Todos os meios de pagamento, uma única gateway. Este é o lema da Easypay, uma fintech que está no mercado há uma década e que quer melhorar a relação dos portugueses com os pagamentos online. Sebastião de Lancastre explica o posicionamento da empresa.

Criada em 2007, a Easypay é uma empresa portuguesa que atua na área dos pagamentos eletrónicos. No ano de abertura, permitiu a realização de pagamentos através de referência multibanco e, em 2008, via débito direto. Atualmente oferece, numa única plataforma, os principais instrumentos de pagamento eletrónico: Multibanco, Visa, MasterCard, American Express, Transferências Bancárias, Débitos Diretos SEPA e o popular Boleto Bancário do Brasil.

Como se definem enquanto empresa? Que mais-valias propõem ao mercado/clientes?
A Easypay pode ser definida como um banco light, que fornece um serviço de gestão de pagamentos e cobranças às empresas. A mais-valia da empresa, além de todo o conhecimento e profissionalismo dos recursos humanos, é o posicionamento junto dos clientes: dizermos sempre que sim e somos os mais rápidos.

Qual o target prioritário? Empresas, utilizadores finais?
Temos soluções para empresas, mas este ano vamos lançar uma nova solução, chamada abypay, especialmente dedicada aos particulares. Criada em Portugal e por uma empresa portuguesa, com tecnologia Blockchain, esta solução apresenta novas funcionalidades face às já existentes no mercado, como transferências bancárias instantâneas, reembolsos e serviços de pagamentos online e utilização de 35 moedas reguladas. A abypay foi desenvolvida pela Easypay, em parceria com a Bitcoinjá. A tecnologia associada é desenvolvida num ambiente seguro.

Avançaram então com a rede ATM e com a app abypay como anunciaram no início de 2017…
Sim, avançamos. Conseguimos concluir o registo e a abertura da abypay na suíça, em Zug, e já estamos a iniciar os contactos com os comerciantes portugueses para a aceitação desta rede de pagamentos.

Qual o ponto de situação neste momento? Qual a dimensão da vossa rede de pagamentos?
A Easypay tem vindo a crescer exponencialmente ano após ano. Em termos de volume de pagamentos em 2017, registamos um número recorde na ordem dos 126,8€ milhões, representando um crescimento de 51%, e um outro número recorde no número de pagamentos, na ordem dos 4,3 milhões, representando um crescimento de 38%. Mas a Easypay também cresceu noutros parâmetros, como em termos de recursos humanos, com um crescimento de 40%.

Ostentam como objetivo “potencializar e simplificar as cobranças através de soluções flexíveis”. De que forma transpõem esse objetivo para a prática?
A melhor forma de o mostrarmos é olhando para os nossos clientes e para o seu crescimento. Falamos do Media Markt, da EMEL, da Samsung, da Renova e de mais de cinco mil empresas de referência em Portugal. Olhando para a simplicidade como estes operam no que diz respeito aos pagamentos é o melhor espelho da nossa atividade e a melhor forma de compreendermos que estamos no caminho certo e a cumprir com o nosso objetivo.

Contam com diversas parcerias, nomeadamente em softwares de gestão, por exemplo…Como se enquadram essas parcerias no vosso modelo de negócio?
Estas parcerias são estratégicas e determinantes para o sucesso da Easypay. Queremos ser rápidos e ágeis com os nossos clientes, pois essa é a nossa mais-valia. Ao ter parcerias com softwares de gestão e faturação conseguimos cumprir esse objetivo. É muito mais simples chegar a um software de faturação e introduzir dois ou três códigos, por oposição a ter de criar uma solução de raiz.

Como avalia a relação dos portugueses com os pagamentos online? O grau de confiança tem aumentado?
Nem por isso. Continuamos a assistir à utilização da referência MB para fazer pagamentos online. Por um lado, é bom para os comerciantes, que os deixa mais protegidos, mas para os clientes é pior. Os portugueses não utilizam cartões quando compram online porque têm medo de partilhar os seus dados online, porque preferem que o dinheiro saia diretamente da conta e porque assumem que ao utilizarem o cartão de crédito estão a pedir um crédito pelo qual vão pagar juros. Embora todas estas justificações sejam válidas, estão essencialmente erradas. Os portugueses não conhecem os seus direitos na utilização dos diferentes meios de pagamento e deixam-se levar por aquilo que lhes dá maior sensação de segurança, não sendo efetivamente o método que os deixa mais protegidos.

Qual tem sido a evolução do vosso volume de transações?
A Easypay tem vindo a observar um crescimento a dois dígitos ano após ano, duplicando o volume de transações a cada dois anos.

Posicionam-se como concorrentes da rede multibanco?
O trabalho que a Easypay tem feito é o de ajudar as empresas que não conseguiam incluir a rede MB nas suas infraestruturas. Ainda temos muito para ir buscar, sendo que, em Portugal, 86% das transações monetárias ainda são feitas em dinheiro, essencialmente porque as transações digitais e por cartão ainda são caras e demoram muito tempo. Há países, como a Dinamarca ou a Suécia, onde as transações em dinheiro são apenas 20%, porque há alternativas rápidas, seguras e baratas. É preciso arranjar um caminho para facilitar as transações digitais e a Easypay está a empenhada em encontrá-lo.

Enquanto fintech, como analisa a evolução deste sector nos últimos anos em Portugal e internacionalmente?
Em Portugal a evolução é medíocre. O regulador é pouco ágil e a comunicação com este é antiquada. Mas também surgem obstáculos à evolução do setor que vêm da parte do governo, ao não haver uma legislação clara para incentivar este tipo de empresas. Perante este quadro é mais do que natural haver um setor reduzido a poucos players. Um exemplo muito claro desta inação é o que está a acontecer com a nova diretiva europeia para os pagamentos, a PSD2, que deveria ter sido transposta obrigatoriamente até ao dia 12 de janeiro e, por não ter sido, Portugal vai pagar uma multa. Esta transposição ainda está em banho-maria. Está perdida na Assembleia da República e ninguém pega nela.

Têm inovações em agenda para este ano? 
Sim. Temos inovação no campo dos pagamentos instantâneos. A Easypay vai apresentar uma solução para os pagamentos instantâneos, bem como anunciar algumas parcerias estratégicas que vai fazer com alguns bancos em Portugal.

Respostas rápidas:
O maior risco: Não ouvir os clientes
O maior erro: Ter lançado a Easypay em portugal
A melhor ideia: Apostar nos recursos humanos
A maior lição: A tecnologia falha
A maior conquista: Não é preciso ser-se politicamente correto para se ter sucesso.

 

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