O responsável da EDP Ventures e o fundador da HypeLabs são os protagonistas da sexta conversa Spe Futuri, Investidores. Luís Manuel e Carlos Lei Santos falam dos projetos que lideram e analisam o mercado.

Uma nova rotina de trabalho, um maior foco nas participadas, a falta de tempo e capacidade para investir em empresas fora do portefólio, o primeiro programa de imersão virtual da EDP, em São Francisco, e ainda o trabalho tecnológico desenvolvido pela HypeLabs e a eterna dicotomia entre privacidade e segurança, foram alguns dos temas que estiveram em destaque na conversa desta semana do Spe Futuri, Investidores.

Os protagonistas da edição foram Luís Manuel, diretor executivo da EDP Innovation, área em que está inserida a EDP Ventures (braço de capital de risco da EDP), e Carlos Lei Santos, cofundador e CEO da HypeLabs. E, mais uma vez, coube ao empresário Ricardo Luz questionar os convidados sobre a atualidade, as suas visões do mercado e o impacto que a pandemia provocou nas suas vidas profissionais.

Esta é, recorde-se, a sexta sessão de conversas com investidores e empreendedores realizada no âmbito da iniciativa Spe Futuri, Investidores, um projeto Link To Leaders em parceria com o empresário Ricardo Luz.

Assista à conversa entre Luís Manuel, Carlos Lei Santos e Ricardo Monteiro nas redes sociais do Link To Leaders (Facebook, YouTube e LinkedIn).

Reveja os convidados das anteriores conversas Spe Futuri, Investidores:
1.ª: António Murta, fundador e CEO da Pathena, e Renato Oliveira, fundador e CEO da eBankit;
2.ª João Brazão, CEO da Eureekka e business angel, e João Marques da Silva, CEO da CateringAssiste;
3.ª: Francisco Horta e Costa, managing director da CBRE, e Ricardo Santos, CEO da start-up Heptasense;
4.ª: João Arantes e Oliveira, fundador e partner da HCapital Partners, e Nuno Matos Sequeira, diretor da Solzaima;
: Tim Vieira, CEO da Bravegeneration, e Pedro Lopes, fundador da Infinitebook.

Veja o vídeo desta semana e leia os headlines

Adaptação à nova realidade

“Estas foram as principais mudanças: uma nova rotina de trabalho, um novo maior foco nas participadas, também algum aconselhamento às participadas (…) em não gastarem recursos onde têm dúvidas e gastar naquilo que é certo. E, por último, é verdade também que há alguma maior preocupação com o nosso portefólio, e alguma perda de tempo e de capacidade para investir em empresas fora do nosso portefólio” – Luís Manuel

“(…) É uma experiência, mas estamos a fazer hoje o primeiro programa de imersão virtual. Ou seja, estamos a levar as pessoas à mesma, neste caso a São Francisco, e a interagir com alguns keynotes, pessoas muito conhecidas daquela área, mas apenas através de uma plataforma de comunicação” – Luís Manuel

“Estamos aqui numa experiência de aprendizagem acelerada (…) estamos todos nessa experiência e se calhar aquilo que vamos ter no pós-Covid vai ser uma muito melhor síntese, digamos assim, entre aquilo que são as nossas experiências físicas, aquilo que tem de ser mesmo uma experiência presencial, e aquilo que são as nossas experiências virtuais (…)” – Luís Manuel

“A saída desta situação, como a saída de qualquer crise económica, pode ser muito beneficiada por uma melhoria significativa na eficiência do trabalho, na eficiência das pessoas, na eficiência das empresas (…) – Luís Manuel

“Acho que viagens de trabalho é uma coisa que se calhar vai ser muito melhor pesada hoje em dia, depois de termos passado por tantas e tantas experiências de comunicação à distância onde se fez tanta coisa e onde se está a fazer tanta coisa” –  Luís Manuel

Privacidade versus segurança

(…) “Privacidade, dependendo da região de que estamos a falar às vezes significa coisas diferentes. No entanto, para nós tudo está à volta da tecnologia. Nós sabemos o que é que a tecnologia permite fazer e o que a tecnologia não permite fazer” – Carlos Lei Santos

