A portuguesa SPEAK foi uma das 29 organizações selecionadas pelo Google.Org Impact Challenge. Hugo Menino Aguiar, CEO da start-up, falou do que isso representa para o seu projeto de inclusão social.

A organização do  Google.Org Impact Challenge divulgou esta semana a lista das selecionadas do desafio e a portuguesa SPEAK está entre as eleitas para, nos próximos três, colaborar com Google Europe e a Google.org na construção da fundações de uma sociedade civil mais inclusiva e coesa. Do um conjunto de 900 candidaturas, foi uma das 29 selecionadas do desafio Google.

O Google.Org Impact Challenge consiste num projeto/fundo que tem como missão apoiar organizações que desenvolvam soluções que ajudem a lidar, quer no universo digital quer no mundo real, com questões de extremismos, ódio ou segurança infantil .

A Google deverá distribuir cerca de dez milhões pelas 29 eleitas, oriundas de, por exemplo, Alemanha, França, Polónia, Irlanda, Roménia, Reino Unido, Holanda, Itália ou Espanha, num total de 14 países.

Hugo Menino Aguiar, CEO da Speak, revelou ao Link To Leaders o que representa esta distinção e os projetos que tem em mãos para a Speak.

O que representa para o SPEAK o facto de ser uma das selecionadas do Impact Challenge da Google.org?
A Google.org lançou o desafio “Impact Challenge on Safety” para colaborar e apoiar organizações europeias que tenham como missão contribuir para uma sociedade mais inclusiva, coesa e que trabalhem com os desafios de discriminação, xenofobia, ódio no discurso e extremismo. Sermos selecionados dá-nos confiança no trabalho que temos feito, mas, mais importante que isso, dá-nos uma oportunidade para expandir e chegar a mais pessoas.

“O SPEAK está a ser replicado por um modelo de social franchising”.

Em termos práticos, o que é este apoio financeiro vai permitir ao SPEAK fazer? Que projetos planeiam implementar.
Esta parceria com a Google.org irá permitir otimizar a experiência e intervenção do SPEAK, através do desenvolvimento de novas metodologias e ferramentas, contribuindo para uma atuação mais personalizada e centrada nas necessidades da comunidade SPEAK.

O SPEAK liga pessoas migrantes, pessoas refugiadas e locais a viver na mesma cidade através de experiências de intercâmbio de línguas, culturas e eventos. Esta experiência segue uma metodologia própria que facilita a criação de redes de suporte informal, relações de amizade, reciprocidade, ajuda mútua, respeito e confiança. O objetivo último é o de contribuir para uma sociedade inclusiva e coesa.

O SPEAK está a ser replicado por um modelo de social franchising. Em 2019 testámos a abertura de 20 cidades novas neste modelo o que nos permitiu trabalhar com diferente pessoas, organizações e contextos. É necessário desenvolver programas de capacitação mais robustos e processos que tornem a replicação e implementação do SPEAK mais fácil e ágil. Sem comprometer eficiência e efetividade no modelo.

Uma das novidades será uma aplicação mobile. A maior parte da nossa comunidade usa a plataforma web www.speak.social nos seus dispositivos móveis. Uma aplicação mobile vai trazer oportunidades de melhoria da experiência e foco nas funcionalidades essenciais. A ideia é remover o “stress” do utilizador e dar-lhe a informação certa no momento certo. Vamos adicionar novos materiais, níveis e um processo novo de evolução ao longo da experiência nos grupos de línguas.

De que forma iniciativas como a deste fundo podem ajudar a combater a desigualdades e extremismos à escala global?
Todos reconhecemos que os desafios de discriminação, xenofobia, discurso de ódio e extremismo estão presentes sob as mais diversas formas em ambas as dimensões online e offline. Gerar uma mudança efetiva no seio da nossa sociedade atual no que respeita a estes desafios, requer uma abordagem holística, na qual é imperativo complementar a inovação tecnológica com uma intervenção comunitária forte, apostando e valorizando a educação e consciencialização dos cidadãos para as temáticas de interculturalidade e capacitando-os para os processos de inclusão e integração.

Neste sentido, a aposta na dinamização de iniciativas como o Impact Challenge pela Google.org, permite capacitar as organizações que se encontram já a desenvolver respostas integradas para estes desafios. Esta capacitação traduz-se de diversas formas. Se por um lado permite a escalabilidade dos projetos que se encontram a desenvolver respostas a nível local,  por outro permite que essas mesmas respostas se tornem cada vez mais personalizadas e eficazes, expandindo assim a esfera de impacto social destas organizações e contribuindo para o objetivo de “escala global”.

Estes investimentos permitem, então, a manutenção desta aliança entre respostas focadas nas componentes online e offline, que se encontram cimentadas numa perspetiva de educação intergeracional e na consciencialização para as temáticas de diversidade, edificando uma sociedade verdadeiramente segura, coesa e inclusiva, onde o ódio e extremismos serão cada vez menos expressivos.

Dos 29 projetos selecionados qual o surpreendeu mais?
Chamou-nos à atenção o HateAid da Alemanha por ser mais “diferente”. É um projeto que apoia vítimas de discurso de ódio online. Estas vítimas, muitas vezes, não têm recursos nem conhecimento para processos em tribunal e não acreditam que possam ganhar. Sentem que é inútil. São quebradas por um mundo que às vezes é injusto e que para elas foi implacável. Ao mesmo tempo há pessoas que parecem acreditar que no mundo online não há lei. Mas há e esta organização financia processos em tribunal e dá todo o apoio a estas vítimas. Devolve a dignidade às vítimas ao mesmo tempo que dá um sinal de alerta para aqueles que usam discursos de ódio, difamação ou extremismo online. Com os valores que ganha nestes processos apoia as vítimas seguintes.

O projeto Communities Inc, do Reino Unido, toca num aspecto que sentimos ser muito relevante – inação ou inércia perante atos discriminatórios – que infelizmente valida o comportamento.

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