Afroempreendedores ainda estão pouco representados em Portugal, diz estudo.

Os fundadores negros no ecossistema empreendedor nacional são menos de 1%, concluiu o Afropreneurs Report 2022.

O “Afropreneurs Report 2022 – State of Black Founders & Ventures in Portugal” mergulha nas start-ups lideradas por africanos e afrodescendentes a viver em Portugal e constata que o número de empresas criadas por este perfil de empreendedores ainda que é muito escasso.

O estudo foi realizado pela Djassi África, com a parceria do Iscte e do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (Cies-Iscte), e teve como base 1.059 start-ups baseadas em Portugal, em abril de 2022.

Dividido em cinco secções – Founders, Black Founders Businesses (Business Ideas & Ventures),Ventures (Startups & Digital Business), Funding Landscape e Development Support – o relatório também fornece algumas pistas sobre fundadoras negras em Portugal e uma perspetiva das suas experiências, desafios e perspetivas futuras.

“Os resultados foram analisados com o objetivo explícito de dar impulso a novos conhecimentos e contribuir para a mudança no ecossistema português de start-ups e inovação, não só através da recolha de dados e a partilha de informações, mas também através da formulação de uma nova narrativa sobre a fenómeno de onde provêm, esperando que este estudo possa expandir de forma significativa e discussão informada e acesso mais equitativo a oportunidades para os fundadores negros em Portugal”, explicaram os autores do estudo.

No que respeita ao perfil dos empreendedores (género, residência e idade), o estudo mostra que 54% dos inquiridos identificam-se como mulheres, sendo os restantes 46% homens. Este resultado contrasta com as estatísticas nacionais e europeias sobre empreendedorismo feminino, mas está em linha com a tendência verificada no continente africano, onde se estima que as mulheres representem 58% do total da população auto-empregada (Fórum Económico Mundial, 2022). África tem uma longa tradição de mulheres empreendedoras e não surpreende, por isso, que as mulheres afro descendentes empreendedoras na diáspora sigam a mesma tradição.

84% dos Black Founders vivem na Área Metropolitana de Lisboa, a área mais densamente povoada de Portugal (INE, 2021), o que está alinhado com a concentração de clusters criativos e polos de inovação nas capitais dos países.

Considerando que a nacionalidade é um critério relevante para aceder a determinadas fontes de financiamento e apoio à construção de empreendimentos, os resultados mostram que a maioria dos fundadores negros tem apenas uma nacionalidade, enquanto 19% têm dupla nacionalidade. Do total dos 200 Black Founders inquiridos nesta análise, 56% têm nacionalidade portuguesa. Cruzando os dados de origem e nacionalidade, observa-se que no grupo dos PALOP Black Founders, 81% têm uma nacionalidade e 19% têm duas nacionalidades. No total, 62% têm nacionalidade portuguesa.

No item educação e competências, verifica-se que 76% estão matriculados ou são formados na universidade, que 24% concluíram o ensino médio ou um curso de formação profissional, e 3% doutoramentos. Também são multilingues, com 67% a falar duas ou mais línguas (destes, 26 % falam três ou mais línguas). Entre eles, 74% falam português e inglês e 8% fala uma ou mais línguas africanas.

A motivações que levam ao empreendedorismo passam por ser financeiramente independente, encontrar soluções para um problema fundamental da sociedade ou seguir um interesse ou paixão pessoal.

Os dados apurados pela pesquisa permitem concluir também que 35% dos fundadores negros criaram uma ideia de negócio, que 40% têm uma start-up e que 25% desenvolveram um negócio digital. Aliás, o comércio digital, media, indústrias criativas, tecnologias de informação e consultoria estão entre as principais áreas de atividade. Refira-se ainda que grande parte das start-ups, 59%, nasceu depois do início da pandemia, ou seja, entre 2020 e 2022.

Por outro lado, em matéria de financiamento, 49% das fontes de financiamento são provenientes de familiares e amigos,  41% recorrerem a capitais próprios, 23% a programas governamentais e 18% a empréstimos bancários.

Globalmente, o Afropreneurs Report 2022 conclui que “há talento na comunidade Black Founders em Portugal, com a presença de características capacitadoras que os colocam numa posição ideal para serem bem-sucedidos no seu percurso empreendedor e tornarem-se fortes contribuidores para os ecossistemas de inovação português e global”.

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