“Aquilo que a nossa tecnologia permite fazer é criar redes de contacto completamente anónimas (…) Mesmo que nós quiséssemos (…) usar este tipo de tecnologia para algo com dados pessoais nós não conseguíamos” – Carlos Lei Santos

“A nossa tecnologia cria uns ID completamente anónimos, únicos, atribuídos àquele dispositivo. Nós não sabemos nada mais senão o número de IDs que estão a ser gerados (…)” – Carlos Lei Santos

“(…) Não existe uma autoridade central que consegue sem a minha autorização, nunca, ver quais foram os contactos que o meu telemóvel teve. Isto é tudo completamente descentralizado e gravado no telemóvel” – Carlos Lei Santos

“A nossa tecnologia garante a privacidade e o anonimato do lado do telemóvel, em termos tecnológicos, no entanto nós precisamos de olhar para isto tudo como um sistema (…)” – Carlos Lei Santos

“Para além de disponibilizarmos a nossa tecnologia, como queremos garantir todo o anonimato e privacidade de todo um sistema, também desenvolvemos aquilo que nós chamamos de o portal das clínicas em que criamos um mecanismo de gerar códigos anónimos (…) “ –  Carlos Lei Santos

“Se há uma coisa que estamos agora a aprender é que lidar com governos é extremamente complicado, e que também cada governo tem a sua própria opinião e havia muitos governos a pedirem-nos coisas que nós também não estávamos confortáveis em fazer. Por esse próprio motivo, também demos um passo atrás e em vez de falar diretamente com alguns governos, começamos a falar com autoridades que basicamente definem as guidelines para esses próprios governos (…)” – Carlos Lei Santos

“(…) Pertencemos a vários grupos em que basicamente só se fala de uma coisa: como é que isto não pode ser utilizado numa arma de controlo. E se há uma coisa que podemos dizer da nossa tecnologia é que mesmo que quiséssemos não podíamos (…)”  – Carlos Lei Santos

 A vida nas cidades

“(…) Uma cidade onde o transporte é iminentemente elétrico só por si tem um enorme benefício que é o desaparecimento da poluição localizada. Mesmo que em teoria nós não alterássemos o perfil de produção (…) e trocasse-mos a frota toda por carros elétricos teríamos desde logo o benefício do desaparecimento da poluição localizada nas cidades e esse benefício é muito significativo do ponto de vista da qualidade de vida das pessoas, tanto do ponto de vista de poluição atmosférica como de poluição sonora (…)”- Luís Manuel

“Se pensarmos, por exemplo, no que é que acontece ao valor do imobiliário no mundo de carros elétricos muita coisa muda, não é só desaparecimento da poluição (…)” – Luís Manuel

“Uma maior seletividade nas deslocações físicas e naquilo que tem de ser presencial pode dar um contributo imenso para a qualidade de vida das pessoas” – Luís Manuel

“Aquilo que torna difícil fazer previsões sobre o futuro é aquilo que dá interesse à vida é nossa criatividade (…). Luís Manuel

“As coisas estão a mudar de uma forma muito acelerada, há uma quantidade muito grande de experiências que são imensamente potenciadas pela fase que estamos a viver (…)” – Luís Manuel

Perceção do mercado

(…) Nota-se que as grandes empresas já se estão a adaptar a este mundo digital (…) isso de momento está a facilitar a forma como vendemos (…) – Carlos Lei Santos

“(…) Para nós, até a forma como vemos o produto, a forma como vendemos, como posicionamos a nossa solução, apesar de ser uma solução digital, a forma como a vendemos está a ficar ainda mais digital (…)” – Carlos Lei Santos

“Neste momento, há uma grande oportunidade para negócios e para empresas que ajudem a fazer esta transição digital de negócios que dantes eram mais tradicionais (…) mas também fico extremamente contente e ansioso pelo futuro porque acho que a forma como vemos os produtos ou como os produtos nos são falados vai ser completamente mudada (..) – Carlos Lei Santos

“Vejo muitas coisas positivas a acontecer, desde logo a nossa situação particular (…) acho que estamos a dar uma excelente resposta, se calhar melhor do que esperávamos a todos os níveis (…), olho para isso como uma mensagem de bastante otimismo no nosso pequeno retângulo, digamos assim” – Luís Manuel

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