Num auditório repleto de profissionais dos mais variados setores de atividade, a VdA Academia realizou o seu VI Encontro de Academias Corporativas. Desta vez o tema foi “Building a Learning Mindset- A (Trans) Formação do Talento”.

“Um momento enriquecedor de partilha de experiências e de ideias”. Foi com este statement que Margarida Couto, presidente da VdA Academia, iniciou os trabalhos de mais um encontro de Academias Corporativas, uma iniciativa realizada na semana passada, na Nova SBE, em Carcavelos. Margarida Couto aproveitou para lembrar que 2019 é um ano especial porque a VdA Academia celebra 10 anos de atividade, “um período ao longo do qual tem tentado evoluir sempre em colaboração, e numa procura de partilha de conhecimento e de boas práticas, com as pessoas e entidades com que lidamos”, congratulou-se.

Também Manuel Protásio, da VdA Academia, lembrou a realização destes encontros desde 2014, sempre com preocupação de serem “uma oportunidade de pensarmos todos em conjunto sobre temas da atualidade”, destacando o papel destas academias corporativas que, no fundo, “devem ser um centro de pesquisa, de pensamento, de concetualização e de tentativa de dar um suporte cientifico a estes temas centrados no desenvolvimento das organizações, como são os temas que têm a ver com as pessoas e com o talento e com o desenvolvimento profissional”. Felizmente, frisou, as academias vão crescendo e as organizações vão-se preocupando cada vez mais com os aspetos que têm a ver com a formação profissional, com a criação e o desenvolvimento. Isto só tem riqueza se de facto for uma plataforma de criação de bases de confiança entre empresas e academias. De outro modo, vivemos sempre fechados nos nossos próprios silos e nunca criamos as ideias que nos levam mesmo a progredir”, salientou Manuel Protásio.

O encontro teve como ponto de partida o mote “Building a Learning Mindset- A (Trans) Formação do Talento”, em torno do qual os dois oradores convidados – Francisco Miranda Rodrigues, da Ordem dos Psicólogos Portugueses, e Nadim Habib, professor da Nova SBE – fizeram as suas apresentações.

Ao longo da sessão de trabalho deste VI Encontro de Academias Corporativas foram trabalhadas algumas variáveis indispensáveis à criação de uma cultura de aprendizagem de progresso nas organizações. Essas variáveis compreendem Content, Teaching Styles and Motivation. E foi com base nelas que foram lançadas perguntas retóricas sobre as quais foi feita uma reflexão conjunta, como por exemplo: Que conteúdo formativo é crítico para um determinado público-alvo? Que métodos e abordagens são utilizados para uma formação de sucesso? O que motiva um potencial formando a investir na sua formação?

A visão dos oradores
Francisco Miranda Rodrigues, da Ordem dos Psicólogos Portugueses partilhou com o auditório algumas reflexões sobre o tema e os contributos que a psicologia pode dar. Começou por abordar o conceito de felicidade no panorama organizacional, um conceito que a psicologia prefere substituir pelo de bem-estar. Este sim, afirmou, um conceito com bastante aplicação nos contextos organizacionais.

A propósito do tema do encontro – Building a Learning Mindset – o responsável da Ordem dos Psicólogos lembrou que nunca se falou tanto de aprendizagem como agora. “Esta ideia de aprender nunca foi tão relevante. Antes de falar em tecnologia e em auxiliares tecnológicos de aprendizagem, convém falar desta matéria e do contributo que pode dar para uma aprendizagem de desenvolvimento contínuo”.

Identificou as pessoas entre as que têm um mindset tendencialmente fixo e as que têm um mindset de desenvolvimento e de crescimento, uma caraterização que “considera essencial ter presente quando os tempos de hoje colocam desafios cada vez maiores em termos de atualização, de aprendizagem permanente, tendo em conta aquilo que vai mudando à nossa volta”. Bem como a necessidade das nossas organizações terem uma cultura que facilite, ou que não dificulte, esta necessidade de aprender. Isso é crucial para que as pessoas que trabalham nas organizações se sintam empenhadas, interessadas e tenham uma atitude permanente e comportamentos voltados para a aprendizagem”, frisou.

Em suma, “a cultura das organizações deve ser voltada cada vez mais para o bem-estar, o que tem uma relação direta com o facto de as pessoas quererem aprender cada vez mais, com melhor desempenho e melhor rentabilidade nas organizações”, destacou Francisco Miranda Rodrigues.

Por sua vez,  professor da Nova SBE, Nadim Habib, alertou para o facto de vivermos numa época em que todos falam que o talento é o ativo mais precioso, mas quando se entra nas organizações a realidade é diferente. “Suspeito que andamos muito perdidos nas nossas organizações. Nunca senti tanta gente perdida, com tanto stress nas organizações. Claramente, precisamos de repensar as coisas”, alertou. Acrescentou ainda que as organizações estão a sofrer muito com questões de produtividade, estão a trabalhar com menos pessoas e é preciso reorganizar as estruturas e ver como aplicar a nova tecnologia.  “Isto tem sido doloroso porque estamos a pedir às pessoas que mudem a forma de trabalhar”. E sabemos trabalhar o talento?, questiona Nadim Habib. Mais uma vez suspeita que não, porque talento é difícil.

Em jeito de conclusão deste VI Encontro de Academias Corporativas, Sandra Pedro Serrano, CEO da VdA Academia, explicou que a ideia base do encontro era fazer com que todos os participantes saíssem “com ideias mais concretas e com estratégias para podermos apresentar nas nossas organizações, e fazemos mais, fazermos melhor e desenvolvermos o potencial que temos, das nossas pessoas e das nossas organizações”.

Este ano o programa do encontro contemplou ainda uma dinâmica nova que envolveu, na segunda parte, todos os participantes em torno da arte do origami, ou seja, da arte da transformação.

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