IA está a agravar escassez de talento técnico e a aumentar desigualdades, alerta Randstad
A expansão da IA dispara a procura por talentos técnicos, mas apenas 29% das mulheres e poucas gerações mais velhas têm competências na área, alerta novo estudo da Randstad.
O debate sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) no emprego centra-se frequentemente na substituição de postos de trabalho, mas uma realidade crítica está a ser ignorada: a tecnologia está a impulsionar uma procura sem precedentes por talentos técnicos especializados necessários para a treinar, implementar e sustentar. Simultaneamente, a adoção da IA está a criar novas clivagens de género e geracionais que ameaçam agravar a escassez de talento em mercados com populações envelhecidas. Estas são as principais conclusões divulgadas pela Randstad, através da análise de mais de 50 milhões de anúncios de emprego e de um inquérito a 12.000 profissionais em todo o mundo.
Segundo estudo intitulado “Escassez de talento: o papel da IA na promoção da equidade”, desde o final de 2022 as vagas para engenheiros de AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado) — fundamentais para o arrefecimento dos centros de dados — aumentaram 67%. A procura por técnicos de robótica disparou 107% e por técnicos de automação industrial 51%.
O pipeline de talento técnico está sob enorme pressão: em média, demora agora mais tempo a contratar um trabalhador de ofícios especializados do que um profissional de serviços (56 vs. 54 dias), assinalando uma inversão no mercado de trabalho global. Esta pressão agravar-se-á com as tendências demográficas, visto que por cada 100 jovens que entram no setor da manufatura, 102 saem, e cerca de um em cada quatro trabalhadores a nível global aproxima-se da idade da reforma.
Mulheres e gerações mais velhas em desvantagem
O estudo alerta ainda que a promessa de maior produtividade da IA só será concretizada se os seus benefícios forem distribuídos de forma equitativa. No entanto, os dados mostram uma realidade fraturada, com implicações sérias para mercados maduros que dependem da retenção de talento sénior para combater a escassez de mão de obra.
Menos de um quarto (23%) dos Baby Boomers teve a oportunidade de usar IA no trabalho e apenas 22% receberam formação, em contraste com 45% da Geração Z. As organizações que operam em mercados com maiores percentagens de talento envelhecido terão de apostar na requalificação destas gerações para manterem as suas competências relevantes e superarem a escassez.
Enquanto 71% dos homens afirmam ter competências em IA, apenas 29% das mulheres dizem o mesmo — uma diferença de 42 pontos percentuais. As mulheres estão severamente sub-representadas em competências especializadas e relatam menor acesso a oportunidades de requalificação por parte dos empregadores.
A Randstad recomenda que os líderes empresariais adaptem as suas estratégias, reavaliando os ofícios técnicos como carreiras de topo, que exigem a mesma aprendizagem contínua que os trabalhadores do conhecimento. Em paralelo, é urgente repensar a requalificação tecnológica, adotando abordagens personalizadas que promovam uma maior adopção por parte das mulheres e dos profissionais mais velhos.








