As start-ups portuguesas que participaram na primeira edição da Web Summit em Lisboa, em 2016, captaram até hoje quase 60 milhões de euros em financiamento, após 41 rondas de investimento. E embora não contabilize o impacto do evento nas start-ups nacionais, o Ministério da Economia garante que a edição de 2017 da Web Summit produziu um valor acrescentado na economia do país de cerca de 124 milhões de euros.

Apesar de não existirem dados mais recentes, os números aqui apresentados são já reveladores do contributo da Web Summit para a nossa economia, em particular as oportunidades de financiamento e de negócio que cria para as start-ups nacionais. Há, de resto, indicadores muito claros de que após a vinda da Web Summit o ecossistema empreendedor português conheceu um forte impulso.

Para se ter uma ideia, as empresas que integram a rede nacional de incubadoras (cerca de 3200) faturaram 2,23 mil milhões de euros em 2018 e 1,6 mil milhões em 2017, sendo que muitas destas receitas resultaram de exportações. Diga-se ainda que as empresas de base tecnológica nascidas nos últimos três anos ultrapassaram, em 2018, a barreira dos 2000 milhões de euros em faturação. Trata-se de um crescimento de 36% face a 2017 e de 70,5% face a 2016, o que coloca as vendas e serviços das start-ups portuguesas a valer 1,1% do PIB (em 2016 valiam 0,70%).

Claro que esta notável expansão não se deve apenas à realização da Web Summit em Portugal, a partir de 2016. A montante do evento, foram criados os alicerces sobre os quais assenta hoje o nosso ecossistema empreendedor. Nos últimos anos aumentaram consideravelmente os players do ecossistema, os centros de incubação e programas de aceleração, as formações especializadas em empreendedorismo, os sistemas de incentivo dirigidos a start-ups, as rondas de investimento e os instrumentos de financiamento (microcrédito, capital de risco, smart money…). Por outro lado, o sistema científico nacional passou a estar mais orientado para a inovação e aproximou-se do tecido empresarial.

Mas é inegável que a Web Summit colocou o ecossistema português sob a atenção internacional, com investidores, mentores, inovadores e empreendedores a olharem para o nosso país e para as nossas empresas com muito mais interesse. Isto diz-nos que, não só é necessário continuar a apostar no sucesso da Web Summit em Portugal, como são desejáveis mais eventos de impacto internacional centrados nas potencialidades e oportunidades do nosso ecossistema e, em particular, das suas start-ups.

Portugal deve valorizar as qualidades do seu ecossistema junto de investidores internacionais. É necessário um trabalho sistemático de internacionalização, fazendo realçar as oportunidades de negócio que o ecossistema encerra. É que de facto vale a pena investir na rede de start-ups portuguesas, pois não faltam exemplos de projetos de empreendedorismo que incorporam novos modelos de negócio, conhecimento especializado, tecnologias disruptivas, produtos/serviços inovadores e talento. Neste sentido, estas empresas reúnem os fatores críticos de competitividade e têm perspetivas de crescimento acelerado.

Importa, pois, organizar eventos que aproximem os investidores internacionais dos nossos empreendedores, para que projetos com potencial possam consolidar-se, ganhar escala e criar valor para o país. Caso contrário, arriscamo-nos a perder boas ideias de negócio numa altura em que o ecossistema português está particularmente dinâmico.

*Associação Nacional de Jovens Empresários

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José Pedro Freitas é presidente da ANJE-Associação Nacional de Jovens Empresários desde abril de 2019, tendo sido vice-presidente desde janeiro de 2017 e integrado os órgãos sociais da Associação, mais concretamente o Conselho Fiscal, nos mandatos eleitorais precedentes (2009-2013; 2013-2017).... Ler Mais