Opinião

Como saber o que vestir para uma entrevista de emprego?

Isabel Amaral, especialista em protocolo e comunicação intercultural

Uma das áreas onde houve grande mudança no protocolo empresarial nos últimos anos foi no código de vestuário em Portugal. As regras tornaram-se mais flexíveis e a gravata para os homens passou a ser uma exceção na maioria das empresas.

A questão ganha importância quando somos chamados para uma entrevista de emprego, seja por termos respondido a um anúncio, mas sobretudo se tivermos sido convocados por uma das chamadas empresas “caçadoras de talentos”.

Para um jovem licenciado poderá não ser óbvio que o  mais importante será adequar a sua aparência à cultura da empresa e à função que deseja desempenhar. Antigamente era fácil saber qual a roupa mais adequada para um primeiro emprego, hoje é muito mais complicado-

Em termos gerais, os conselhos que dou aos meus leitores ou a quem me consulta online são os seguintes:

  • Empresas tradicionais (banca, advocacia, consultoria, cargos corporativos): o melhor é escolher roupa  formal. Um fato azul-escuro ou um blazer, com, calças de tecido de cor diferente, camisa branca ou azul-clara e sapatos discretos são conjuntos que costumam resultar bem.
  • Empresas de tecnologia, start-ups e áreas criativas: é preferível um visual mais informal. Por exemplo, calças de ganga clássicas, camisa ou polo e sapatos desportivos discretos.
  • Trabalhos de atendimento ao público, hotelaria ou vendas: geralmente valorizam uma apresentação cuidada e alinhada com a imagem da empresa.

Independentemente do setor:

  • Roupa limpa e bem ajustada. Uma nódoa ou uma peça muito amachucada ou muito larga pode dar ideia de desleixo.
  • Evitar peças muito desgastadas ou excessivamente informais.
  • A apresentação pessoal e o corte da roupa contam mais do que o preço ou a marca da roupa.
  • Se estiver em dúvida, é melhor estar ligeiramente mais formal do que demasiado informal.

Tratando-se de uma entrevista online, deve dar atenção especial à parte superior do corpo que estará sempre visível. Mas, se por algum imprevisto tiver de se levantar a meio da entrevista convém que a roupa que não estava à vista não destoe. Outro aspeto importante é o cenário que deve ser neutro, sem objetos que distraiam a atenção e com uma boa iluminação. Para uma entrevista de emprego à distância todos estes elementos contam para a avaliação final dos recrutadores.

Finalmente se decidir concorrer à carreira diplomática, deverá ter aina mais cuidado ao escolher como se apresenta. Mesmo que alguns setores no Ministério dos Negócios Estrangeiros tenham flexibilizado o vestuário em ambiente de trabalho, na entrevista – . que é parte integrante e eliminatória do concurso de admissão nesta carreira – é aconselhável transmitir sempre uma imagem muito cuidada e formal.

Os três bês; bom senso, boa educação e bom gosto, mencionados no meu livro “Imagem e Sucesso – guia de protocolo para pessoas e empresas” [1] , continuam a ser fundamentais. E como o bom gosto é o mais difícil de definir, aqui ficam alguns conselhos específicos:

Vestuário masculino:

  • Fato em tons neutros (azul-marinho, cinzento-escuro ou antracite).
  • Camisa lisa, preferencialmente branca ou azul-clara.
  • Gravata discreta (continua a ser uma escolha segura para entrevistas).
  • Sapatos clássicos bem cuidados (pretos ou castanhos escuros).
  • Cabelo curto e barba arranjada.

Vestuário feminino:

  • Fato de calças ou saia com casaco, ou vestido de corte profissional com blazer.
  • Topes pouco decotados ou camisas de cores sóbrias e padrões discretos .
  • Sapatos fechados elegantes, confortáveis e profissionais.
  • Maquilhagem e acessórios discretos.

O que evitar:

  • Roupa muito justa, decotada ou excessivamente informal.
    Perfumes muito intensos ou acessórios exagerados.

Uma boa regra para as entrevistas em geral é vestir-se como se tivesse uma reunião com um cliente importante. O objetivo não é impressioná-lo com o ultimo grito da moda, mas transmitir confiança, profissionalismo e atenção ao detalhe.

[1] Editora Casa das Letras, Fevereiro de 2018

Comentários
Isabel Amaral

Isabel Amaral

Isabel Amaral é Presidente Emérita da Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo que fundou em 2005 e Investigadora do Instituto do Oriente (ISCSP-Universidade de Lisboa), desde 2013. É oradora internacional, empresária, coach executiva, docente em universidades portuguesas e estrangeiras, palestrante e conferencista, em temas como Imagem, Protocolo e Comunicação Multicultural. Como formadora de protocolo, imagem e comunicação intercultural, assegurou a organização e monitoria de diversos cursos em Portugal, Angola, Cabo Verde, Namíbia. Espanha, Bélgica, Países Baixos e República Popular da... Ler Mais..

Artigos Relacionados