Opinião
2026 e o desafio da nossa energia mais valiosa (e renovável): a humana
Com o início de um novo ano, instala-se aquele frenesim habitual nas organizações: fecham-se orçamentos, desenham-se estratégias, afinam-se KPIs financeiros. É natural, faz parte da boa gestão. Mas talvez este seja o momento certo para mudar a pergunta de partida.
E se a entrada em 2026 não fosse apenas uma mudança de calendário, mas sim a decisão consciente sobre que tipo de energia queremos usar para alimentar o crescimento das nossas empresas?
Durante anos, a prioridade foi a velocidade: responder rápido, produzir mais, adaptar-se depressa. Hoje, o verdadeiro desafio já não é a rapidez, mas a longevidade da energia, da motivação e do compromisso das pessoas. O futuro exige consistência, equilíbrio e visão de longo prazo. É aqui que entra aquilo que considero a nossa maior vantagem competitiva para 2026: a Sustentabilidade Humana, a única fonte de energia verdadeiramente renovável dentro das organizações.
Falar de Sustentabilidade Humana é ir muito além do bem-estar como benefício acessório. É criar condições para que as pessoas não apenas “funcionem”, mas floresçam. É a transição de uma lógica de gestão de recursos para uma liderança que cultiva potencial humano. Quando olhamos para as equipas como pessoas inteiras, com ambições, famílias, saúde, ciclos de vida e sonhos, libertamos níveis de envolvimento, criatividade e responsabilidade que nenhuma política rígida consegue impor.
Os dados reforçam esta realidade. Estudos recentes indicam que colaboradores envolvidos são até 23% mais produtivos, enquanto o burnout já custa às empresas europeias milhares de milhões de euros por ano em absentismo, rotatividade e perda de desempenho. Não estamos perante um tema “soft”, mas perante uma variável económica crítica.
Acredito profundamente que, em 2026, o diferencial competitivo não será a tecnologia que compramos, mas a energia que conseguimos gerar e sustentar internamente. Organizações que promovem saúde mental, respeitam o descanso e investem na aprendizagem contínua estão, na prática, a proteger a sua própria longevidade. Pessoas descansadas e valorizadas têm mais clareza, tomam melhores decisões e assumem maior responsabilidade pelos resultados.
Neste contexto, o “S” do ESG deixa de ser uma métrica de relatório para passar a ser o verdadeiro motor da inovação e da sustentabilidade do negócio.
O papel do líder moderno acompanha esta mudança. Liderar em 2026 será, cada vez mais, facilitar energia positiva, criar segurança psicológica e dar sentido ao trabalho. Num mundo onde a Inteligência Artificial tratará cada vez mais do processo, o progresso continuará a depender do toque humano. Empatia, intuição, pensamento crítico e capacidade de conexão só emergem plenamente em contextos onde as pessoas se sentem vistas, respeitadas e cuidadas.
Vejo um futuro muito promissor para as empresas portuguesas que abracem esta visão. Temos talento resiliente, criativo e altamente adaptável. Se lhe dermos o “solo fértil” de culturas empáticas, exigentes e humanas, os resultados surgem de forma natural e sustentável.
Que a nossa principal resolução para 2026 seja clara: encarar a Sustentabilidade Humana como uma oportunidade estratégica. Cuidar das pessoas é, hoje, uma das formas mais inteligentes de cuidar do negócio. Quando os colaboradores sentem que a empresa é simultaneamente um porto seguro e um trampolim para o seu crescimento, devolvem essa confiança em compromisso, lealdade e performance.
Façamos de 2026 o ano em que construímos organizações verdadeiramente prósperas, alicerçadas não apenas em resultados financeiros, mas em vidas profissionais com significado.








