Respeito e confiança são a base de qualquer relação. Respeito significa que o outro é pelo menos tão importante como nós. E confiança vem de sabermos que podemos contar com o outro. Elementar, não?

Então porque raio tantas vezes falhamos no cumprimento daquilo com que nos comprometemos?
Porque será que pomos em causa a confiança e o respeito?

A razão pela qual falhamos e a forma como falhamos difere muito entre pessoas e entre situações.
Não conseguir fazer, apesar de todos os esforços é uma coisa –  aceitável, desde que devida e atempadamente avisado, e corretamente resolvido. Desistir perante contrariedades e não tentar resolver os problemas para conseguir entregar o que prometemos é outra – difícil de aceitar, mas eventualmente compreensível se a margem de atuação de quem falha for limitada … e uma vez mais tenha a outra parte sido devida e atempadamente avisada, e o assunto corretamente resolvido.
Estar-se completamente nas tintas, com total desinteresse pelas consequências que o nosso não cumprimento vai ter para os outros, ou falhar repetidamente o mesmo compromisso – isso é (ou deveria ser…!) inaceitável

Exemplos?
Tantos…
Entre marido e mulher (pagas a conta da luz, por favor / recebi uma carta a dizer que vão cortar a luz, o que se passa? / ah… não paguei ainda…); entre pais e filhos (não te deites sem lavar os dentes! / já lavaste os dentes? / vou já…); entre profissionais (vê esta lista e amanhã falamos de manhã para acertar todos os detalhes / então, tens dúvidas na lista? / não tive tempo de a ver…); entre amigos (amanha às 10h / então, onde estás? / a sair de casa…)

Com prazos de entrega (tem de estar tudo pronto até ao dia 10 / então, tudo pronto? /olha, não consigo entregar antes de 15…); com tarefas para cumprir (por favor revê o documento e devolve / então o documento que te pedi? / nunca mais me lembrei…); com níveis de qualidade (não esquecer que a porta é para ser de mola/ mas porque está a porta sem mola? / mas era com mola…?); com horas de encontros (saio em 5 minutos, já te ligo / os teus 5 minutos são enormes / ups, esqueci-me…).

Nas coisas mais básicas (por favor não te esqueças de trazer pão para o jantar / então o pão? / nunca mais me lembrei…); e nas mais complexas (temos de entregar a encomenda ao cliente amanhã, preciso que acabes a tua parte para depois eu poder fazer a minha / onde está o que ficaste de me mandar até às 18h para eu poder acabar? / tive outras coisas para fazer entretanto…).

Esta falta de respeito pelos compromissos assumidos pode resultar de não querer brigar no momento em que nos comprometemos, porque achamos que é mais fácil empurrar o problema para a frente, concordando com o que nos pedem… e depois não entregando aquilo com que nos comprometemos.

Esperamos que, entretanto, as coisas mudem, que o outro se esqueça, desculpamo-nos dizendo que não é importante ou que estão a ser picuinhas … e o problema que teríamos neste momento se discutíssemos o compromisso que nos pedem para assumir desapareça.
Desenganem-se os que pensam assim.
Só fica maior!

Pode também acontecer porque nos comprometemos com algo que não conseguimos entregar, porque não percebemos bem o que ficamos de fazer, porque não demos importância ao assunto, nos esquecemos… ou só mesmo porque não queremos.

Mas em qualquer situação, revela uma enorme falta de respeito por aquele com quem o assumimos.
As consequências dos não cumprimentos podem ser terríveis para o outro, e vão, por vezes, muito para além da consequência direta de não ter pão para o jantar ou  não ter a encomenda para entregar ao cliente (o que já por si é grave…!)
E provocam uma dupla frustração – não recebe aquilo que esperava, e sente-se enganado porque quem prometeu e não fez!

Esta zanga envenena qualquer relação, sobretudo, se for continuada, e leva à fatal quebra de confiança.
Para que isto não nos aconteça, apenas há três regras básicas

  1. Não prometemos o que não podemos entregar;
  2. Fazemos tudo o que podemos para entregar o que prometemos;
  3. Se não conseguimos, avisamos com tempo, reconhecemos o nosso falhanço, aceitamos as consequências, tentamos recompensar o outro pelo que aconteceu, e fazemos tudo o que estiver ao nosso alcance para resolver a situação … e cumprir o compromisso que assumimos.

Será que é assim tão difícil?

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Sobre o autor

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Maria do Rosário Pinto Correia é regente da disciplina de Marketing in The New Era (licenciatura em Business Management) na CLSBE. Coordena, ainda, 3 programas de Executive Education - PGV - Programa de Gestão de Vendas, EI - Estratégias de... Ler Mais