3 factos sobre a desigualdade de género nas áreas CTEM

A ciência e a igualdade de género são vitais para o mundo alcançar metas de desenvolvimento sustentável e, nos últimos anos, muito tem sido feito para ajudar a inspirar mulheres e meninas a estudar e a trabalhar em áreas técnicas. Mas, segundo dados das Nações Unidas, as mulheres continuam a ser sub-representadas neste ramo.

O Forum Económico Mundial aponta três factos que todos devemos saber sobre mulheres e ciência, tecnologia, engenharia e matemática (as conhecidas áreas CTEM, ou STEM na sigla em inglês).

1. Existe uma lacuna de género na ciência
As mulheres estão em minoria no mundo da ciência. Em média menos de 30% dos investigadores do mundo são mulheres e essa sub-representação acontece em todas as regiões do mundo. Existem algumas excepções. Quase metade dos investigadores da Ásia Central são mulheres Ásia Central. Mais de 80% dos investigadores Mianmar são do sexo feminino, e há mais mulheres investigadoras do que homens em países como Azerbaijão, Tailândia e Geórgia.

No entanto, a média cai para 18,5% no sul e oeste da Ásia, com as mulheres representam menos de 15% dos investigadores a Índia. Em regiões como América Latina, Caraíbas, Médio Oriente e países da Europa Central e oriental a participação feminina no sector ronda os 40%. As médias da América do Norte, Europa Ocidental e África Subsaariana oscilam na casa dos 30%.

2. Uma percentagem reduzida de alunas escolhem CTEM no ensino superior
Apenas 3% dos estudantes que entram em cursos de tecnologia da informação e comunicação (TIC) em todo o mundo são mulheres. A percentagem sobe ligeiramente, para os 5%, nos cursos de matemática e estatística, e melhora um pouco mais,  8%, nos cursos de engenharia, produção e construção. As mulheres são mais atraídas pelos cursos de CTEM em algumas regiões do mundo, mas a situação global permanece desequilibrada.

No Reino Unido, as mulheres representam 35% dos estudantes de CTEM no ensino superior. Neste país, as mulheres representam um terço das matriculadas em cursos de ciências físicas (como física, química e astronomia) e uma proporção semelhante em cursos de ciências matemáticas. Mas quando analisados os cursos de ciências da computação, engenharia e tecnologia a percentagem é consideravelmente menor, com as mulheres a constituir apenas um quinto do corpo discente desses cursos.

3. Os preconceitos e estereótipos de género afastam as mulheres de carreiras em CTEM
Estereótipos de género e preconceitos afastam meninas e mulheres de seguir carreiras em áreas relacionadas com a ciência. Um estudo do Gender Bias Without Borders, que analisou a representação das mulheres no cinema em personagens ligadas às ciências, demonstra como os estereótipos de género são reforçados pela forma como as mulheres são caracterizadas nos filmes.

O estudo mostra que menos de um terço de todos os papéis relacionados com CTEM são desempenhados por mulheres. No cinema, engenheiros, cientistas e matemáticos são maioritariamente interpretados por homens, com sete vezes mais papéis CTEM masculinos do que papéis femininos nos filmes. Apenas 12% dos personagens com trabalhos CTEM eram mulheres. Esta situação influencia as percepções diárias dos papéis sociais dos géneros.

As mulheres que optam por enfrentar o desafio e seguir uma carreira nas áreas CTEM mais tarde enfrentam a perspetiva de remuneração desigual e a progressão na carreira restrita.

Tendo em conta este cenário, o Instituto de Estatística da UNESCO está a desenvolver novos indicadores para compreender melhor a dinâmica que molda as decisões das mulheres que procuram uma carreira nas áreas CTEM. O objetivo é mostrar até que ponto as decisões familiares, considerações financeiras, cultura no local de trabalho e discriminação podem moldar as escolhas e progressões das mulheres nestas áreas.

Comentários

Artigos Relacionados