert Cetin, Cluster Director de Portugal, Tunísia e Marrocos da Pluxee, em entrevista ao Link to Leaders.
Especializada em benefícios extrassalariais para colaboradores, a Pluxee reforçou recentemente a sua aposta estratégica em Portugal com a expansão da Cobee by Pluxee, uma plataforma digital que permite às empresas gerir benefícios flexíveis numa única solução.
O momento coincidiu com a nomeação de Mert Cetin para Cluster Director de Portugal, Tunísia e Marrocos, profissional que, em entrevista ao Link To Leaders, partilhou a sua visão das principais tendências que estão a moldar as estratégias de benefícios e compensação; dos desafios e oportunidades para a atividade; da evolução e do potencial do mercado português de benefícios flexíveis; e ainda do papel de Portugal na estratégia de crescimento da Pluxee, entre outras temáticas.
Como parceira das empresas em matéria de benefícios e incentivos para os colaboradores, quais os principais desafios da Pluxee neste momento em que o mercado de trabalho vive uma “revolução” comportamental e tecnológica?
Estamos a viver um período muito interessante na história da relação entre colaboradores e empregadores. A forma como as pessoas se relacionam com o trabalho mudou significativamente, e a tecnologia está a acelerar ainda mais essa transformação. Por isso, para nós, o principal desafio — e também a principal oportunidade — é ajudar as empresas a responder a estas novas expetativas de uma forma simples, relevante e escalável.
Hoje, os colaboradores esperam mais do que um pacote standard. Querem escolha, flexibilidade, rapidez e uma experiência de benefícios tão intuitiva como os serviços digitais que utilizam todos os dias. Ao mesmo tempo, as empresas precisam de soluções eficientes, conformes com a legislação e fáceis de gerir. O nosso papel é precisamente ligar estas duas realidades: juntar inovação e compreensão humana para que os benefícios se tornem uma verdadeira alavanca de engagement, bem-estar e retenção de talento.
“Vemos em Portugal uma clara abertura para soluções de benefícios mais flexíveis, digitais e integradas”.
Reforçaram recentemente a vossa aposta estratégica em Portugal com a expansão da plataforma Cobee by Pluxee? Como está a ser a adesão do mercado?
A resposta tem sido muito positiva. Vemos em Portugal uma clara abertura para soluções de benefícios mais flexíveis, digitais e integradas. As empresas estão cada vez mais conscientes de que os benefícios já não são apenas uma questão administrativa; fazem parte da proposta de valor ao colaborador e são um elemento-chave da marca empregadora.
Com a Cobee by Pluxee, trazemos uma plataforma multibenefícios que dá mais controlo às empresas e mais liberdade aos colaboradores. E essa combinação está a ter uma boa aceitação no mercado. Naturalmente, a adoção é uma jornada. Exige educação, confiança e uma relação próxima com os clientes. Mas estamos muito encorajados pelas conversas que temos tido e pela rapidez com que muitas organizações estão a repensar a sua estratégia de benefícios.
Além do salário, o que esperam hoje os trabalhadores portuguesas das suas empresas em termos de benefícios extrassalariais?
O salário continua a ser importante, naturalmente. Mas os colaboradores olham cada vez mais para a experiência completa que uma empresa oferece. Querem benefícios que apoiem o seu dia a dia, as suas famílias, o seu bem-estar e o seu futuro. Isto pode significar benefícios de refeição, saúde e bem-estar, mobilidade, infância, educação, formação, descontos ou outras soluções que criem valor real na vida quotidiana.
O que está a mudar é a expetativa de personalização. Um benefício que é relevante para um colaborador pode não ser prioritário para outro. Um jovem profissional, um pai ou uma mãe, um cuidador ou alguém que esteja a investir no seu desenvolvimento profissional podem valorizar coisas diferentes. Por isso, o futuro não passa por oferecer mais benefícios apenas por oferecer. Passa por oferecer os benefícios certos, com flexibilidade e simplicidade.
