Uma das primeiras medidas de Joe Biden foi o regresso do seu país ao Acordo de Paris, tratado internacional cujo principal objetivo é conter o aquecimento global do planeta, reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa.

O novo presidente dos EUA deu, assim, um sinal inequívoco do compromisso da maior economia do mundo com a descarbonização. Já antes, a UE se havia comprometido a atingir a neutralidade das emissões de dióxido de carbono até 2050. E até a China prometeu a transição para uma economia com impacto neutro no clima até 2060.

Por tudo isto, não tenho dúvidas de que, depois de ultrapassada a pandemia, as questões ambientais, e em particular as alterações climáticas, vão dominar a agenda internacional e moldar as estratégias geopolíticas dos principais blocos económicos. As grandes potências já perceberam que o crescimento e a competitividade económica dependem, fortemente, da sustentabilidade ambiental. Isto significa que, para lá dever ético de preservar os recursos do planeta, há um claro interesse económico na descarbonização. Interesse, esse, que poderá ser, de facto, game changer.

O Governo português também parece estar comprometido com a transição climática, tendo incluído no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) um avultado investimento nesta área. Estão previstos cerca de 2,7 mil milhões para projetos de mobilidade sustentável, descarbonização, bioeconomia, energias renováveis e eficiência energética, sendo uma boa parte desta verba dirigida às PME. Também o novo quadro comunitário, Portugal 2030, trará mais investimento em duas prioridades ambientais: a diminuição da dependência energética e a adaptação dos territórios às alterações climáticas.

Há, pois, um contexto favorável quer ao desenvolvimento sustentável da economia portuguesa, quer ao crescimento dos chamados negócios verdes. Cabe agora aos empresários responder ao desafio da transição climática, adaptando as suas PME aos princípios da economia circular ou lançando projetos empresariais que, a partir da inovação e da tecnologia, promovam a preservação e valorização de recursos naturais. Novas oportunidades de negócio vão surgir no crescente sector do ambiente, sobretudo em áreas decisivas para uma economia mais eficiente, como as energias renováveis, o tratamento e reciclagem de resíduos, a mobilidade sustentável, o mar, a biodiversidade ou as tecnologias verdes.

Uma abordagem mais sustentável da atividade empresarial pode, de facto, traduzir-se numa muito maior criação de valor económico. O bom desempenho ambiental e a eficiência energética têm efeitos positivos quer ao nível da produtividade, quer ao nível da competitividade. A produtividade cresce com a aplicação de boas práticas ambientais em áreas fulcrais da cadeia de valor das empresas: águas, efluentes líquidos, emissões atmosféricas, energia, resíduos e ruído. Por outro lado, a maior sensibilidade ambiental nas sociedades modernas faz com que clientes/consumidores privilegiem os produtos/serviços que respeitam o ambiente e premeiem as empresas que procuram diminuir a sua pegada ecológica.

A responsabilidade ambiental deve, pois, orientar a gestão das empresas e ser determinante nas suas decisões e investimentos estratégicos. O futuro passa pela economia sustentável, pela ecologia industrial e pelos negócios verdes, que não só consubstanciam uma resposta à emergência climática como representam novas oportunidades de criação de valor e sucesso empresarial.

*Associação Nacional de Jovens Empresários

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Alexandre Meireles, 38 anos, foi eleito (no final de fevereiro 2020) presidente da Direção Nacional da ANJE- Associação Nacional de Jovens Empresários, para o triénio 2020-22. Natural de Amarante, é licenciado em Engenharia Eletrotécnica, no ISEP, e tem o Curso... Ler Mais