TiJUBU lança solução para preparar empresas para novas regras de transparência salarial
Tecnológica portuguesa cria Pay Intelligence, módulo que cruza funções, competências e desempenho para detetar disparidades e preparar empresas para a nova diretiva europeia.
A transparência salarial está a colocar um novo desafio às empresas. Mais do que identificar diferenças remuneratórias, as organizações terão de conseguir explicar os critérios que justificam essas diferenças e demonstrar de que forma são tomadas decisões sobre salários, aumentos e progressões profissionais.
É neste contexto que a TiJUBU, empresa tecnológica portuguesa na área de Workforce Autonomics, lança o Pay Intelligence, um novo módulo da plataforma dedicado à análise de equidade salarial e à gestão da remuneração. Disponível no mercado português, a solução permite identificar potenciais disparidades, estruturar políticas de compensação e apoiar os processos de revisão salarial.
“A transparência salarial obriga as empresas a ir além da identificação de diferenças remuneratórias. É necessário perceber de onde vêm essas diferenças e conseguir demonstrar que as decisões são suportadas por critérios objetivos. O Pay Intelligence foi desenvolvido precisamente para criar essa estrutura e evitar que as disparidades se acumulem ao longo do tempo”, explica Rui Luz, cofundador da TiJUBU.
A plataforma cruza informação sobre funções, competências, senioridade, antiguidade, desempenho e estrutura organizativa, permitindo analisar diferenças remuneratórias e identificar potenciais desequilíbrios. O Pay Intelligence apoia também o ciclo de revisão salarial, integrando informação sobre equidade interna, referências de mercado, desempenho, benefícios e componentes variáveis.
Esta análise torna-se particularmente relevante em momentos de contratação, progressão ou revisão salarial. Um dos fenómenos que pode contribuir para aumentar as diferenças internas é o pay compression, que ocorre quando novas contratações entram na organização com salários superiores aos de profissionais que já desempenham funções equivalentes. Um estudo da LaborIQ, baseado em 20 mil funções, concluiu que os salários das novas contratações eram, em média, 7% superiores aos de colaboradores com funções equivalentes e maior permanência na empresa.
Para permitir às organizações perceberem o seu ponto de partida, a TiJUBU disponibiliza gratuitamente o Pay Analysis, um diagnóstico inicial de equidade salarial integrado no Pay Intelligence.
Sem necessidade de preenchimento de templates, os dados são submetidos diretamente na plataforma e analisados através de um modelo de IA proprietário, numa área isolada por cliente. O diagnóstico permite analisar equidade interna, competitividade externa, composição da remuneração e gender pay gap, disponibilizando os resultados em minutos.
O Pay Intelligence pode ainda ser integrado com o Career Journeys, solução da TiJUBU dedicada ao mapeamento de percursos profissionais, níveis de senioridade, competências e oportunidades de progressão interna. A ligação entre as duas soluções permite relacionar progressão profissional e remuneração e criar uma base mais consistente para decisões sobre aumentos, promoções e evolução de carreira.
Empresas portuguesas perante novas exigências de transparência
A Diretiva Europeia de Transparência Salarial entrou em vigor em junho de 2023 e estabeleceu 7 de junho de 2026 como prazo para a transposição pelos Estados-Membros. Em Portugal, o processo ainda não está concluído. A 5 de agosto, o Governo publicou um projeto de proposta de lei de transposição, que esteve em apreciação pública até 25 de agosto.
O texto conhecido prevê o alargamento das obrigações de reporte às empresas com mais de 50 trabalhadores e estabelece um calendário faseado. As empresas com 250 ou mais trabalhadores, assim como as que têm entre 150 e 249, deverão reportar as diferenças remuneratórias até 7 de junho de 2027, enquanto para as organizações com 50 a 149 trabalhadores o prazo previsto se estende até 2031. A versão definitiva da legislação portuguesa permanece, contudo, dependente da conclusão do processo legislativo.
Para Rui Luz, a mudança exige uma abordagem mais estruturada à remuneração. “O Pay Intelligence permite que uma organização estruture a forma como toma decisões de remuneração hoje, de modo a entender e controlar o seu sistema de compensação amanhã”, diz.







