Falta de mão de obra vai acelerar adoção de robôs humanoides até 2030, diz estudo
Impulsionados pelo envelhecimento demográfico, estes robôs poderão atingir capacidades semelhantes às humanas e ganhar relevância em setores-chave da economia, conclui novo estudo.
Até 2030 os robôs humanoides poderão aproximar-se das capacidades humanas ao nível da inteligência, perceção e destreza, começando gradualmente a integrar o mercado de trabalho, segundo o novo estudo “Humanoid Robots: How Early Commercial Exploration Can Lead to Large-Scale Use”, da Bain & Company.
O envelhecimento demográfico – particularmente relevante em Portugal, um dos países mais envelhecidos da UE, com o índice de envelhecimento a atingir 192,4 idosos por cada 100 jovens em 2024, de acordo com dados do INE – deverá agravar a escassez de mão de obra, funcionando como um dos principais motores para a adoção desta tecnologia em setores-chave da economia, explica a empresa em comunicado.
Assim, na próxima década, os robôs humanoides passarão da fase de exploração para a adoção em larga escala, impulsionados também pela redução gradual dos custos e a maturação tecnológica.

Estudo “Humanoid Robots: How Early Commercial Exploration Can Lead to Large-Scale Use”, da Bain & Company
Investimento acelera, mas adoção em larga escala ainda enfrenta desafios
O investimento global em empresas de robótica mais do que triplicou entre 2020 e 2024, passando de 308 milhões para 1,1 mil milhões de dólares, refletindo o crescente interesse neste setor, avança a Bain & Company.
Apesar deste crescimento, a adoção em larga escala dependerá sobretudo de dois fatores: os avanços na chamada “inteligência física”, isto é, a capacidade de um robô perceber, compreender e atuar no mundo real; e a evolução da tecnologia de suporte, a par do aumento da confiança por parte dos utilizadores.
“Estamos perante um avanço tecnológico significativo na robótica, mas a maturidade do mercado dependerá de um retorno claro do investimento e de uma maior aceitação do risco por parte dos utilizadores”, afirma Álvaro Pires, partner da Bain, referindo que “questões como segurança e privacidade serão determinantes à medida que esta tecnologia ganha escala”.
A Bain conclui ainda que, no futuro, poderá ainda emergir um modelo híbrido, que poderá esbater a distinção entre robôs humanoides e sistemas automatizados tradicionais. Enquanto os primeiros executarão fluxos de trabalho altamente repetitivos, os segundos realizarão tarefas específicas.
Neste contexto, os robôs tenderão a complementar o trabalho humano, assumindo tarefas repetitivas ou de maior risco, enquanto os seres humanos se vão focar cada vez mais em funções de supervisão, planeamento e tomada de decisão.
“A adoção desta tecnologia poderá tornar-se um fator crítico de competitividade para economias europeias, incluindo Portugal”, afirma a empresa.








