As incubadoras criadas no meio universitário permitem que os alunos desenvolvam competências vitais para se tornarem mais produtivos e acrescentar valor à economia externa. Será possível capitalizar este potencial? Veja-se os casos americano e indiano.

O papel do empreendedorismo universitário não pode ser subestimado na economia atual. Com o acesso descentralizado à tecnologia, os alunos estão melhor equipados para ir além dos programas curriculares tradicionais e desenvolver competências que os tornam mais produtivos. Há também uma abundância de ideias e criatividade, e muitos programas de pós-graduação voltados para a tecnologia têm hoje algumas das melhores mentes. Além de que, quando deixados ao acaso, o talento e a criatividade podem passar por um processo difícil em que, no final do curso, os alunos acabam por ser apenas aspirantes a um emprego. O que resulta na perda de grande potencial.

Para ter uma ideia do que este panorama pode significar, o site People Matters analisou o estado do empreendedorismo universitário nos Estados Unidos da América. De acordo com dados do Relatório Universitário de 2019 do fundo de capital de risco Contrary Capital, as dez principais universidades americanas criaram 1167 start-ups lideradas por estudantes desde 2017. O que, por sua vez, desempenha um papel maior na criação de um ecossistema autossustentável que contribui para o crescimento da taxa de emprego e a criação de postos de trabalho. O setor de start-ups torna-se, assim, num meio importante pelo qual os benefícios dos avanços tecnológicos levam à produtividade da economia, criando emprego pelo caminho.

Esta constatação não se restringe apenas aos EUA. Na Índia, por exemplo, as start-ups passaram a desempenhar um papel importante na maneira como o desenvolvimento tecnológico dissemina benefícios económicos. Muitas tiveram acesso a um ambiente de financiamento saudável que promove a inovação e cria emprego. Mas, enquanto o ecossistema geral de start-ups amadurece, a capacidade dos jovens para capitalizar o crescente acesso a melhores tecnologias e de acrescentar valor à economia permanece ausente.

Colmatar a lacuna entre a juventude e o acesso à tecnologia
O People Matters salienta o facto de, nos últimos anos, a Índia ter aprovado políticas para abordar essa lacuna. Recentemente, o AICTE – All India Council for Technical Education tornou obrigatório os institutos ministrarem educação técnica aos jovens, levando a que muitas instituições tenham de apoiar o espírito empreendedor dos estudantes. O AICTE também lançou um guia com diretrizes no sentido de ajudar as universidades e institutos a fornecerem infraestruturas que permitam aos alunos praticar e desenvolver as suas capacidades de empreendedorismo, com destaque para :

# O papel das universidades na promoção de talento tecnológico e no fornecimento de oportunidades para que as competências floresçam no atual ambiente económico não pode ser subestimado. Silicon Valley, que se tornou sinónimo do boom das start-ups de tecnologia nos EUA, sempre teve um relacionamento próximo com instituições de primeira linha, especialmente Stanford. Segundo um relatório do Fórum Económico Mundial, essa correlação é esperada porque as universidades têm todos os meios e recursos para apoiar jovens empreendedores, como laboratórios onde testar, contactos para fazer e mentores nos quais confiar.

# Os estudantes nas universidades têm a compreensão suficiente do mundo para iniciar um negócio e tempo para trabalhar ideias de negócios. A capacidade de assumir riscos para um aluno nesta altura é muito baixa: se o empreendimento falhar, pode sempre começar de novo.

A colaboração entre universidades e indústrias é uma forma importante de promover um melhor ambiente de desenvolvimento para os estudantes. As faculdades podem melhorar a colaboração criando estruturas transparentes para parcerias, o que inclui nomear um facilitador de parceria dedicado a ajudar os líderes das empresas a entender os processos e as sequências de colaboração dentro da universidade. Esta medida permite à universidade orientar a colaboração de modo estruturado.

Na última década os diferentes Estados indianos adotaram medidas para melhorar as condições nas faculdades e institutos, transmitindo conhecimento técnico para permitir que os estudantes tenham acesso a um ambiente empreendedor saudável. Programas como o Student Entrepreneurship Scheme formalizaram bolsas de participação e crédito para alunos empreendedores, enquanto a Startup Village provou ser um modelo público-privado de incubação de sucesso das ideias dos estudantes.

Por outro lado, os programas estatais mais antigos foram fortalecidos com as mudanças introduzidas pelo AICTE. Melhorar o acesso a oportunidades de financiamento e desenvolvimento de competências pode permitir que os alunos não só entrem no mercado de trabalho com talento mais qualificado, como acabem também por se tornar criadores de emprego.

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