Falamos muito e em várias perspetivas sobre o futuro, conquistas espaciais, globalização, revoluções, transformações digitais, diversidade e inclusão, sustentabilidade ambiental, empresarial…, enfim, um conjunto de vários caminhos e necessidades de adaptação, sempre.

No entanto, e pese embora a grande importância de cada um desses temas, ao olhar a sociedade humana, não descurando a perspetiva histórica do seu desenvolvimento, o que encontramos são várias e diversas velocidades de evolução e um constante estado de insatisfação, para o bem e para o mal, como característica da natureza de ser humano, além do que chamamos direitos humanos.

É dessa insatisfação que nasce a criatividade e a vontade de transformar o que nos rodeia num sentido de aperfeiçoamento, em busca de ideais de felicidade, alcançando mais terreno ao desconhecido, que é imenso, quem sabe infinito para a nossa inteligência.

Neste processo de evolução, de incessante “querer mais”, o crescimento individual e coletivo nunca pode perder a consciência de si e do conjunto que somos, devendo ter bem presente o que deve ser o “querer” e o “mais”.

Infelizmente, parece que vivemos num mundo de “fake news” onde interessa mais o parecer do que o ser, em que o importante é “ficar bem na fotografia”, muitas vezes deturpando o essencial e trabalhando “para inglês ver”, em prole de objetivos “egoístas”, sem visão de futuro, relegando para plano sem importância os ideais de Bem Comum.

Este tipo de atitude, tendencialmente atropelando quem age em contrário e escalado na sociedade de informação, começa fácil e falacioso e acaba por gerar insatisfação do tipo reativo negativo, igualmente prejudicial para a construção sustentável.

Se o que nos torna insatisfeitos e motiva a agir é fundamental para o futuro que estamos a construir, então uma construção sem consciência da importância de ser verdadeiro, sem moral e sem ética, cai por terra, não se desenvolve.

A responsabilidade de como vivemos e do que modificamos à nossa volta é de todos e de cada um, mais notoriamente em determinadas circunstâncias de maior poder de influência, mas todos temos de dar o exemplo, nas grandes e nas pequenas ações, não nos deixando nunca dominar pelos que vivem nas aparências.

Ao indivíduo cabe saber escolher atuar e viver com o melhor de si, sempre refletindo sobre o seu dia e as suas ações, perante si e perante o seu mais próximo, perante a Vida, pois o futuro é construído por nós todos e cada uma das nossas pequenas ações tem influência no todo.

Todos participamos, inexoravelmente, mesmo quando ficamos quietos. A liberdade de escolha tem de ser vivida com toda a responsabilidade.

O futuro vai para onde nós formos, todos e cada um, e isso deve estar presente todos os dias em todos os nossos atos, com responsabilidade e respeito por nós e pelos outros.

*Fundação Portuguesa das Comunicações

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Margarida Sá Costa iniciou o seu percurso profissional como advogada, com o sonho de defender causas e apoiar pessoas. Em 1988, aceitou o desafio de integrar uma das empresas percursoras da atual Altice Portugal motivada pelas novas tecnologias e inovação... Ler Mais