Portugueses entram em 2026 confiantes, mas preparados para apertar o cinto

Apesar da inflação persistente, do custo da habitação e das incertezas globais, 63% dos portugueses dizem sentir-se positivos em relação às suas finanças no início de 2026. Ainda assim, a maioria antecipa cortes, num exercício de equilíbrio entre ambição, prudência e autodisciplina financeira, conclui novo estudo.

Os portugueses entram em 2026 com um sentimento que mistura esperança e contenção. Apesar da inflação persistente, do custo da habitação e das incertezas económicas globais, quase dois terços dizem sentir-se confiantes em relação à sua situação financeira. Ainda assim, a maioria antecipa cortes e ajustamentos, num exercício de equilíbrio entre ambição e prudência.

De acordo com um inquérito nacional realizado pela Dynata para a Revolut junto de mil adultos portugueses, 63% afirmam sentir-se positivos quanto às suas finanças no início de 2026. Destes, 18% dizem estar genuinamente satisfeitos com a sua situação atual. O otimismo é mais evidente entre os baby boomers, enquanto as gerações mais jovens revelam maior cautela — reflexo, em parte, de trajetórias profissionais mais instáveis e de maiores dificuldades no acesso à habitação.

A confiança, ainda que moderada, não é passiva. Um terço dos inquiridos (32%) planeia gerir o dinheiro de forma mais ativa, seja através da poupança ou do investimento. Outros 13% apostam em estratégias para aumentar o rendimento, como mudar de emprego, investir em novas competências ou procurar progressão na carreira. Ainda assim, a outra face da moeda permanece visível: 30% assumem uma visão pessimista, com 22% a confessarem ansiedade constante em relação às finanças pessoais e 8% a sentirem que, apesar do esforço, não conseguem progredir.

Autodisciplina como principal “ferramenta” financeira”

Quando questionados sobre o que mais poderia melhorar a sua situação financeira em 2026, os portugueses apontam menos para fatores externos e mais para o comportamento individual. A autodisciplina surge destacada como a principal “ferramenta” financeira: metade dos inquiridos considera que controlar impulsos e manter hábitos consistentes é mais determinante do que ganhar mais dinheiro.

Segue-se a educação financeira, mencionada por 33%, e, em terceiro lugar, a tecnologia: 21% acreditam que uma aplicação financeira simples e intuitiva poderia ajudá-los a controlar despesas, poupar e investir melhor.

Curiosamente, o impacto dos hábitos digitais no consumo não passa despercebido. Um em cada dez portugueses admite que uma proibição das redes sociais ajudaria a reduzir tentações de compra. Percentagem semelhante diz que recorreria a ferramentas de inteligência artificial para planear e gerir melhor o orçamento.

“A motivação pessoal e a autodisciplina continuam a ser os principais motores do progresso financeiro, mas a tecnologia pode ser uma forte aliada na transformação de boas intenções em resultados concretos”, afirma Ignacio Zunzunegui, Head of Growth Southern Europe da Revolut. “Ao consolidar insights de despesas, orçamento e opções de investimento numa única plataforma sofisticada, a Revolut capacita os clientes a ir além da simples autodisciplina e a alcançar uma verdadeira mestria financeira em 2026”.

Contenção marca as expectativas para 2026

Quase seis em cada dez portugueses esperam ter de fazer cortes para acomodar despesas essenciais como habitação, energia e alimentação. A roupa lidera a lista das cedências, com 30% a preverem gastar menos. Seguem-se as despesas não essenciais — viagens, beleza e compras por impulso — referidas por 26%. Mesmo o supermercado não escapa à pressão: 21% planeiam reduzir gastos com alimentação, um dado que evidencia o impacto continuado do custo de vida.

Mais preocupante é o facto de 7% admitirem que poderão ter de cortar em despesas com saúde ou cuidados médicos, um indicador sensível num contexto de envelhecimento da população e de crescente pressão sobre os serviços públicos.

Ainda assim, há áreas que muitos consideram intocáveis. Para 14%, as despesas com os filhos não entram em negociação. Outros 12% dizem não estar dispostos a abdicar de viagens, e a mesma percentagem recusa cortar em restaurantes e refeições fora de casa — pequenos prazeres que continuam a ser vistos como essenciais para a qualidade de vida.

No balanço final, apenas 10% dos portugueses se sentem plenamente confiantes de que conseguirão suportar tudo o que precisam e desejam em 2026 sem dificuldades. Um quarto acredita que será possível, mas apenas com planeamento rigoroso e esforço contínuo.

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