Banco de Portugal de olhos postos na fraude digital
A iniciativa do Banco de Portugal designa-se Plataforma de Acompanhamento da Fraude Digital em Portugal e visa proteger o bom funcionamento dos sistemas de pagamento.
O Banco de Portugal lançou a Plataforma de Acompanhamento da Fraude Digital em Portugal, uma iniciativa que se insere na prioridade estratégica do Banco de combater a fraude digital e de proteger a estabilidade financeira e o bom funcionamento dos sistemas de pagamento.
Apresentada pelo Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, na conferência “Fraude Digital: detetar, responder e prevenir”, realizada em Lisboa no final da semana passada, a Plataforma de Acompanhamento da Fraude Digital tem como finalidade “reforçar a cooperação entre todos os intervenientes relevantes, ultrapassar a fragmentação da informação e promover uma abordagem integrada à fraude digital, contribuindo para uma maior proteção dos clientes de serviços financeiros”.
A Plataforma visa, entre outros aspetos, partilhar informação tempestiva sobre fraude digital; identificar tipologias de fraude e sinais de alerta; melhorar a articulação entre prevenção, deteção e resposta; consolidar um quadro nacional de análise e atuação conjunta; identificar necessidades de evolução regulatória e tecnológica; reforçar o alinhamento com a agenda europeia.
Presidida pelo Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, a Plataforma de Acompanhamento da Fraude Digital integra um conjunto multidisciplinar de entidades públicas e privadas. A saber: entidades da Administração Pública, autoridades de supervisão, órgãos de investigação criminal, representantes dos consumidores, associações empresariais, o Centro Nacional de Cibersegurança, prestadores de serviços de pagamento e operadores e sistemas de pagamento.
Álvaro Santos Pereira destacou que “a fraude digital não é apenas um problema operacional, é um desafio com o potencial de afetar a confiança no sistema financeiro” e que “exige uma resposta coletiva e estruturada”.
Com este projeto, o Banco de Portugal reforça o seu papel na promoção de um sistema financeiro mais seguro, resiliente e confiável, contribuindo para proteger cidadãos e empresas num contexto de crescente digitalização, refere a instituição em comunicado.
Refira-se que, de acordo com os dados apresentados quando do lançamento da Plataforma, em 2025, 70% da fraude com cartão resultou da emissão, pelo infrator, de uma ordem de pagamento (inclui roubo de dados do cartão); nas operações com cartão, 54,5% das perdas foram suportadas pelos prestadores de serviços de pagamentos. Nas transferências a crédito, a manipulação do ordenante deixou de ser o tipo de fraude mais frequente nas transferências, prevalecendo agora a emissão, pelo infrator, de uma ordem de pagamento (84%); e nas transferências, 84,1% das perdas foram suportadas pelos utilizadores.
Globalmente, o nível de fraude na utilização de instrumentos de pagamento eletrónicos em Portugal manteve-se reduzido no 1.º semestre de 2025, tendo inclusive registado uma diminuição face ao período homólogo, nas transferências e nos cartões.







