Plataforma lituana alternativa às apps de encontro escolhe Portugal para expansão internacional
Operacional há apenas 22 meses, a Joiner ultrapassou os 52 mil downloads, praticamente sem marketing pago, conta com 1.500 utilizadores ativos diários e regista mais de 12 mil eventos concluídos.
A Joiner, uma plataforma que promove a socialização offline, estreia-se em Portugal amanhã. Desenvolvida na Lituânia por uma equipa de fundadores e ex-executivos da Uber e do Tinder, a start-up angariou 1,2 milhões de euros de investimento para impulsionar a sua expansão internacional e Portugal foi o país escolhido para iniciar esse movimento.
A Joiner apresenta-se como “o oposto de uma aplicação de encontros”. Foi criada precisamente para responder ao dating app burnout, um fenómeno cada vez mais evidente, sobretudo entre a Geração Z. Trata-se de um estado de exaustão psicológica e desmotivação provocado pelo uso prolongado destas plataformas, alimentado pela gamificação, excesso de escolha e interações de natureza transacional. Dados recentes da Forbes Health survey, revelam que 4 em cada 5 utilizadores de aplicações de encontro acusam já estes sintomas.
A Joiner surge como alternativa e como resposta a uma mudança de comportamento mais ampla: cada vez mais pessoas procuram ligações reais e experiências partilhadas, sem a pressão das relações um-para-um. O resultado é uma nova plataforma de socialização offline que permite descobrir, organizar e participar em eventos locais.
Em vez de um modelo transacional baseado em matching, a Joiner propõe um modelo transformacional centrado na criação e partilha de atividades, e não na avaliação de perfis. O foco passa a ser a criação de ligações reais através de atividades de grupo presenciais baseadas em interesses comuns.
Para suportar o lançamento em Portugal, a start-up lituana está a investir mais de 300 mil euros na contratação de equipas locais nas áreas de marketing e tecnologia, posicionando o país como base operacional da sua estratégia de crescimento internacional.
Segundo Jurate Plungyte, cofundadora da Joiner, “Portugal funciona como um mercado-teste europeu ideal, sobretudo cidades como Lisboa e Porto. São cidades de média dimensão, com forte presença de comunidades internacionais, nómadas digitais e estudantes universitários, públicos que frequentemente procuram facilitar a sua integração social”.
De acordo com a empresa, “Portugal representa uma porta de entrada estratégica para o Brasil, beneficiando da partilha da língua, de uma comunidade brasileira já estabelecida e da presença de fundos de capital de risco ativos em ambos os mercados”.
“O plano passa por expandir daqui para Espanha e possivelmente para a Chéquia, ainda em 2026, mantendo o restante mercado europeu no radar. O Brasil é também uma prioridade estratégica, tirando partido das ligações desenvolvidas em Portugal e o objetivo seguinte é entrar no mercado norte-americano antes de 2030”, explica a start-up em comunicado.
Uma plataforma exclusivamente P2P
A Joiner agrega eventos por área geográfica e serve dois públicos principais: expatriados que procuram integrar-se rapidamente numa nova cidade; e residentes locais interessados em novas atividades e em alargar o seu círculo social.
Na prática, a plataforma funciona como um catálogo interativo que direciona os utilizadores para atividades presenciais em grupo. É possível explorar um feed local de eventos ou criar novas atividades, desde caminhadas na natureza e noites de jogos de tabuleiro, de encontros depois do trabalho a festas temáticas, concertos ou jogos de futebol.
“As aplicações de encontros são transacionais. A Joiner é transfiormacional. Não estamos a vender eventos, estamos a criar momentos. Criamos espaço para conhecer um novo amigo, para experimentar algo novo, para ter o tipo de saída noturna espontânea que o fiaz sentir que pertence aqui. Estamos a construir algo muito mais valioso do que apenas mais um fieed social“, explica Jurate Plungyte.
A app utiliza Inteligência Artificial para gerar automaticamente descrições de eventos em segundos, simplificando a organização. Numa fase inicial, a localização exata não é divulgada, sendo apresentado apenas um raio aproximado de 5 km. Os interessados pedem para participar e entram numa lista de espera. O anfitrião pode consultar os perfis dos candidatos, incluindo contas de Instagram associadas, e aceitá-los ou recusá-los. Este mecanismo permite maior controlo sobre a dinâmica do grupo e reforça a segurança.
O impacto do projeto já se reflete nos seus resultados. Totalmente operacional há apenas 22 meses, a plataforma ultrapassou os 52 mil downloads, praticamente sem marketing pago, conta com 1.500 utilizadores ativos diários e regista mais de 12 mil eventos concluídos.
A Joiner opera num ecossistema estritamente pessoa-a-pessoa (P2P), bloqueando eventos comerciais e publicidade corporativa direta. Em simultâneo, integra uma lógica de economia de criadores, permitindo aos utilizadores assumir o papel de anfitriões, criar micro-comunidades e monetizar as suas próprias iniciativas locais.
Atualmente, a aplicação é gratuita para os utilizadores. A estratégia de monetização assenta em três pilares, combinando B2B e B2C.
O primeiro eixo são parcerias estratégicas com negócios locais — cafés, bares, clubes e espaços de coworking. A Joiner gera tráfego real para estes espaços através dos eventos organizados e recebe comissões sobre a receita gerada. Existe uma regra clara: as marcas não podem fazer publicidade direta nem criar eventos comerciais na plataforma; as atividades têm de ser dinamizadas por pessoas reais.
O segundo eixo é a economia de criadores. Os anfitriões podem organizar eventos pagos e vender bilhetes diretamente na aplicação, monetizando as suas micro-comunidades e partilhando receitas com os espaços parceiros. A Joiner pretende evitar as taxas fixas normalmente cobradas pela concorrência.
O terceiro eixo é um modelo de subscrição premium, atualmente em desenvolvimento. Para utilizadores regulares, oferecerá maior visibilidade, vantagens exclusivas e acesso a eventos restritos. Para organizadores, disponibilizará ferramentas avançadas, como análise de dados das comunidades e opções de promoção de eventos.








