Para além do streaming, as novas tecnologias prometem revolucionar a indústria cinematográfica com algoritmos poderosos. Conheça o caso da start-up americana Cinelytic.

Já alguns anos que a Netflix adota uma abordagem direcionada por dados para sugerir recomendações de filmes e séries. Segundo a empresa de streaming de vídeo, o seu algoritmo de recomendação vale 1 bilhão de dólares (887 mil milhões de euros).

De olho neste mercado está a start-up Cinelytic, fundada em Los Angeles (EUA), que promete revolucionar a indústria cinematográfica, recorrendo à inteligência artificial. A start-up utiliza dados históricos sobre o sucesso de filmes ao longo dos anos e depois cruza os mesmos com informações sobre temas de filmes e principais atores. Com base em técnicas de machine learning, o software consegue descobrir padrões ocultos nos dados.

A tecnologia permite, assim, criar o filme ideal com base num roteiro e numa sugestão de elenco, que depois pode ser alterada. Ao testar essas possibilidades, a plataforma indica como a substituição de um ator por outro afeta a venda de bilhetes prevista para um filme.

De acordo com o cofundador e CEO da Cinelytic, Tobias Queisser, é possível definir se um filme poderá alcançar melhor desempenho com Emma Watson ou Jennifer Lawrence no papel principal. Além disso, o software consegue mostrar em quais localidades o filme seria melhor recebido, bem como detalhar o perfil do público-alvo.

Em entrevista ao The Verge, Queisser afirmou que o recurso à inteligência artificial na indústria está atrasada. “Numa filmagens agora existem robots, drones e supertecnologias, mas o lado comercial não evoluiu há 20 anos”, analisou, explicando que as pessoas da área ainda usam métodos de negócios bastante simplistas, como o World e o Excel. “Os dados são muito isolados e praticamente não há análises”, frisa.

Uma indústria a ser explorada
Não é surpresa que os líderes da Cinelytic não venham de Hollywood – Queisser possui uma vasta experiência na área das finanças, uma indústria que utiliza o machine learning há anos; já o cofundador e CTO, Dev Sen, tem um histórico sólido na área de tecnologia e chegou a construir modelos de avaliação de risco para a NASA.

Dessa forma, a start-up quer oferecer à indústria de cinema um software tão seguro quanto os utilizados por grandes empresas para avaliar riscos. Por enquanto, os fundadores não divulgaram nenhuma análise realizada para avaliar o desempenho de filmes, mas revelaram que essas pesquisas ainda estão a ser realizadas internamente.

Além da Cinelytic, outras start-ups estão à procura da sua sorte neste mercado. É o caso da ScriptBook, sediada na Bélgica, que desenvolveu algoritmos para prever o sucesso de um filme, analisando apenas o seu roteiro.

Numa amostra de 50 filmes lançados entre 2017 e 2018 (incluindo Hereditary, Ready Player One e A Quiet Place), apenas metade gerou lucros, o que dá à indústria uma taxa de precisão de 44%. Em comparação, os algoritmos do ScriptBook, conseguiram prever corretamente se um filme teria sucesso em 86% das vezes – a taxa de precisão é o dobro da alcançada pela indústria.

Apesar de alguns casos de sucesso, a realidade mostra que não basta apenas recorrer à tecnologia para adivinhar se um filme será ou não um sucesso. A ScriptBook nem sempre acerta sobre o desempenho de alguns filmes. Por exemplo, o algoritmo não conseguiu prever que o filme Warcraft não teria bons resultados nos EUA, mas que seria um sucesso na China.

 

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