Mudança empresariais aceleraram no último ano, revela estudo da H/Advisors

75% dos líderes empresariais dizem que o ritmo de mudança acelerou no último ano, divulga o estudo “Leading without a landing”, uma investigação global realizada no final de 2025.

A H/Advisors divulgou o estudo “Leading without a landing”, uma investigação global realizada em parceria com a YouGov no final de 2025, que explora como as organizações estão a enfrentar as mudanças numa atualidade marcada por grandes disrupções e até que ponto os líderes e as organizações estão preparados para ter sucesso.

O estudo que envolveu entrevistas a mais de 600 líderes seniores no Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, França, Portugal, Emirados Árabes Unidos e Singapura (abrangendo nove setores e atividade), revela que 75% dos inquiridos reconhecem que o ritmo das mudanças acelerou, 77% acredita que os desenvolvimentos tecnológicos impulsionarão mudanças nas suas organizações no próximo ano, e 95% considera que a comunicação é critica para o sucesso.

A análise da H/Advisors sublinha ainda que as políticas comerciais podem mudar de um dia para o outro, e que as capacidades da inteligência artificial estão a avançar mais depressa do que é possível às organizações absorverem. Mais, a fragmentação geopolítica deixou de ser um risco de fundo para se tornar uma limitação ativa aos negócios. Todas estas transformações estão a redefinir a forma como as organizações trabalham e comunicam, exigindo adaptação constante a uma velocidade sem precedentes.

Em Portugal, o estudo identifica também uma mudança contínua nas empresas: três em cada quatro líderes (75%) dizem que o ritmo acelerou no último ano; mais de oito em cada dez (82%) esperam aumentar a escala das iniciativas de mudança nos próximos 12 meses; e a maioria (74%) considera que a sua organização mudou mais do que o setor no último ano.

A par da UAE, Portugal destaca-se dos demais países na importância atribuída à comunicação nestes processos de mudança (com uma valorização de 9,1 em 10) mas, tal como nos restantes mercados, os inquiridos assumem continuar a tratar a comunicação como secundária, esperando que os recursos e o orçamento atuais deem resposta a estes desafios adicionais, o que representa um risco.

A importância da formação está também em destaque entre os inquiridos portugueses, nomeadamente em IA e nas skills de comunicação. Enquanto um líder na área de pessoas afirma que é essencial a “formação adequada a lidar com os desafios que a Inteligência Artificial coloca na gestão de recursos humanos”, um COO menciona o risco que são “os líderes sem formação” na comunicação apropriada e consistente de mensagens, o que pode levar a uma discrepância, por consequência, um risco, entre a comunicação interna e externa.

Globalmente, a análise da H/Advisors coloca no centro da aceleração mundial a IA, cujos progressos rápidos estão a moldar as indústrias a um ritmo mais veloz do que a maioria das organizações consegue absorver. Com a IA a automatizar tarefas e também a redefinir modelos de negócio inteiros, as organizações estão a ser forçadas a adaptar-se continuamente e a um ritmo sem precedentes, acrescentando novas camadas de complexidade, pressão e urgência às operações empresariais correntes.

Entre as principais conclusões globais do estudo, destaque ainda para o facto da mudança estar a chegar de todas as direções. Os líderes estão a passar por ondas simultâneas de mudanças e atribuem esta aceleração a uma combinação de fatores, incluindo desenvolvimentos tecnológicos (77%), IA (75%), condições económicas (69%) e expetativas crescentes dos clientes (66%). Acresce que as fusões e aquisições são um ponto cego crítico, porque apesar do seu aumento, apenas 10% dos líderes consideram este domínio um desafio futuro significativo, o mais baixo de todos os obstáculos enumerados. Esta discrepância sugere uma potencial subestimação da perturbação relacionada com as transações.

Também foi identificada uma discrepância de confiança no âmbito da liderança. Os CEO são os mais otimistas quanto à preparação das suas organizações para a mudança (8,4/10), enquanto os diretores de RH são os menos otimistas (7,5/10). A divergência aponta para um desalinhamento entre a ambição estratégica e a capacidade operacional. Por último, o maior risco não é a resistência, mas sim a confusão. O planeamento deficiente, a estratégia pouco clara e a comunicação inconsistente estão entre os obstáculos mais significativos para uma mudança bem-sucedida. Os dados sugerem que a ambiguidade na fase inicial – e não a resistência dos funcionários – é a verdadeira ameaça à transformação.

No âmbito desta análise, António Cunha Vaz, presidente e CEO da H/Advisors CV&A e Executive Chairman da H/Advisors Bruxelas, sublinhou a importância de preparar as lideranças para guiarem processos de transformação e lembrou que “liderar no contexto atual é, antes de mais, eliminar a ambiguidade. Primeiro, cada líder tem de compreender e acreditar na estratégia definida. É fundamental ter em mente que a credibilidade vem sempre antes da ação. Depois, é explicar de forma simples o que muda para cada equipa, porquê e o que isso significa para o futuro da empresa”.  Sublinha ainda que “anunciar mudanças é fácil, mas sustentá‑las com argumentos sólidos, alinhamento entre decisores e escuta ativa é o que diferencia quem avança de quem fica para trás”.

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