A bandeira é azul e branca, cores de um Porto Liberal! O F. C. Porto tornou-se nos últimos 40 anos um clube de enorme sucesso, a nível nacional e europeu, em especial se tivermos em conta o seu orçamento e potencial de partida face aos resultados obtidos.

Em termos nacionais foi campeão 22 vezes, para além das muitas Taças de Portugal e Supertaças conquistadas. Internacionalmente, com sete títulos conquistados, é o clube mais bem sucedido de Portugal, tendo vencido 1 Taça dos Campeões Europeus e 1 Liga dos Campeões, 1 Taça Uefa e 1 Liga Europa, 1 Supertaça Europeia e 2 Taças Intercontinentais. Impressionante para um clube de uma das mais pobres regiões de um dos mais pobres países a nível europeu, o Norte de Portugal.

Como é que um Clube/Empresa consegue estes resultados?
O F.C.Porto foi, nestes últimos 40 anos, superiormente liderado, pois é demasiado óbvio e indiscutível o sucesso que atingiu. O seu presidente e equipa dirigente conseguiram transformar um clube regional, com ambição limitada, num clube internacional onde só se admite vencer, independentemente das circunstâncias e dos adversários. Há uma força interior, característica das gentes do Porto e do Norte, uma capacidade de sofrimento e de superação que foi sendo trabalhada e inculcada em jogadores, treinadores e colaboradores, uma vontade e determinação para vencer que define quem está no clube e que rapidamente se entranha em quem a ele chega. Atletas de todo o mundo e raças são igualmente tratados e respeitados sempre que respeitam as máximas do clube, de que só com trabalho árduo, espírito de compromisso e entreajuda, e extrema vontade de vencer, se atingem objectivos e se tem sucesso.

Como em todas as empresas de sucesso, no F.C. Porto foram sendo definidos objectivos ambiciosos, mas concretizáveis, e constituídas, organizadas e desenvolvidas equipas com base em competências que se complementam e onde cada um sabe o seu papel, onde todos são importantes e, principalmente, em que todos se revêm nos objectivos a atingir e na atitude vencedora.

O F.C.Porto percebeu desde cedo algo que muitas outras empresas de sucesso da região também já perceberam, que num país centralizado na capital e vivendo numa região empobrecida, mas com massa critica e forte identidade, é fundamental “arregimentar as tropas” em torno de objectivos comuns. Transformou-se assim numa organização que, partindo do Norte, se tornou global sem nunca perder o orgulho e sentido de pertença regional, e que na identidade da sua cidade e da sua região foi buscar energia e capacidade competitiva.

Num país centralizado o F.C.Porto, por estratégia e necessidade, viveu sempre entre dois níveis, o regional e o internacional. Pela própria lógica do futebol e sua estratégia enquanto organização, encontrou nos seus associados e nas empresas do Norte, principalmente nas exportadoras que se associam com prazer à sua marca, a energia para vencer internacionalmente, e pelo caminho tornar-se dominador a nível nacional.

Perdoem-me aqueles que, legitimamente, vibram com as vitórias de outros clubes, mas hoje escrevo sobre o que me faz sentir orgulhoso, o meu clube, o F.C.Porto, a minha cidade, o Porto, e a minha região, o Norte, de um país de que muito gosto, Portugal.

É meu profundo desejo que todos, portugueses, possamos, em total liberdade, de expressão e de acção, lutar pela defesa das nossas ideias e ideais, dos nossos clubes, empresas, associações e instituições, das nossas cidades, regiões e país, sempre de cabeça levantada e com respeito por nós próprios e pelos outros.

Um país é o seu passado, presente e futuro, e as gerações que a cada momento o vivem, nele lutam e por ele lutam. Os jovens de todas as gerações sempre querem “mudar o mundo”, e fruto dessa crença vão-no efectivamente mudando. Se forem capazes de perceber o que de bom existe, e o potenciarem, e o que mal subsiste, e o ultrapassarem, podem através da sua acção, individual, empresarial, associativa e institucional, contribuir para um futuro melhor, para eles e suas famílias e comunidades, para as suas regiões e país.

Hoje, felizmente, somos cada vez mais cidadãos do mundo, mas sê-lo-emos muito mais e melhores se não esquecermos as nossas raízes e a nossa identidade, pois é na diversidade orgulhosa de si e respeitadora dos outros que podemos almejar um mundo melhor para todos!

Nota: Este artigo segue a antiga ortografia por vontade expressa do seu autor.

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Sobre o autor

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Ricardo Luz é empresário, sócio da Gestluz Consultores, Matching Ventures, RHJA Accountants e Absolute H, e Vogal do Conselho Fiscal da 321 Crédito, Instituição Financeira de Crédito, SA e da Payshop, SA. É ainda Presidente Emérito da Invicta Angels, a... Ler Mais