Os últimos dados económicos da União Europeia estão longe de ser animadores. A Alemanha e o Reino Unido estão em risco de entrar em recessão no terceiro trimestre, a Itália está estagnada e a França continua a crescer muito modestamente.

No entanto, muitas das economias da periferia registam taxas de crescimento bem mais elevadas, num processo de rápida convergência económica. Nove países da União Europeia cresceram a taxas iguais ou superiores a 3% no segundo trimestre deste ano. Entre eles está a Irlanda, o país europeu potencialmente mais vulnerável à deterioração do relacionamento com os Estados Unidos e ao Brexit. Isto prova que é possível crescer de forma robusta num cenário externo desfavorável.

Neste contexto, o crescimento de 1,8% registado por Portugal, ainda que tendo reforçado a trajetória de convergência com a média europeia, não deixa de ser medíocre face ao que muitos países europeus continuam a alcançar e face às nossas aspirações e às nossas necessidades.

Como tenho afirmado, a referência para avaliar o desempenho da economia deve ser a medida das nossas ambições, não a dos nossos temores.

Na perspetiva do novo ciclo político que resultará das eleições de outubro, a CIP elaborou um documento onde antecipa os grandes desafios que irão condicionar o futuro de Portugal nos próximos anos e propõe um conjunto de medidas com o objetivo de sustentar o crescimento em bases mais sólidas e duradouras, consistentes com um modelo de economia de mercado competitiva, que tem nas empresas o seu motor.

Entre essas propostas, destaco as que visam enquadrar o exigente processo de reconversão da força de trabalho para enfrentar a transformação digital e tecnológica e assegurar a sua permanente adequação às necessidades das empresas.

Propomos, também:

  • Uma fiscalidade atrativa para o investimento, conciliando a redução da carga fiscal que pesa sobre as famílias e, fundamentalmente, sobre as empresas com a sustentabilidade das finanças públicas. Está presente o objetivo de estimular fiscalmente o investimento em start-ups, nomeadamente através de medidas dirigidas a business angels e fundos de capital de risco e alargadas ainda a veículos de business angels.
  • Medidas tendentes à capitalização e financiamento das empresas portuguesas, capazes de ultrapassar uma das principais fragilidades estruturais do nosso tecido empresarial: a excessiva dependência de crédito bancário, sobretudo de curto prazo, num quadro de estruturas financeiras pouco sólidas, devido a elevados níveis de endividamento.
  • Um ambiente de negócios impulsionador da inovação e que permita às empresas concentrarem os seus recursos na criação de valor e competirem em mercados cada vez mais exigentes. Neste quadro, além da necessidade de diminuir custos de contexto, surge como prioritária a promoção de uma justiça económica célere e eficaz.

Comprometidos em apoiar as nossas empresas a desempenharem as suas atividades com base em princípios de sustentabilidade, propomos, entre outras, medidas que promovam a transição para uma economia mais circular, baseada na inovação e na iniciativa das empresas; procuramos precaver os riscos decorrentes da adesão de Portugal ao objetivo europeu da neutralidade carbónica; privilegiamos o objetivo da eficiência energética; visamos um maior investimento florestal e uma mobilidade mais amiga do ambiente.

Se as perspetivas externas nos são adversas, é altura de contrariar o seu impacto, redirecionando a política económica num sentido mais favorável à dinâmica empresarial e olhando para as pessoas, competitividade e sustentabilidade, não de forma isolada, mas como os ângulos de um triângulo que é preciso articular, com vista a um desenvolvimento integral do ponto de vista social, económico e ambiental.

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António Saraiva nasceu em novembro de 1953 em Ervidel. Diretor da Metalúrgica Luso-Italiana desde 1989 e administrador a partir de 1992, adquiriu a empresa ao Grupo Mello em 1996, sendo atualmente presidente do conselho de administração. Começou a sua carreira... Ler Mais