Como olha para a evolução das empresas portuguesas no que toca à utilização de benefícios flexíveis nas suas estratégias de RH? Estão no bom caminho?
Sim, acredito que as empresas portuguesas estão a avançar no caminho certo. Vemos mais abertura, mais curiosidade e, sobretudo, uma reflexão mais estratégica em torno dos benefícios. No passado, os benefícios eram muitas vezes vistos como um tema transacional ou operacional. Hoje, cada vez mais empresas compreendem que podem influenciar diretamente o engagement, a retenção e a competitividade.
Ainda há espaço para crescer, naturalmente. Algumas empresas estão no início desta jornada, enquanto outras já estão a construir abordagens muito sofisticadas e flexíveis. Mas a direção é positiva. O mais importante é tornar esta evolução acessível não só às grandes empresas, mas também às PME, porque os desafios de talento afetam todas as organizações.
“Os líderes que estão a ter sucesso são aqueles que escutam com atenção, usam os dados de forma inteligente e estão disponíveis para se adaptar”.
Os líderes e gestores estão a conseguir adaptar as necessidades das suas organizações às expetativas dos colaboradores do século 21 e às novas dinâmicas do mercado de trabalho?
Diria que muitos líderes estão a fazer um esforço genuíno, e isso é muito positivo. Mas nem sempre é fácil. As organizações precisam de equilibrar prioridades de negócio, controlo de custos, regulação, cultura e expetativas dos colaboradores — e essas expetativas estão a evoluir muito rapidamente.
Os líderes que estão a ter sucesso são aqueles que escutam com atenção, usam os dados de forma inteligente e estão disponíveis para se adaptar. Compreendem que flexibilidade não significa perder controlo. Pelo contrário, quando bem desenhada, a flexibilidade cria um alinhamento mais forte entre a empresa e as suas pessoas. E, no mercado de trabalho atual, esse alinhamento é essencial.
E como analisa a evolução e o potencial do mercado português de benefícios flexíveis?
Vejo um potencial muito grande. Portugal é um mercado dinâmico, com uma mentalidade empreendedora, uma cultura digital em crescimento e empresas cada vez mais focadas em atrair e reter talento. Ao mesmo tempo, os colaboradores estão mais informados e mais exigentes relativamente ao valor que recebem para além do salário.
Os benefícios flexíveis ainda estão em desenvolvimento quando comparados com mercados mais maduros, mas isso também significa que existe uma margem significativa de crescimento. A nossa ambição é ajudar a acelerar esse desenvolvimento, tornando os benefícios flexíveis mais fáceis de compreender, implementar e utilizar. Se conseguirmos remover complexidade, a adoção continuará a crescer.
O que irá moldar as estratégias de benefícios e compensação das empresas nos próximos anos? Que tendências antevê para o vosso setor de atividade?
Várias forças irão moldar o futuro. Primeiro, a personalização. Os colaboradores vão esperar pacotes de benefícios que reflitam as suas necessidades reais e as diferentes fases da sua vida. Segundo, a digitalização. As empresas vão procurar plataformas que reduzam a complexidade administrativa e lhes deem maior visibilidade e controlo. Terceiro, o bem-estar — num sentido amplo. O bem-estar físico, mental, financeiro e social continuará a ganhar importância.
Também veremos uma tomada de decisão cada vez mais orientada por dados. As empresas vão querer compreender que benefícios os colaboradores realmente utilizam e valorizam. Por fim, acredito que a integração será fundamental. O mercado está a afastar-se de soluções fragmentadas e a aproximar-se de ecossistemas onde diferentes benefícios estão acessíveis numa experiência única, simples, segura e intuitiva.
“Os benefícios podem ser uma forma muito tangível de mostrar que uma empresa se preocupa com as suas pessoas”.
Quais os desafios e oportunidades para as empresas num contexto de crescente competição por talento?
O principal desafio é que os colaboradores têm hoje mais escolha e expetativas mais claras. Avaliam os empregadores não apenas pelo salário, mas também pela cultura, flexibilidade, propósito, bem-estar e experiência global. Isto significa que as empresas precisam de ser muito mais intencionais na proposta de valor que oferecem.
