Inteligência artificial alterou ritmo de recrutamento, segundo o Talent Trends 2026

Foto: Michael Page

O estudo Talent Trends 2026, da Michael Page, mostra que a inteligência artificial passou a fazer parte integrante dos processos de recrutamento.

O estudo global sobre tendências de talento, da Michael Page, analisou a perceção de mais de 60 mil profissionais, em 36 mercados, incluindo Portugal, e constatou que inteligência artificial (IA) passou a fazer parte integrante dos processos de recrutamento e que em Portugal, 63% dos candidatos recorrem a ferramentas de IA para melhorar a linguagem, personalizar currículos e sintetizar competências.

Por sua vez, 30% das empresas utilizam estas tecnologias para otimizar descrições de funções, estruturar entrevistas e agilizar a comunicação com candidatos. No contexto profissional mais alargado, a utilização de IA generativa aumentou de forma significativa, passando de 24%, em 2024, para 67% dos profissionais em 2026.

Esta análise do Talent Trends 2026 confirma que o recrutamento está a atravessar uma transformação profunda e que numa altura em que a inteligência artificial acelera o recrutamento e torna as candidaturas cada vez mais uniformes, as decisões de contratação tornaram‑se mais rápidas e mais exigentes.

O estudo também identifica novas exigências para as organizações. 35% dos empregadores admitem não conseguir distinguir se uma candidatura foi elaborada ou otimizada com recurso a IA, o que reduz a fiabilidade da avaliação baseada exclusivamente em CVs.  Perante este contexto, ganham mais relevância abordagens complementares, que promovem processos de recrutamento mais transparentes, rigorosos e equitativos como, por exemplo, simulações e avaliação de situações reais –  dimensões que a IA ainda não consegue replicar com autenticidade -,  e que permitem perceber como os profissionais pensam, comunicam e tomam decisões em contexto de trabalho.

O desafio da escassez de competência

O principal desafio para 39% dos empregadores continua a ser a escassez de competências, o que leva muitos a reverem os seus modelos de recrutamento. 31% das empresas já privilegiam competências em detrimento da formação académica ou do percurso profissional. Esta faceta encontra correspondência do lado dos candidatos já que 71% dos profissionais revelam maior disponibilidade para se candidatarem a oportunidades onde as competências são tidas como o principal fator de avaliação.

A capacidade de adaptação (57%), as competências interpessoais (48%) e a comunicação (30%) surgem como os atributos mais valorizados, por serem indicadores mais consistentes de desempenho e de potencial a médio e longo prazo.

Menor mobilidade profissional

O Talent Trends 2026 destaca também uma redução da intenção de mudança de emprego. Apenas 44% dos profissionais consideram mudar de função, face a 59% em 2023. O principal fator que sustenta esta menor mobilidade é o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, a prioridade mais referenciada, à frente da remuneração, da progressão de carreira ou da segurança no emprego. Aliás, a pesquisa da Michael Page, revela que dois em cada cinco profissionais receiam comprometer esse equilíbrio ao aceitar uma nova função. Todavia, sempre que há o risco dessa situação se alterar, intenção de saída aumenta, com cerca de 40% dos profissionais a afirmar que procurariam outro emprego se lhes fossem exigidos mais dias presenciais no escritório.

A confiança na liderança e a transparência salarial também se destacam como fatores relevantes na atração e fidelização de talento. 77% dos profissionais que não estão em processo de mudança confiam na capacidade das suas lideranças para proteger o seu bem‑estar, valor que desce para 63% entre os indecisos e para 33% entre aqueles que procuram ativamente novas oportunidades.

A transparência salarial também reduz a incerteza para os candidatos e aumenta a probabilidade de aceitação de uma nova proposta. 85% dos candidatos em procura ativa provêm de organizações com estruturas salariais pouco transparentes.

O Talent Trends 2026 conclui que o recrutamento evoluiu para um modelo mais exigente, onde tecnologia, competências e expetativas dos profissionais se influenciam mutuamente. A inteligência artificial trouxe maior eficiência aos processos, mas também aumentou a necessidade de avaliação aprofundada, maior clareza nas decisões e interações mais consistentes com os candidatos.

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