Qual é o futuro da saúde numa realidade em que as novas tecnologias emergentes começam a liderar o setor? Esta foi a pergunta de partida para o evento que ocorreu ontem, dia 29 de janeiro, na sede da AGEAS Portugal, no Parque das Nações, em Lisboa.

A conferência, que teve a SingularityU Portugal como parceiro, deu voz a dois portugueses que estão a “atacar” doenças que afetam milhões de pessoas: a iPrognosis, que está a desenvolver uma nova solução para o diagnóstico de Parkinson, e um departamento da Fundação Champalimaud, que está a promover novas formas de melhorar a qualidade de vida das mulheres que sofrem de cancro da mama.

iPrognosis:
Este projeto tem como finalidade encontrar uma solução para detetar mais facilmente a doença de Parkinson através de dispositivos do dia-a-dia. Por agora, os testes à deteção são feitos através de smartwatches, smartphones e smartbelts. A ideia é encontrar padrões nos doentes de Parkinson que tornem possível um diagnóstico quando a doença ainda está numa fase embrionária. O projeto conta com o apoio de quatro milhões de euros do fundo Horizon 2020. Atualmente, o objetivo passa por ter cinco mil utilizadores para poder recolher informação suficiente.

Fundação Champalimaud:
Pedro Gouveia faz parte do departamento da Fundação Champalimaud que está a atacar as diferentes formas como o cancro da mama afeta a vida de quem sofre da doença. Os dados apontam para que em Portugal morram, anualmente, cerca de 1.500 mulheres devido a este problema. Em conjunto com a sua equipa, o cirurgião desenvolveu um sistema capaz de fazer o diagnóstico precoce de uma das principais causas de morte oncológica a nível nacional.

Jim Stolze, da SingularityU Holanda, também marcou presença no evento. O especialista em inteligência artificial falou sobre as formas como a tecnologia está a alterar a saúde. Um dos tópicos foi a 23andme, uma empresa norte-americana capaz de testar o ADN e passar alguns resultados, como a descendência e a probabilidade de uma pessoa ter certas doenças. Jim Stolze deixou ainda a ideia de que, num futuro próximo, empresas como a AGEAS vão pagar aos clientes para fazerem testes de ADN como os efetuados pela 23andme. A ideia é obter informação para ter mais dados com que trabalhar.

Em declarações ao Link to Leaders, Steven Braekveldt, CEO da AGEAS Portugal, sublinhou que acha “importante que, cada vez mais, haja uma chamada de atenção sobre a forma como tudo está a mudar tão rapidamente. É igualmente importante abrir os olhos e ver que toda a gente precisará disto, caso contrário, será deixada para trás. Portugal, como país, precisa de evoluir da forma que tem vindo a faze. Todos os eventos que estamos a receber, como a Singularity University, a Web Summit e o Building the Future, são bastante importantes porque mostrar às pessoas essa mudança e criar a urgência de agir”.

A conferência terminou com um painel de debater entre Steven Braekveldt, Ricardo Marvão, da Beta-i, Sofia Balula Dias, da iPrognosis, e Pedro Gouveia, investigador da Fundação Champalimaud.

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