Há pouco mais de um ano, as organizações viram-se obrigadas a repensar os seus negócios e a criar soluções inovadoras de forma a conseguirem dar resposta às exigências do mercado e à “nova realidade organizacional” que se instaurou.

O posicionamento das empresas alterou-se, o conceito “business as usual” perdeu força e as relações humanas ganharam maior relevo nas organizações. A liderança deixou de ser vista como uma atuação autoritária e distante, passando a dar primazia à transparência e à autenticidade.

O trabalho remoto e as relações à distância vieram evidenciar, ainda mais, o papel da comunicação nas organizações, bem como a crescente necessidade de reforçar a ligação das pessoas à organização e a um determinado propósito. As empresas aperceberam-se que a comunicação constitui um fator vital para a gestão de pessoas e para o próprio sucesso organizacional.

Mas porque é tão importante que exista transparência? Líderes com uma comunicação aberta, transparente e honesta transmitem muito mais confiança e segurança aos seus colaboradores, stakeholders e clientes, principalmente em momentos de mudança, onde os últimos procuram um maior apoio e orientação. Uma cultura assente na transparência pode ser verdadeiramente benéfica para todos os envolvidos, permitindo aumentar os níveis de inovação, criatividade, produtividade e motivação no seio de uma organização.

No atual ambiente complexo corporativo em que vivemos, a procura por transparência nunca foi tão importante como agora. É vista como uma cultura subjacente e flexível, um sistema de valores que leva tempo a ser construído. E, além disso, exige um equilíbrio saudável dentro das organizações.

Transparência não é sinónimo de falar acerca de tudo o que acontece dentro de uma organização. É necessário saber filtrar a informação relevante e partilhá-la no momento certo. A transparência empresarial pode ser simplesmente definida como abertura na comunicação entre colaboradores e líderes relativamente à política e à tomada de decisões, não precisando de estar intrinsecamente ligada a questões financeiras ou burocráticas.

Cada líder deve avaliar as necessidades da sua organização e perceber qual a melhor forma de comunicar. A escuta ativa, o estabelecimento de uma cultura assente no feedback e na recetividade mútua, bem como a escolha das ferramentas de comunicação certas, poderão fazer a diferença junto dos colaboradores.

Cabe à gestão de topo otimizar essa transparência através de ações simples como: esclarecer junto dos colaboradores que a mesma constitui um valor central na cultura da empresa; compartilhar informações sobre mudanças com os funcionários antecipadamente; manter uma abordagem empática face a questões pessoais e profissionais; explicar as decisões através de dados e de uma comunicação clara.‎

Uma empresa que se apresente no mercado com total transparência, refletindo os seus valores e ideais através de boas práticas de gestão e da transmissão de mensagens claras, irá não só aferir uma maior credibilidade junto dos diferentes públicos, como potenciar uma maior lealdade por parte dos clientes.  Ao fazê-lo, pode também afastar comportamentos desviantes na organização, aumentando a retenção dos colaboradores e melhorando a sua reputação empresarial.

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Sandra Alvarez é diretora-geral da PHD Media, do Omnicom Media Group. Tem 25 anos de experiência profissional nas áreas de marketing, comunicação, comercial, publicidade e media. Passou por várias empresas dentro destas áreas, tais como a Reckitt Benckiser, o Banco... Ler Mais