A valorização dos recursos humanos é um dos maiores desafios, se não o maior, que a atividade do turismo tem pela frente nos próximos anos. E é um desafio que deve obrigatoriamente ser ganho, se o país pretender manter-se competitivo numa área cada vez mais exigente.

Embora tenham sido dados passos decisivos nesta valorização, é uma evidência que há ainda muito trabalho a ser feito, tanto a nível das entidades públicas como pelas escolas, sem esquecer os próprios operadores turísticos.

A Estratégia para o Turismo 2027, definida pelo Governo, reconhece, precisamente, que a qualificação dos recursos humanos é um dos aspetos mais prioritários para o futuro próximo do setor. Neste sentido, estão em curso vários projetos, transversais em todo o país. Há um investimento nas escolas de hotelaria e turismo, assim como se aposta na revisão dos currículos destas escolas, adequando-os às necessidades e tendências do mercado. Pretende-se que a formação dos futuros profissionais do setor seja de elevada qualidade a vários níveis, com um reforço das soft skills, das áreas comportamentais, das línguas e das competências digitais, preparando-os para uma economia crescentemente digital e globalizada.

As entidades públicas têm cumprido o seu papel. Mas não conseguem, por si só, assegurar a devida valorização dos recursos humanos nesta área, nem tornar mais aliciante a perspetiva de quem escolhe uma carreira profissional no turismo. Compete às entidades privadas recompensar de forma adequada quem escolhe esta profissão. É um facto que a grande maioria dos trabalhadores do turismo não vê ainda a sua dedicação ser reconhecida financeiramente de forma justa.

Esta é uma profissão que nunca foi devidamente valorizada do ponto de vista social e está na altura de o fazer. É absolutamente vital valorizar a atividade turística, consciencializando os empresários para a necessidade de salários mais elevados. É fundamental que tal aconteça, se queremos que a qualidade do serviço acompanhe o crescimento deste setor.

O turismo é hoje um dos principais motores da economia nacional, sendo responsável por quase 10% do PIB e valendo 20% das exportações do país (e 58% das exportações na área dos serviços). É da mais elementar justiça recompensar devidamente quem se esforça todos os dias para proporcionar as experiências mais inolvidáveis a quem nos visita. São os trabalhadores quem, em última análise, recebe, auxilia e orienta quem nos visita – são eles os rostos e os sorrisos que fazem de Portugal o Melhor Destino Turístico do Mundo!

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Pedro Machado é Presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal desde 2013. Doutorado em Turismo, pela Universidade de Aveiro, é Mestre em Ciências de Educação, na Área de Especialização - Psicologia Educacional, pela Faculdade de Psicologia e... Ler Mais