Projeto de deteção de drones vence hackathon europeu de defesa em Lisboa
O projeto RF Sentinel, que foi o grande vencedor da edição portuguesa do EUDIS Defence Hackathon, recebeu 5 mil euros. Marinha Portuguesa selecionou start-ups do Hackathon para evento de experimentação operacional.
O projeto RF Sentinel venceu a edição portuguesa do EUDIS Defence Hackathon, que decorreu entre 26 e 28 de março, no Beato Innovation District, em Lisboa. Desenvolvido por dois investigadores do Instituto de Telecomunicações e da Universidade de Aveiro, Daniel Escadas e Gonçalo Martins, o projeto consiste num sistema de deteção de drones com base em diferentes sensores, incluindo, um radar de baixo custo e inteligência artificial, capaz de identificar e mitigar ameaças no espaço aéreo.
A solução foi desenvolvida no âmbito de uma maratona tecnológica de 48 horas dedicada à criação de soluções nas áreas da defesa aérea, tecnologias contra drones e segurança marítima, numa iniciativa organizada em Portugal pela Productized, empresa especializada na dinamização de programas de inovação na área da defencetech.
O segundo lugar foi atribuído à Navictus, uma start-up que desenvolve veículos autónomos de superfície para vigilância marítima e proteção de infraestruturas críticas, enquanto o terceiro lugar foi conquistado pela ROOTKey, uma start-up focada em Ciber-Resiliência que apresentou um protocolo de comunicações militares seguras através de tecnologia blockchain.
Para além dos prémios monetários, as equipas vencedoras terão acesso a um programa de mentoria de 40 horas, desenvolvido ao longo de dois meses com especialistas do setor. Após o Hackathon, segue-se esta fase de mentoria, com início a 8 de abril, culminando na oportunidade de as equipas integrarem, em junho, uma competição europeia, onde irão apresentar as suas soluções a representantes dos Estados-Membros da União Europeia.
Para André Marquet, CEO da Productized e auditor de Defesa Nacional, “este Hackathon foi um sucesso, com soluções já com um nível de maturidade elevado, algumas das quais poderão tornar-se referências nos próximos anos”. O responsável acrescenta ainda que “esta segunda edição mostrou, mais uma vez, que Portugal tem talento para desenvolver soluções na área da nova defesa e que começa a surgir um ecossistema com players cada vez mais relevantes. Existe uma oportunidade clara para o país na nova defesa, mas é fundamental definir uma estratégia que permita apoiar estas startups a crescer e a escalar as suas soluções”, conclui.
No âmbito da iniciativa, a Marinha Portuguesa selecionou os vencedores desta edição para integrarem o evento REX de experimentação operacional, onde terão a oportunidade de testar e validar as suas soluções. Esta fase permitirá às equipas trabalhar diretamente com necessidades operacionais concretas.
A Productized já tinha organizado, em outubro do ano passado, a edição de outono do EUDIS Defence Hackathon em Portugal, que se destacou como a mais participada a nível europeu, reunindo 60 participantes presenciais e 15 equipas a concurso. A equipa RAID, vencedora nacional dessa edição, viria posteriormente a ser selecionada para o top três europeu na competição do EUDIS, entre equipas provenientes de oito países, tendo a sua solução escolhida para demonstração em ambiente operacional no exercício ARTEx26 do Exército português, no Campo Militar de Santa Margarida.








