No mercado, mudam-se facilmente, e num ápice, os tempos e os hábitos de consumo. Tudo pertence ao mundo de tendências, da moda, de procura de inovações e de produtos cada vez mais personalizados. O mundo de hoje vai à boleia das novas tecnologias e as exigências dos clientes são outras, obrigando a um esforço muito rápido de adaptação de estratégias, por parte das empresas e, por vezes, de um modo cruel.

Com esta mudança de paradigma empresarial, os empresários questionam-me continuamente acerca daquilo que os espera, no espaço temporal de cinco, dez ou quinze anos. Estes empresários tentam fazer acontecer nas suas empresas e tentam que o futuro lhes pertença.

Mas existem empresários que nem sempre têm a consciência de que o mercado (e não são tão poucos como isso) muda de tempos a tempos. Setores como moda, dispositivos móveis, automóveis, tecnológicas, de um momento para o outro ficam nas “prateleiras” e não são mais procuradas pelos seus antigos fans. O consumidor muda velozmente e a sua concorrência também.

Existem imensos casos de empresas líderes de mercado nacionais ou globais que acabam rapidamente, e quase de uma forma abrupta, por perder as suas posições ou acabam mesmo por desaparecer. Um caso paradigmático e muito falado na altura foi a marca super global Nokia, uma das maiores empresas de sucesso na Europa. Como se sabe, na área tecnológica, as mudanças são terrivelmente céleres, talvez pela democratização do acesso às novas tecnologias. A Nokia foi perdendo a sua quota de mercado, em apenas poucos anos.

Reparem que a marca finlandesa representava mais de 42% das vendas globais de telemóveis em 2007. Os consumidores são quem dita as leis do mercado, a preferência deste já estava a mudar para os smartphones com écrans táteis, com a inserção do iPhone da Apple a meio desse ano. Pela dificuldade em saber acompanhar os seus consumidores, a quota de mercado da Nokia diminui drasticamente. Passados seis anos, a Nokia acabou por vender a sua unidade de dispositivos móveis à Microsoft.

A estratégia vencedora do ano passado pode tornar-se a estratégia do fim de uma empresa, marca ou produto. O que aconteceu à Nokia, aconteceu também, por exemplo, à marca líder na América do Norte, a Blackberry. Segundo alguns entendidos da área, o grande erro da Nokia foi não ter estudado o problema devidamente e não ter aderido de imediato ao sistema Android e, assim, foi o começo da sua “derrocada”. Segundo dizem, a Nokia poderia estar no lugar que hoje pertence à empresa Samsung, nascida na cidade de Daegu, na Coreia do Sul.

Outra marca que passou por dificuldades, foi a Sony, que cometeu um erro parecido, ao insistir no seu caro e monopolista sistema de leitura de vídeo BETA, em detrimento do VHS que crescia rapidamente. Como consequência, a venda de leitores Sony desceu para vendas pouco entusiasmantes, dando origem ao primeiro grande flop da tecnológica japonesa. Não foi tão grave como a Nokia, porque era apenas um segmento do seu enorme negócio.

Estes exemplos que dei, são a demonstração de que o mundo económico | inovação está em constante mudança. Em nenhuma outra época da história, as empresas estiveram sujeitas a tantas e tão profundas mudanças, como aquelas que hoje são obrigadas a enfrentar, por vezes parecendo uma luta em cima de uma corda, à beira de um precipício. Algumas empresas desaparecem e outras aparecem ainda com mais força.

O grande objetivo de qualquer empresa é dar lucro e, mais do que isso, é saber crescer com inteligência. Existem muitas empresas que não sabem qual é o cliente alvo e nem o seu potencial mercado. Vão vendendo, porque, num dado momento, a concorrência estava a “dormir”, mas não acreditem que isso vai acontecer sempre.

A área do marketing estratégico de uma empresa tem uma grande quota de responsabilidade no crescimento da empresa, quer seja nos lucros, quer seja na imagem (perceção) que os nossos consumidores e potenciais consumidores têm da empresa. Aliás, um excelente departamento de marketing, em qualquer empresa, deve funcionar transversalmente a toda a empresa. A área do marketing tem de tomar conhecimento de tudo o que acontece na empresa, para analisar as oportunidades de negócio que podem acontecer. Hoje em dia, os bons profissionais de marketing devem estar preparados para avaliações rápidas, assertivas e minuciosas.

O mercado é duro!

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Liz Silva é presidente da AMA Empresarial – Associação de Marketing e Atitude Empresarial, proprietário do conhecido Projeto “Liz Silva - Palestras, Workshops e Treinos de Marketing & Negócios” e CEO de uma empresa de Marketing Estratégico. Empreendedor nato, é... Ler Mais