Mas esta é também uma grande oportunidade. Os benefícios podem ser uma forma muito tangível de mostrar que uma empresa se preocupa com as suas pessoas. Quando os benefícios são relevantes e fáceis de utilizar, criam uma ligação positiva e diária entre os colaboradores e a organização. Essa ligação pode fazer uma diferença real no envolvimento e na retenção.
Qual o impacto da inovação tecnológica nas vossas propostas para o mercado?
A tecnologia é central para a nossa evolução. Permite-nos simplificar a experiência para empresas e colaboradores, tornar os benefícios mais acessíveis e oferecer mais flexibilidade. Mas a tecnologia não é o objetivo final. O objetivo é criar uma melhor experiência humana.
Com plataformas digitais como a Cobee by Pluxee, as empresas conseguem gerir benefícios com maior eficiência, enquanto os colaboradores podem aceder e utilizar os seus benefícios de forma muito mais intuitiva. Isto é poderoso porque transforma os benefícios de algo que pode parecer complexo ou distante em algo prático, visível e valorizado no dia a dia.
O que une e diferencia os líderes empresariais de Portugal, Tunísia e Marrocos, países que estão sobre a sua coordenação, no que se refere a estratégias de retenção de talentos e respetivos benefícios extrasalariais?
Existem semelhanças claras. Nos três mercados, os líderes enfrentam a mesma questão fundamental: como atrair, envolver e reter pessoas num contexto mais competitivo e em rápida transformação? Há também um reconhecimento comum de que os benefícios estão a tornar-se mais estratégicos e de que o bem-estar dos colaboradores tem um impacto direto no desempenho do negócio.
As diferenças estão sobretudo ligadas à maturidade dos mercados, à regulação local, às expetativas culturais e ao ritmo de adoção digital. Portugal está a progredir de forma significativa para ecossistemas de benefícios flexíveis e digitais. A Tunísia e Marrocos também apresentam oportunidades relevantes, com as suas próprias dinâmicas e prioridades locais. Para mim, o valor de liderar estes mercados em conjunto está na capacidade de partilhar boas práticas, respeitando a realidade de cada país. Não existe uma abordagem única para todos. As melhores soluções são globais na ambição, mas locais na execução.
Quais as ambições da Pluxee para o seu futuro em Portugal?
A nossa ambição é muito clara: queremos que a Pluxee seja o parceiro de confiança das empresas em Portugal no que diz respeito a benefícios e engagement dos colaboradores. Temos uma forte herança nos benefícios de refeição e estamos agora a expandir esse papel para um ecossistema mais amplo, mais digital e mais flexível.
Na prática, isso significa continuar a reforçar a Cobee by Pluxee, aumentar a nossa base de clientes, expandir a nossa oferta de benefícios e prestar um serviço de excelência. Mas significa também contribuir para uma cultura de benefícios mais moderna em Portugal — uma cultura em que as empresas possam apoiar as suas pessoas de forma mais personalizada e significativa.
Qual o peso e o papel de Portugal na estratégia de crescimento internacional da Pluxee?
Portugal tem um papel importante a desempenhar. É um mercado com forte potencial, um ecossistema empresarial vibrante e uma cultura cada vez mais aberta à inovação no local de trabalho. Para nós, Portugal não é apenas um mercado de crescimento; é também um mercado onde podemos demonstrar como uma oferta tradicional de benefícios pode evoluir para um ecossistema digital completo. É por isso que Portugal é um dos três países onde a Cobee by Pluxee foi introduzida.
É também um hub muito relevante numa perspetiva regional, ligando o nosso trabalho em Portugal, na Tunísia e em Marrocos. Ao desenvolver uma execução local forte e ao partilhar aprendizagens entre mercados, Portugal pode contribuir de forma significativa para a ambição global da Pluxee: ser o parceiro líder em benefícios e engagement dos colaboradores, ajudando as empresas a criar locais de trabalho mais sustentáveis, atrativos e humanos.








