Protege todos os dispositivos dos riscos online durante as férias? Apenas 33% o fazem.

Foto de nickypung por Pixabay

O verão aumenta a utilização de redes Wi-Fi públicas, as compras online e a partilha de conteúdos nas redes sociais, ampliando a exposição a ciberameaças. Um estudo da Kaspersky revela que apenas uma em cada três famílias protege todos os seus dispositivos com soluções de segurança.

Com a chegada do verão e das férias, milhões de famílias preparam-se para viajar, partilhar momentos nas redes sociais, recorrer a redes Wi-Fi públicas e passar mais tempo ligadas a dispositivos digitais. No entanto, um novo estudo da Kaspersky revela que, apesar deste aumento da exposição online, apenas 33% das famílias protegem todos os seus dispositivos com soluções de segurança adequadas. A investigação conclui que, embora exista uma crescente consciencialização sobre os riscos digitais, a proteção abrangente dos equipamentos utilizados por toda a família continua longe de ser uma realidade.

De acordo com os dados da Kaspersky, uma parte significativa dos inquiridos adota uma abordagem educativa relativamente à cibersegurança no seio familiar. Cerca de 47% orientam regularmente familiares idosos e crianças sobre práticas seguras online, enquanto 45% aconselham a utilização de gestores de palavras-passe. Já 42% incentivam o recurso à autenticação multifatorial (MFA) e a mesma percentagem revê e ajusta ativamente as definições de privacidade nos dispositivos da família e nas contas online mais importantes.

Em Portugal, os especialistas alertam que o período de férias representa uma oportunidade acrescida para os cibercriminosos. A utilização de redes Wi-Fi públicas em aeroportos, hotéis, cafés ou destinos turísticos, bem como o aumento das compras online relacionadas com viagens, contribuem para um maior risco de exposição a esquemas fraudulentos. Segundo dados divulgados pela ESET, um em cada quatro ciberataques registados em Portugal teve origem em campanhas de phishing durante 2025, demonstrando que o fator humano continua a ser uma das principais vulnerabilidades na segurança digital.

Embora se observe uma crescente consciencialização sobre a importância de uma proteção digital proativa e centrada na família, a tendência é ligeiramente diferente quando se trata da implementação de soluções de segurança. Cerca de 10% dos inquiridos não tomam qualquer medida para proteger os seus familiares online, percentagem que sobe para 21% entre os maiores de 55 anos.

Relativamente às aplicações de controlo parental, cerca de 67% das famílias com crianças menores de 18 anos utilizam esta ferramenta para monitorizar e proteger a atividade online dos filhos.

O controlo parental ajuda a restringir o acesso das crianças a conteúdos inadequados e também a gerir de forma equilibrada os seus hábitos digitais, limitando o acesso a determinados websites e aplicações, controlando o tempo de ecrã e até reforçando a sua segurança física através da geolocalização.

O dado mais preocupante é que apenas 33% dos inquiridos – ou seja, apenas 1 em cada 3 –instala soluções de segurança em todos os dispositivos dos membros da família. Os especialistas da Kaspersky destacam que o atual panorama de ameaças demonstra que dispositivos móveis, tablets e computadores necessitam todos de ciberproteção abrangente, uma vez que são frequentemente alvo de cibercriminosos.

Segundo o estudo, apenas 30% dos inquiridos configuram novos dispositivos para os seus familiares. A investigação mostra também que a geração mais velha (55+) está, de forma geral, menos integrada nos hábitos de segurança familiar. Cerca de 1 em cada 5 pessoas desta faixa etária (21%) não toma qualquer medida para proteger a família online e apenas um quarto (24%) instala soluções de segurança para os restantes membros da família. A medida de segurança mais popular entre este grupo é o gestor de palavras-passe, recomendado por 40% dos inquiridos desta faixa etária.

“Quanto mais ligados estamos a conversar, partilhar momentos e a comunicar, mais nos integramos numa rede de dispositivos e serviços. Cada novo equipamento, cada hora adicional passada online, aumenta a superfície de ataque disponível para agentes maliciosos, tornando as pessoas vulneráveis a múltiplas ciberameaças. Nem todas as gerações se adaptam a estas mudanças com a mesma facilidade. É por isso que a proteção abrangente de todos os membros da família é tão importante. Cada família precisa de uma abordagem integrada e multidispositivo para garantir um ambiente digital partilhado e seguro”, afirma a Marina Titova, Head of Consumer Product Marketing na Kaspersky.

O estudo foi realizado pelo centro de estudos de mercado da Kaspersky em novembro de 2025. Participaram 3000 inquiridos de 15 países (Argentina, Chile, China, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Malásia, México, Arábia Saudita, África do Sul, Espanha, Turquia, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos).

 

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