Setor espacial português gerou 191 milhões de euros, diz estudo da Nova SBE

Foto: Agência Espacial Portuguesa

Um estudo da Nova SBE revela o potencial e desafios do setor espacial português. Em 2024, empregou diretamente 1.466 pessoas e gerou 191 milhões de euros.

O estudo “From Capacity Builder to Market Actor: Mapping Portugal’s Space Economy and the Commercial Sustainability Challenge”, publicado pela Nova SBE, através do projeto New Space Portugal, compara Portugal com quatro economias espaciais europeias de pequena dimensão – Áustria, Chéquia, Irlanda e Grécia – e constata que o país avançou mais rapidamente na integração institucional do que na consolidação da sua base comercial.

E uma das principais conclusões a refere que o setor espacial português gerou 191 milhões de euros em receitas operacionais e empregou diretamente 1.466 pessoas, em 2024. Todavia, enfrenta o desafio de transformar a sua capacidade técnica e científica numa atividade comercial sustentável.

Desenvolvido em colaboração com a Agência Espacial Portuguesa, este relatório, o primeiro mapeamento económico abrangente do ecossistema espacial, mostra que entre 2019 e 2023, o número de empresas ligadas ao espaço aumentou 43%. Mais, que Portugal dispõe de competências técnicas, talento qualificado e uma forte integração em programas e instituições europeias. Entre os países analisados destaca-se pela maior presença de profissionais na Agência Espacial Europeia (ESA) face à sua contribuição financeira.

Os dados analisados neste estudo apontam para um ecossistema com uma base científica e tecnológica sólida, mas ainda com margem para reforçar a ligação entre investigação, empresas, investimento e mercado. Revelam que a receita por trabalhador é de 76 mil euros, o valor mais baixo entre os países analisados (face a 179 mil euros na Áustria); os centros de investigação representam 33% do emprego, mas apenas 17,6% das receitas operacionais; apenas 9% do investimento público espacial é aplicado em investigação e desenvolvimento (comparando com 37% na Áustria e 38% na Grécia); Portugal não tem nenhuma empresa espacial com mais de 250 trabalhadores, o que limita a capacidade para liderar grandes programas europeus.

O relatório sublinha que, agora, o desafio de Portugal está em transformar as competências adquiridas em empresas com maior dimensão, produtividade e capacidade para competir nos mercados internacionais.

O estudo apresenta algumas recomendações para apoiar a passagem de Portugal de “construtor de capacidade” a “ator de mercado”. A necessidade de melhorar a composição do investimento público, reforçando a investigação e desenvolvimento e estabelecendo como objetivo que esta área represente 20% do investimento público espacial até 2030, é uma dessas recomendações. Aconselha também que os projetos apoiados por fundos públicos demonstrem um caminho credível para a atividade comercial e que a contratação pública desempenhe um papel importante, ajudando a criar os primeiros clientes e a transformar a procura institucional em receitas recorrentes. Além disso, identifica as áreas da defesa e das tecnologias de duplo uso, com aplicações civis e militares, como oportunidades de crescimento, nomeadamente através da procura da NATO e do acesso ao instrumento europeu SAFE.

De modo a apoiar o crescimento empresarial, o estudo propõe a criação de um programa seletivo de scale-up, dirigido a cinco a oito empresas de elevado potencial por ano e defende uma avaliação técnico-comercial da procura antes de novos compromissos de investimento em infraestruturas, incluindo em Santa Maria. Por último, considera que Portugal deverá posicionar-se de forma seletiva em segmentos emergentes, como o fabrico no espaço, a manutenção em órbita e a computação baseada no espaço.

De referir ainda que o relatório “From Capacity Builder to Market Actor: Mapping Portugal’s Space Economy and the Commercial Sustainability Challenge”, identifica a Constelação Atlântica como um exemplo da evolução e do reforço da capacidade portuguesa no setor espacial, desenvolvida sob a liderança estratégica da Força Aérea Portuguesa (FAP) e do CEiiA, Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto.

A constelação de observação da Terra será constituída por duas componentes, portuguesa e espanhola, ambas já em fase de implementação. Entre os ativos espaciais incluem-se satélites óticos de muito alta resolução e satélites SAR (radar de abertura sintética), incluindo capacidades lançadas em março de 2026, cuja operação está a cargo do operador nacional GEOSAT.

A capacidade operacional plena da componente portuguesa, que deverá integrar um total de 12 satélites, está prevista para o final de 2027, reforçando a capacidade de observação da Terra e a autonomia estratégica de Portugal e da geografia Ibérica neste domínio.

Pedro Pais Penedos, Project Manager Officer da Nova SBE, conclui que “este estudo representa exatamente o tipo de investigação aplicada que o projeto New Space Portugal foi concebido para produzir: rigorosa, baseada em dados e diretamente relevante para as decisões que o ecossistema espacial português precisa de tomar na próxima fase”.

A totalidade do estudo e suas conclusões será apresentado no próximo dia 21 de setembro, no campus de Carcavelos da Nova SBE. O evento é gratuito e aberto ao público, mas sujeito a inscrição prévia.

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