Conheça cinco projetos que têm potencial para mudar o mundo ao reutilizarem materiais que, de outra forma, iriam acabar em aterros.

Transformar lixo em dinheiro. Este é o negócio de algumas start-ups inovadoras espalhadas um pouco por todo o mundo. Qual a importância deste tipo de soluções? O número crescente de lixo produzido. De acordo com os dados do Banco Mundial, espera-se que a criação de lixo, a um nível global, passe de duas mil milhões de toneladas, em 2016, para 3,4 mil milhões de toneladas, em 2050.

Para contrariar este aumento de 70% em apenas 34 anos, alguns empreendedores de todo o mundo começaram a arranjar forma de criar soluções a longo-prazo para gerir o lixo. A apoiá-los estão organizações como a Chivas, que através da sua competição anual para empreendedores sociais, intitulada Chivas Venture, pretende financiar projetos com potencial de criarem uma sociedade melhor – e entre os quais se destaca a portuguesa SPEAK Social.

Entre os 20 finalistas do concurso, encontram-se cinco equipas que estão a transformar lixo em dinheiro. Conheça-as:

Copia – desperdício de comida (Estados Unidos)

Segundo esta start-up de São Francisco, a fome existe não por causa da falta de comida, mas sim por falta de logística. O objetivo da Copia é consciencializar os negócios em relação ao desperdício ao fazerem uma gestão eficaz e terem a possibilidade de doarem a comida em excesso.

Com presença em 13 cidades norte-americanas, este ano a equipa vai conseguir alimentar três milhões de pessoas com comida de elevada qualidade – que caso não fosse para os mais necessitados iria diretamente para o lixo.

Intenções para os 100 mil dólares: Abrir 200 novas localizações e contratar mais pessoas.

Revive Eco – borras de café (Escócia)

Criada por dois antigos trabalhadores de bares e cafés, a Revive Eco vem responder a um problema pouco discutido: as mais de 500 mil toneladas de borras de café que anualmente são despejadas para aterros no Reino Unido.

Tal como seria de esperar, o caminho para tornar o desperdício de café num negócio não foi fácil, especialmente porque nenhum dos cofundadores tinha um background tecnológico. Contudo, a falta de experiência e a ingenuidade levaram-nos a questionar tudo desde o primeiro dia – o que pode ser positivo para um empreendedor.

Eventualmente, encontraram o ouro dentro das borras de café: químicos que podem ser extraídos deste produto e que servem como substituto do óleo de palma – um dos principais causadores de desflorestação a nível mundial. O extrato torna assim as indústrias da cosmética e farmacêutica mais amigas do ambiente.

Intenções para os 100 mil dólares: Permitiriam financiar o aumento da sua linha de processamento de borras de café de cinco quilos por hora para 100.

Syntoil – pneus usados (Polónia)

13 milhões de toneladas. Este é o número associado aos pneus em fim de vida e que todos os anos acabam em aterros ou queimados.

Para combater este problema, a Syntoil desenvolveu um método para dar uma nova vida aos pneus carecas e à borracha. O processo cria três produtos:

(1) gás, que por sua vez gera eletricidade;
(2) petróleo, que pode ser utilizado na produção de outros pneus;
(3) e fuligem, que pode ser utilizada na produção de graxa, pneus e tintas.

Nos Estados Unidos, prevê-se que o mercado para este último produto aumente dez vezes em apenas cinco anos.

Intenções para os 100 mil dólares: Descobrir e criar novas formas de reutilizar os pneus ao desenvolver o processo de decomposição.

Vegea – biotêxtil a partir de desperdícios da indústria do vinho (Itália)

E se lhe disséssemos que a produção de vinho gera sete milhões de toneladas de lixo todos os anos. Ficou com menos vontade de beber? Provavelmente não e é por este motivo que os italianos Vegea criaram uma linha de têxteis sintéticos a partir dos desperdícios provocados por esta indústria.

Para além de estarem a alavancar a boa relação da produção de vinho com o ambiente, estes fundadores estão a atacar um problema ainda maior: os danos causados pela fast fashion (que utiliza mais de 100 milhões de toneladas de petróleo todos os anos).

Intenções para os 100 mil dólares: Mais rapidez para se lançarem no mercado e apoiar os trabalhadores da empresa.

Xilinat – desperdício agrícola (México)

A meta da Xilinat é adoçar a vida de toda a gente ao transformar desperdícios agrícolas num substituto natural do açúcar. O produto parece e sabe a açúcar, mas é seguro para diabéticos, baixo em calorias e protege os dentes contra cáries.

Ao reutilizar os desperdícios agrícolas, a equipa mexicana não só está a combater um problema ambiental, visto que mais de 40% do dióxido de carbono criado no país é causado pela incineração deste tipo de lixo, como também está a melhorar a vida dos agricultores, e respetivas famílias, ao comprar-lhes um produto que anteriormente não tinha valor monetário.

Intenções para os 100 mil dólares: Contribuir para o desenvolvimento do negócio, processar 80 milhões de toneladas de desperdícios agrícolas e evitar a emissão de 70 toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera.

Pode votar nos seus projetos preferidos no site oficial da Chivas Venture Competition.

Comentários

Sobre o autor

Avatar