O Softbank tem o maior fundo de capital de investimento do mundo, mas, ao que parece, o dinheiro não tem sido gasto da melhor maneira. Segundo altos quadros da firma, grande parte da culpa vem do chefe executivo.

Em novembro de 2016, altura em que o fundo foi inaugurado, estavam 75 mil milhões de euros nos bolsos do Softbank Vision Fund. Hoje, pouco mais de um ano depois, entre aquisições e investimentos, o fundo já só conta com 42 mil milhões de euros.

Só nas quatro maiores tranches de dinheiro utilizadas pelo fundo na Uber, WeWork, Arm Holdings e NVIDIA, podemos contar com 22 mil milhões de euros investidos.

O chefe executivo do fundo é Masayoshi Son. O magnata japonês com origens coreanas nem sempre tem o apoio dos seus diretores no que toca aos valores negociados para adquirir ou apoiar projetos.

Exemplo disso foi o investimento feito para comprar a Arm Holdings, uma empresa britânica construtora de microprocessadores. Shigenobu Nagamori, um dos diretores do Softbank, confidenciou ao Wall Street Journal que Son queria pagar mais de 26 mil milhões pela empresa do Reino Unido, um valor dez vezes mais alto do que a Arm Holdings valia na realidade.

Independentemente disto, e ignorando o conselho de Nagamori, o chefe executivo do fundo deu continuidade ao negócio e, em julho de 2016 – poucos meses antes de ser inaugurado o Vision Fund -, o Softbank adquiriu a tecnológica britânica.

Diretores, executivos, partners e pessoas próximas, descrevem-no como um homem pouco estável, que toma decisões com base nos seus instintos. Esta instabilidade pode ser vista nos 30 minutos que Masayoshi Son demorou a decidir que ia investir 164 milhões de euros numa start-up norte-americana que desenvolveu hortas verticais ou, no outro lado da balança, quando inunda os seus diretores com centenas de páginas com elaboradas análises a argumentar o porquê de investir numa start-up.

Segundo Masayoshi Son, todos estes investimentos rotulados como arriscados são feitos para fazer com que o Softbank consiga prevalecer no mercado durante os próximos três séculos. Foi exatamente isto que o magnata explicou aos jornalistas no início de fevereiro. “Quero criar uma aliança de empresas que vão continuar a crescer nos próximos 300 anos, depois de eu já ter partido.”

O objetivo é investir em todos os unicórnios com potencial de crescimento e projetos que liderem o mercado, visto que espera um grande crescimento da parte deles.

Masayoshi Son criou o Softbank em 1981. Desde aí, investiu em mais de 1300 empresas. No ano 2000, o magnata investiu 16,5 milhões de euros na Alibaba, ficando com uma fatia da empresa que hoje vale quase 100 mil milhões de euros.

Depois de ter visto a sua empresa desvalorizar em 99% com a bolha da Internet, Son conta atualmente com um património líquido de 19 mil milhões de euros.

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